O que sinto

Filipe Marcon
Aug 26, 2017 · 2 min read

Quero escrever mil coisas que se passam na minha mente, mas não sou mais o cara inspirado de outrora. Tudo fica meio nebuloso, bem diferente de quando os pensamentos transbordam aquilo que já não cabe mais no peito. O vasilhame que transporta esses sentimentos escorre pelas beiradas. Pinga pela boca do recipiente e escorre por seu corpo. Um tremendo desperdício. Quando me dou conta, me distraí, e quase não sobrou mais nada na cabeça para se inspirar.
Será que o momento preciso entre a dor e o desejo são justamente o combustível da inspiração? Devo estar fazendo errado. Bem provavelmente.
Talvez eu deva me encorajar a anotar no mesmo instante. Ou gravar notas mentais, assim como fazia com meu livro, como nos velhos tempos, antes das falências criativas.

Divagando a respeito suspeito que é possível que a falta de inspiração que um dia já tive talvez se deva justamente pela falta de um amor.
Falo no singular mas, na realidade, me refiro tanto aos amores pelas mulheres que deixei entrar no meu coração, como em relação a minha plena potência de ama-las quando era mais novo.

Eu era como um tanque de guerra rumo a base aliada para salvar estivesse correndo perigo, com a escotilha levantada e meio corpo pra fora, atirando os mais altos calibres de intensidade. Fuzilando os olhos intensos que cruzavam os meus. E pra que tudo isso, se bastava ficar dentro do tanque atirando o chumbo grosso? Bem, provavelmente por que eu era inconsequente em minha entrega de peito aberto. Cauteloso onde não precisava e impetuoso onde não deveria. Foram anos para entender isso. Contudo, parece que não serviu de muita coisa a não ser entender na tese, já que a prática de hoje é de longe bem diferente da do jovem Filipe, aquele romântico incurável.

Tantos anos se passaram mas eu nunca consegui me livrar de tantos sentimentos. A luta de hoje tem resinificado tudo. Entretanto, sem nenhuma graça. Droga, me lembrei de Não Vá Emborada Marisa Monte. =\
Essa música acaba comigo. Ao menos significa que não estou completamente morto por dentro.

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    Filipe Marcon

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