Projeto Dinamarca — o Brandts — parte 1

Primeiras impressões sobre o museu e arredores

Desembarcar do trem em uma cidade como Odense — que é praticamente um museu de arte ao céu aberto — me deixou com a sensação ambígua e crescente de que tudo é tão novo e a todo momento que seria difícil deparar-se com algo ainda mais impactante.

Essa sensação perdurou por todo o bucólico e frio caminho de destino ao museu Brandts — uma estrutura grande e labiríntica que até 1977 foi uma fábrica de tecidos — cuja entrada principal é composta por uma enorme fachada mista entre tijolos avermelhados, concreto, metal e vidro transparente.

De frente para o museu há com complexo comercial muito delicado com pequenas lojas em que me imaginei esbarrando com algum tímido escritor inglês em discretas férias pela Dinamarca logo antes de apreciar um pequeno concerto de jazz experimental (ou quem sabe versões clássicas do Pop) no palco elegantemente projetado como parte da estrutura do Brandts.

Para se dar a volta por todo o entorno do edifício, mesmo desconsiderando-se as rajadas de vento primaveris, levam-se uns bons minutos dentre apreciações e fotografias amadoras — pelo menos quando a câmera se encontra em minhas mãos.

Aproveitando do privilégio de convidado, entrei pela porta dos fundos e me deparei com um ambiente moderno e iluminado, de clima agradável e leve em contraste com o peso histórico do exterior.

O edifício é dividido basicamente em dois prédios, sendo o primeiro e maior deles composto por quaro andares de galerias e um último andar de grandes ateliers. O menor dos prédios abriga a Administração e seus simpaticamente bem-humorados funcionários — que não têm o menor medo de trabalhar.

Passarela do 3º piso que da acesso ao prédio da Administração

Partindo do primeiro piso, temos a Brandts Butik (que podemos traduzir livremente como loja do museu). Ainda não explorei esse espaço e não tenho como relatar com detalhes, mas em breve comentarei sobre isso.

Subindo o primeiro lance de escadas — hábito que os dinamarqueses fazem tão ordinariamente que tomar o elevador soa pecaminoso — chegamos à primeira e maior galeria atualmente aberta para visitações. Falarei mais detalhadamente sobre a exposição “The Dream of Flying” em um novo adendo, mas, em síntese, é uma mistura muito bem temperada de arte, tecnologia e curiosidades sobre os diversos mundos figurativos e metafóricos do ato de voar.

Nesse mesmo andar encontramos o espaço família. Essa iniciativa de manter um espaço interativo dedicado prioritariamente a grupos de famílias que vêm com crianças para experienciar o ambiente museal cria um espaço de arte educação saudável e em estilo self-service, tendo em vista que o espaço conta com interatividades áudio visuais e é um complemento ao tema da exposição central.

Family space temático para a exposição “The Dream of Flying”

O segundo piso é o lar de duas galerias. Uma delas abriga o acervo permanente do museu com belos trabalhos de artistas visuais dinamarqueses desde o século XVIII até então. Na outra uma exposição individual está em fase de montagem e possui uma composição bem singular em que os espectadores apenas poderão apreciar as gigantescas pintura de um artista do interior da Dinamarca por meio de uma plataforma elevada cercada por grades de metal. Inclusive houve uma não tão pequena modificação de última hora que fez os montadores ficarem com os cabelos de pé: segundo os bombeiros é necessária uma rampa de acesso também pelo lado oposto da original para evitar acidentes graves em caso de incêndio.

Pintura a óleo da dinamarquesa Franciska Clausen, uma das percursoras do Construtivismo em seu país

Como um museu multifacetado formado pela fusão de três instituições há três anos atrás, a coleção permanente é razoavelmente extensa, mas possui um uma característica bastante recorrente em instituições de arte que aceitam doações: a redução considerável do número de obras por critério de qualidade.

Pois bem pessoal. Essa foi a primeira parte da divagação descritiva sobre o Brandts. Acompanhe os demais posts e fique por dentro das novidades e curiosidades desse local calorosamente gelado!

Um grande abraço e fotos!

Os pouco usados mas funcionais elevadores do Brandts
Sala de acervo permanente
Hall de acesso às escadarias

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