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Filipe Marcon
Aug 26, 2017 · 3 min read

Estou há um certo tempo procrastinando para vir até aqui escrever qualquer coisa sobre mim e minha vida; afim de tirar do peito algumas das angustias nebulosas que me assombram. E creio que só não o fiz antes pois me faltava coragem e, apesar de ainda não ter achado-a em cômodo algum da casa, cá estou eu, mesmo sem ela. Mesmo que tardiamente e sem qualquer pretensão de tornar isso um hábito, ainda que fosse ideal para trabalhar minha autocrítica e confrontar esse persistente sentimento de incompletude.
Prefiro não criar expectativas. Ao menos não agora, tão cedo.

Um dos exercícios importantes para que essas neuroses não assumam o comando do barco é: A não desistência de algo que se quer teve um início. Circunstância a qual -despretensiosamente, repito- batizo como ‘aborto das perspectivas’. Descrição implícita sobre as ideias natimortas que poderiam ver luz mas que não conseguiram sair de sua mortalha.

Estou procurando não me sabotar frente a um texto que muito provavelmente não será lido. Portanto, nem será apedrejado nem agraciado, o que ao meu ver é algo bom, como a minha velha política do copo meio cheio. Até porque, eu mesmo sou o meu maior obstáculo crítico. As traves dos olhos não me pertencem. Precisam sair dai. São décadas de pús infeccionado nas feridas da alma.

E por falar nisso, talvez seja interessante pensar na possibilidade de fazer destes textos algo mais curto e direto. Reduzindo significativamente a possibilidade de abandono. Agora mesmo, por exemplo, enquanto escrevo, vez ou outra paro pra olhar outras coisas nas minhas redes sociais ou algo assim. Bem como fazia nos tempos de escola, qd ainda não haviam smartphones, tampouco internet móvel. A diferença é que lá atrás eu arrumava outros jeitos de me distrair. Tal como rabiscar nas últimas páginas do meu caderno ou olhar discretamente alguma garota que eu tivesse uma queda. E eu sempre arrumava uma nova.
Permita-me voltar. O mais engraçado de tudo isso é querer me distrair em meio a algo importante que carece foco, enquanto que, qd estou entediado/desanimado, tenho todo o tempo do mundo pra me distrair, mas praticamente nada me mantém entretido. Quase nada ocupa essa mente inquietante de forma a fugir das neuroses. Quero dizer… por que os lapsos de distração não surgem quando estou no absoluto desanimo que me leva ao poço das angustias? Por que o que é importante “atrai” distração enquanto a dor se instala e nada a distrai?

Sem trabalho não há evolução. E sem evolução não tem aprendizado. E sem aprendizado, bem, sem aprendizado você vira um inútil vendo o tempo e esperando a morte chegar. E ela nunca chega.

Eu tenho uma teoria sobre a auto-sabotagem. Na minha opinião ela surge pela nossa falta de preparo em ver as coisas darem certo. A gente já se acostumou em esperar o pior, e entra em parafuso na eminência do sucesso. Afinal…. vá que dê tudo certo e a gente alcance reconhecimento profissional, relações promissoras e amores avassaladores, né? O que faríamos com o medo de perder tanta coisa importante? Melhor nem ter!

Reflexão sobre o quanto me acostumei as derrotas. Em quantos ‘sim’ eu disse enquanto quis dizer ‘não’. Ou, o quão conformista eu sempre fui em relação a merecimentos. Sempre preferi aceitar as chances da vida ao em vez de me cobrar se eu queria mesmo aquilo ou só estava fazendo pra não perder uma rara oportunidade. Lá estou eu, sempre colhendo migalhas.

Bem, por hora, me encerro por aqui. Farei esforços pra retornar.

Obrigado e parabéns por ter tentado.
Você é capaz, Filipe,

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