Quinto dia
“A vida terrena é muito curta para se viver infeliz”
Nestes últimos anos, a quantidade de sinais que recebi de que deveria aprender a meditar foram maiores do que posso contar, mesmo se eu tivesse boa memória. Decidi, então, baixar um aplicativo que me ajudaria nesta causa. O nome eu comento depois.
Eu o instalei no dia 13 de julho. Nele, tem um quadrado chamado “Básico-Introdução à meditação”, que é composto de 7 sessões. Cada sessão deve ser ouvida em sequência, e uma por dia. Pois bem, dei play na primeira sessão. O próprio desenvolvedor do aplicativo é quem narra as sessões, e a voz dele é incrivelmente serena e pacífica. Como um monge. Relaxei, segui as instruções e obtive sucesso em permanecer o tempo todo atento, embora não tenha conseguido resultado nenhum. Ele perguntava se eu estava me sentindo “mais calmo, mais relaxado”, e acabei foi debochando de mim. Mas segue o baile.
No segundo dia, já fui me sentando na minha cama e dei play na segunda sessão. Segui os passos bem direitinho, o cara me parabenizou pelo foco (agradeci rs) e quando dei por mim, a sessão já tinha terminado. E ainda assim, sem resultado nenhum.
No terceiro dia, eu não usei o aplicativo. A terceira sessão só seria baixada no quarto dia, pois o dia anterior tinha sido bastante conturbado e lotado (mentira, eu esqueci de usar mesmo), mas lá estava eu, concentradíssimo, como se eu estivesse em dia. Dei uma pequena risada quando ele me parabenizou por eu ter chegado ao terceiro dia, segui os passos que ele ensinou (inclusive ensinou uma técnica nova), e depois de 9 minutos, ele disse que me “esperava para o quarto dia”.
Há uma coisa que eu preciso contar: ele sempre menciona certas palavras que impactam mais sua mente, para que você entenda a mensagem que a meditação precisa levar (como, por exemplo: “respirar da forma mais amorosa possível”, ou “a vida terrena é muito curta para se viver infeliz”), e então, você já vai sacando a lógica da coisa e a faz antes mesmo dele lembrar a você. Vira automático.
A quarta sessão não seria realizada nem no quinto, nem no sexto dia, mas sim no décimo dia. Mas aí é que vem a graça da história: instintivamente, eu não deixei de praticar aquilo que foi me passado. De vez em quando eu ficava estressado e já começava a respirar “da forma mais amorosa possível”, e acabava me tranquilizando. Meu foco começou a melhorar. Coisas que eu não observava antes, começaram a surgir na minha frente. E os frutos da lição finalmente surgiram.
E foi aí que eu pensei: “por que o resultado precisa vir necessariamente após a ação?” Cada um tem seu tempo, e se a recompensa daqueles três dias só veio surgir dez dias depois, é porque este foi o tempo necessário para “fazer a digestão”, sabe? E acabou que isto me trouxe uma nova perspectiva para outras circunstâncias da vida, como não se culpar por não seguir o ritmo que lhe é imposto. Se você sente que aquele não é o seu momento e você deu tudo que você era capaz de dar, então pare, respire -da maneira mais amorosa possível- e recomece quando se sentir a vontade novamente. É libertador quando a dança se adéqua ao seu ritmo.
E por fim, 14 dias depois de ter baixado o aplicativo, após escrever este texto, vou enfim chegar no “quinto dia”. Claro que a minha expectativa é que eu volte a seguir à risca a sexta e a sétima sessão, mas se eu por acaso não seguir, não tem problema. O que importa é que hoje estou preparado para a quinta sessão, e vou absorvê-la da melhor forma possível. Se eu não estiver apto para escutar a sexta, pacientemente, e da forma mais amorosa possível, vou me preparando para tal momento, seja o momento que for.
Filipe Holanda
PS: O nome do aplicativo é “medite-se”, e como deu pra perceber, ele é incrível.