Projeto Dinamarca — Diário de bordo dia 4

Porque todos precisam de um “break”

> Leia aqui sobre o dia 3: https://goo.gl/7K72H3

Apesar da insistência do céu dinamarquês em permanecer acinzentado e o vento frio e arisco, a mudança de ares certamente faz muito bem para a vida de qualquer pessoa. Digo isso em via de mão-dupla: para mim a mudança de ambiente, clima, língua e cultura como um todo; já para meus anfitriões foi por meio da aparição de um completo estranho em sua rotina pré-estabelecida na qual o funcionário mais recente já está por aqui há mais de ano.

Panorama de Odense fotografado do Brandts

O dia começou como um regular acordar em quarto de hotel, com direito a banho quente para limpar a bagunça feita por Morfeu nos cantos dos olhos e um café da manhã de televisão com tudo montado sobre o buffet e uma diversidade encantadora de frutas, pães e queijos.

Após lançar-me de vez para a rua, variei o caminho para poder assimilar novas paisagens e parti para a primeira reunião do dia com a fascinante Leslie e seu temperamento “dinamabritânico”. Com ela passamos por alto as tarefas do dia, o funcionamento chave do calendário do museu e como todos tem participação na construção desse calendário — orientados por uma diretoria e seu conselho, o que me lembra da horizontalidade Gamelyst stile — e fechamos com um rápido tour pelas galerias do acervo permanente e da mega-exposição “The Dream of Flying”. Encerramos bem a tempo de meu primeiro encontro formal com o diretor do Brandts, Mads Damsbo.

Visão externa da galeria principal

Tendo assumido a diretoria do museu paralelamente à sua transformação pela fusão das três instituições diferentes e não correlacionadas, se mostrou um grande desafio colocar a casa em ordem e firmar a linha de raciocínio regende do Brandts. Segundo relatos do próprio Mads — que será entrevistado por esse quem vos fala na semana que vem — o primeiro objetivo foi determinar a missão e os valores junto à equipe inicial que dirigiria os demais funcionários originários de múltiplos e distintos ambientes de trabalho/estudo (Gamelyst…estamos no caminho certo!).

Em um mundo em que se existe a discussão entre os museus tradicionais e o seu desejo por se manterem em um nível elevado de qualidade expositiva, escolher um formato que possibilitaria o aumento de público e facilidade de acesso do mesmo à instituição museal foi um passo corajoso e vital para que o Brandts continuasse a existir em uma cidade pequena como Odense.

Programas de acessibilidade e geração de interesse no público — como um dia no mês em que os pais poderão levar os seus bebês ao museu para atividades como yoga e relaxamento — transformam o ambiente usualmente restrito do museu em um local de encontros da população e estimulam o interesse dessas pessoas, antes nenhum pouco curiosas por investir em programas culturais, a querer saber mais sobre as Artes Visuais e participar de um dos muitos workshops que a equipe de arte-educação do Brandts tem a oferecer por preços de custo e com professores e artistas convidados de toda a Europa.

Damsbo também comentou sobre uma situação muito presente na realidade belo-horizontina que é a existência de largas coleções em instituições museais de preservação de cultura compostas por doações e com pouco critério de seleção. Afinal de contas, qual a forma sensível de se recusar uma doação de uma obra de arte de alguém que se sente emocionalmente ligada ou até mesmo como um progenitor daquele trabalho em especial? Esse segundo passo tomado pelo diretor e sua equipe de seleção de critérios e bom acondicionamento do acervo existente para exibição ainda vai dar muito pano para a manga e produzir, com toda certeza, boas exposições por essas redondezas.

O almoço foi um mix de verduras locais e repolho regados a vinagre de vinho e pedações pecaminosos e mal passados de stake bovino (sem coentro!). Justamente o que precisava para restabelecer as energias e tirar uma tarde para um programa intensivo de fotografias e filmagens do museu e suas exposições.

Steak salad

Muito bem recebido pelo então completo corpo de funcionários que voltaram ao serviço após a segunda-feira de descanso, visitei cada espacinho do Brandts — com exceção à loja do museu, na qual ainda farei minha aparição. Muitas fotos e filmagens depois (o resultado disso você encontrará em meus outros textos paralelos: https://goo.gl/FQROFh), eu tinha uma dor nas costas e precisava urgentemente de um café com leite.

A noite de hoje era promissora…e cumpriu. No programa enviado a mim anteriormente não havia ficado claro o que seria esse hangout e eu estava em dúvida se era algo periódico ou mesmo uma celebração às exposições que serão inauguradas essa semana. Ele veio a ser algo planejamento especificamente por minha presença aqui e mobilizou praticamente toda a equipe a me guiar e acompanhar por um delicioso bar de queijos e vinhos e uma refeição ritualística de comida (dinamarquesamente) japonesa.

Porção especialmente preparada para mim como se eu fosse o aniversariante da noite =D

Tomamos vinho e provamos diversas variedades de sushi e aperitivos orientais com seus temperos e texturas características, acompanhados de um muito aromático e refrescante vinho branco.

A equipe se mostrou muito casual, prestativa e oriunda das mais diferentes origens — o que os torna ainda mais preocupados com o bem-estar de outlanders.

Selfie!

Dicas e curiosidades do dia:

  • Para os dinamarqueses passarem a ignorar completamente a existência da língua inglesa quando há alguém que não fala dinamarquês sentado à mesa seriam necessárias muito mais que duas garrafas de vinho.
  • Organização, missão, valores e equipe são necessários universalmente para o desenvolvimento de qualquer grupo, negócio ou relacionamento.
  • Se você quer visitar algum lugar da cidade ou experimentar os pratos típicos por aqui peça que algum morador local escreva exatamente o que você precisa procurar, pois é bastante improvável que consiga pronunciar esses nomes.
  • Para sair da rotina, querer é só o primeiro passo. Traga para ela algo de fora.

Boa noite meus queridos e até amanhã. Teremos provavelmente uma nova publicação dupla: diário do dia 5 e segunda parte das impressões sobre o Brandts. Enquanto aguardam, seguem mais fotos em primeira mão de coisas que ainda não foram escritas por aqui:

????
Biblioteca e museu de tipografia
Montagem de exposição
Entrada da galeria de acervo permanente
Ainda incerto sobre do que se trata…
parte do acervo permanente

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