Peleja do dia: Chicago Bulls @ Los Angeles Clippers

O circo chegou, vamos todos até lá

Todo ano, por duas semanas, o United Center é tomado por elefantes, trapezistas, acrobatas, palhaços (às vezes dura a temporada inteira). A visita anual do circo Ringling Bros. força o Bulls a viajar por terras inóspitas. É um momento crucial no começo da temporada para o time e 15 dias depois as campanhas costumam estar piores do que começaram. Esta é a última vez que o United Center irá abrir espaço para o circo e os efeitos já começam a aparecer. Inesperadamente, Chicago venceu seus primeiros dois jogos contra Portland e Utah, respectivamente. A próxima parada é em Los Angeles para enfrentar os Clippers e, se 3–0 na viagem do circo é uma possibilidade, a razão para isso é a fase de Jimmy Butler.

Nos últimos 5 jogos, o ala está com médias de 28,6 pontos, 8,0 rebotes, 2,8 roubadas de bola e 5,8 assistências por jogo. Além disso, está arremessando 47,4% da linha de 3 pontos e batendo 10 lances livres por partida. Depois daquela história toda de 3 alfas, Butler fez o Romário e colocou o ataque de Chicago nas costas.

O time sai da frente e deixa Butler sozinho com um corta luz de Robin López.

Jogada fominha para o ala conseguir tentar um arremesso de meia distância. Butler tem acertado apenas 37,7% desse local da quadra, mas é importante acertar o suficiente para a defesa não se enterrar embaixo do garrafão.

O forte de Butler são as infiltrações no garrafão.

Quando seus arremessos, principalmente de 3 pontos, estão caindo, sobra mais espaço para manobrar no garrafão.

Uma mudança de velocidade no drible já pega a defesa hesitante e ele consegue encarar as torres de Utah.

Esse basquete sem muita imaginação se torna eficiente pela execução de Butler, mas é difícil de se manter eficiente nos playoffs (será que é cedo pra falar disso e já estou secando o time?).

Butler também sabe servir os companheiros. Nesse corta luz com Taj Gibson, a defesa fecha seu caminho pelo meio do garrafão.

Gibson dribla, pega o defensor no contrapé e o deixa na saudade.

Gibson está quase dentro da cesta e precisa só fazer uma deixadinha por cima dos 2,16 metros de Rudy Gobert. Moleza.

Mas os Clippers estão entre os dois melhores times da liga no momento — na imodesta opinião desse prancheteiro, Cavs é o primeiro e Clippers o segundo, atualmente. Enquanto Blazers e Jazz tem times jovens e ainda inconstantes nesses primeiros jogos, o Clippers já começou a liga latindo e mordendo. Uma das razões para a melhora do desempenho do time é o seu banco. Doc Rivers tem a criatividade como um de suas principais características como diretoria e só traz jogadores que já jogaram bem com ou contra ele ou são seus filhos: Austin Rivers, Luc Mbah Moute, Paul Pierce, Brandon Bass, Marreese Speights. Mas, olha só, esse método meio Luxemburgo parece que deu certo. O professor montou um banco (com Raymond Felton como armador reserva) que está em oitavo entre os melhores da liga, com 38,6 pontos por jogo. Entenda que dos sete times acima dos Clippers, apenas o Atlanta Hawks deve se garantir com tranquilidade nos playoffs — Denver Nuggets e Los Angeles Lakers, respectivamente sexto e primeiro na lista, sairiam no lucro caso se classificassem; o resto são Sixers, Nets, Bucks e Suns da vida, em que reserva joga muito tempo porque, afinal, qual a diferença?

Jamal Crawford com 11,2 pontos por jogo e Speights com 8,8 são os cestinhas entre os reservas do melhor time de Los Angeles. Contra os Kings, ontem à noite, Rivers buscava sempre começar as jogadas com uma ação no garrafão.

Rivers filho recebe um corta luz de Paul Pierce e parte pra receber a bola.

Essa ação costuma emendar num corta luz com Speights, que dá um clinch em Kosta Koufos na imagem acima.

A defesa impede essa movimentação, mas o Clippers recomeça a jogada.

Desta vez, Felton recebe o corta luz de Paul Pierce e parte pra receber a bola.

Agora, eles conseguem o corta luz com Speights que tanto queriam.

A defesa impede o passe e a bola volta pra Paul Pierce na linha de 3 pontos.

Mais um corta luz e Rivers recebe a bola com a defesa desarmada e consegue infiltrar no garrafão.

Speights fica livre e em posição para receber o passe de Rivers e finalizar a jogada.

Brilhou a mão do técnico para desenhar essa movimentação. Contra os reservas dos outros times, esse tipo de jogada que emenda uma ação na outra sem momentos de estagnação consegue desarmar todo o esquema. O Clippers é o terceiro time que menos sofre pontos na liga, são apenas 95,4 por jogo. Tem ainda o segundo melhor índice defensivo, permitindo 95,6 pontos a cada 100 posses de bola. É um muro estilo Donald Trump para o ataque de Chicago que anda puxado pela vontade de Jimmy Butler.