Nosso planeta é imenso e, dentro dele, há uma infinidade de micro-mundos.

As vezes sento à beira da janela de meu apartamento após escurecer e fico observando por um tempo que nunca cheguei a calcular. Eu me distraio com as luzes das janelas de todos os outros prédios e casas ao meu redor.

Em cada quarteirão dúzias de edifícios. Em cada edifício dezenas de janelas. Em cada janela um meio ambiente completamente distinto. Uma tribo, ou grupo, ou indivíduo. Um micro-mundo.

Vejo casais e imagino se são irmãos, amantes, completos desconhecidos. Se discutem, papeiam ou simplesmente se olham estaticamente lembrando de quando se conheceram naquela tarde na Praça Sete e o quanto suas vidas mudaram até então.

Vejo pessoas sozinhas e me pego a pensar se estão solitárias, se foi por escolha, se estão plenamente satisfeitas com seu momento em que dominam o micro-mundo ao qual pertencem. Será que simplesmente assistem TV ou um vídeo no YouTube sem prestar atenção, pois se preocupam com o resultado daquela tomografia de anteontem.

Grupos sentados à mesa ou festejando na varanda. De fato festejam? Ou relembram um momento que não tem volta? Gostariam de estar ali ou é mera obrigação? Quais regras gerem aquele braço da sociedade? Quais as leis daquele micro-mundo? E sua cultura?

A população de cada micro-mundo, por suposição minha, na maior parte do tempo em que lá estão, ignoram a existência uns dos outros. Não lembram que há alguém andando sobre eles. Ou se sentindo abafado ao seu lado. Ou até mesmo gostariam de que esses mundos se chocassem.

Me lembro de um filme (o qual não me recordo o nome) em que as pessoas vivem em seus cômodos separados, mas nós, os espectadores, não enxergamos nenhuma parede. Quão lindo ou tenebroso pode se dar um fato ao lado de nossas próprias residências?

Em cada micro-mundo uma cultura, uma sociedade, um grupo. Em cada encontro um choque - ou a apatia. Em cada indivíduo um universo infinito.

Até onde desbravamos? E até onde permitimos sermos desbravados?

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