Peleja do dia: Toronto Raptors @ Cleveland Cavaliers

3 valem mais do que 2

Depois que Stephen Curry patenteou o arremesso de 3 pontos, toda a mídia, fãs e a galera que compra boné e camiseta da NBA só pensa no Golden State Warriors. Mas, se você automaticamente assume que no quesito bola de longe os irmãos chuá são os campeões do troféu Mão Santa, é melhor se acalmar um pouco. O Cleveland Cavaliers, possivelmente, é o time que melhor arremessa de 3 pontos na liga. Vamos olhar os números pra fazer o algoritmo fazer sentido. O Cavs está em segundo lugar em arremessos de 3 pontos por jogo: são 35,7 tentativas por jogo — só ficam atrás do Houston Rockets, com 36,2. Dessas, eles acertam 13,2 cestas de 3 por jogo — empatados com os Rockets. O aproveitamento de Cleveland é de 37,1% como um time. J.R. Smith, que não tem vergonha nenhuma de atirar uma bola na cesta, lidera o time com 8,3 tentativas de 3 pontos por jogo e 36,4% de acerto (ele está contundido para o jogo de hoje). A surpresa é Channing Frye em terceiro entre os jogadores de Cleveland com 6,1 tentativas em apenas 18 minutos em quadra por partida. A diferença é que Frye atinge o alvo em 48,8% das suas tentativas. Vindo do banco, Frye consegue uma média de 11,6 pontos por jogo — mais alta que a de Smith, com 10,5. É uma alternativa poderosa para Cleveland continuar ofensivamente equilibrado quando os titulares descansam e pra ter mais espaço no ataque em momentos decisivos.

Iman Shumpert traz a bola e deixa com Kevin Love no topo do garrafão.

Shumpert faz um corta luz para LeBron James que recebe com espaço no canto.

Veja o que é uma reforma agrária bem sucedida no campo de ataque. Tem muito espaço no garrafão graças aos bons arremessadores espalhados pela linha de 3 pontos.

LeBron arranca pela avenida e vai pra cesta. O pivô Roy Hibbert, que já estava fora de posição marcando Frye, arranca para tentar o bloqueio.

Nenhuma das escolhas é muito agradável: Hibbert poderia ter deixado James na marcação simples de Nicolas Batum; ou talvez Belinelli devesse ter feito a cobertura em Frye e deixado Richard Jefferson livre. Cleveland obtém o melhor resultado nessa rotação.

O adversário desta noite é o Toronto Raptors, time que o Cavs já bateu essa temporada no Canadá e que enfrentou na última final de conferência. Naquela ocasião, Bismack Byiombo se destacou vindo do banco e dando muito trabalho a Cleveland na defesa e nos rebotes. A saída do pivô para o Orlando Magic deixou um espaço no banco do Toronto e a solução pode ser brasileira. Lucas “Bebê” Nogueira fez seu melhor jogo pelo Raptors no sábado contra o New York Knicks — tanto que o treinador Dwane Casey decidiu terminar o jogo com ele entre os titulares. Bebê ainda está desenvolvendo seu jogo, mas começa a dominar uma habilidade básica para os pivôs.

Esse tipo de corta luz em que a marcação dupla impede a penetração do armador precisa de um pivô que seja uma ameaça num arremesso de fora ou num corte para infiltrar e finalizar próximo a cesta.

A defesa do Knicks não é das melhores, mas Kyle Lowry passa numa altura em que o marcador que está na sobra (Carmelo Anthony) tem poucas alternativas contra um Bebê de 2,13 metros.

Inspirado no vôo dessa criança, R. Kelly escreveu “I believe I can fly” (part. 2).

Mas pra ficar em quadra, Bebê tem que parar de brincar e tocar o terror na defesa. Ele já está de longe de olho em Carmelo. Fica mais fácil fazer isso quando se está marcando Joakim Noah, que não é uma ameaça a mais de um metro da cesta.

Não é a mamãe!

Foram 5 tocos na partida, com direito a esse em Derrick Rose que garantiu o bicho do time todo.

Bebê cresceu pra cima de Rose. Ele ainda é um jogador em formação, aprendendo seus primeiros passos na quadra, mas esse cabelo e essa camisa 92 já são bem style.