Curtas histórias sem graça do IFSC

Ah, o ensino médio, essa fase controversa da vida. No sábado fez cinco anos que eu me formei e ontem o IFSC de São José fez aniversário. Então resolvi escrever essas historinhas, mesmo eu tendo planejado escrever algo mais sério nessa conta.

Ah, a formatura. Essa ai na frente é a Mônica, mas tudo bem postar pois ela está bem na foto. Já eu não apareço, graças a deus.

A primeira vez que eu ouvi falar do CEFET foi numa placa da estrada na BR, e logo depois, numa notícia do Jornal do Almoço. A notícia era sobre alguém ter levado uma bala perdida no campo de atletismo da Mauro Ramos.

Depois desse acontecimento foi bem fácil convencer os pais a fazer a prova. Escola segura. Ironicamente nunca ouvi falar de outros problemas do tipo. Mas na real eles só se preocuparam na hora mesmo.

No caso eu e um outro amigo meu, o Cristian, queríamos fazer a prova. Nossas pesquisas no Google Imagens indicavam esse prédio, com um enorme letreiro na frente, onde cabia o grande nome completo do lugar. Ele não passou, mas deu tudo certo. Hoje em dia faz direito na UFSC.

Pega essa janela em fita. Lá no fundo tem o campo de atletismo com futebol, um dos poucos que sobraram no centro. Seria uma pena se fizessem algo com ele.

Um dia a professora falou pra turma sobre a existência do CEFET. Ela mencionou a estrutura, possibilidades de futuro, etc. Não lembro dela ter falado que o ensino médio integrado ao ensino técnico durava um ano a mais.

Bom, isso convenceu a turma e fomos de ônibus até lá. Foi um passeio meio chato. Levei anos pra voltar a Mauro Ramos.

Nesse dia que eu fui visitar o CEFET eu posso ter passado pelo jovem Ruchaud pelos corredores. Do outro lado do morro, o Pezzoni já estava na ARQ.

Quando visitamos o CEFET essa entrada nova estava sendo construida (ainda dá de ver o letreiro no fundo). Mesmo com a mudança de nome, cor e status, eles pintaram ela da cor antiga. Que erro.

Logo fiquei sabendo que pela mesma prova eu podia estudar em São José, evitando uma viagem de ônibus até o centro e melhor ainda — não precisaria fazer um curso técnico. Não foi uma escolha muito difícil. Nada na Mauro Ramos me interessou. Edificações, porque eu ia querer isso pra minha vida? [risos nervosos]

A prova do CEFET foi a primeira vez que eu fui a UFSC na vida. Quem diria.

No dia da prova lembro de alguém recitando a fórmula de Bhaskara repetidas vezes. Será que essa pessoa passou?

Bom, eu passei. E bem, só errei duas ou três. Fiquei num dos primeiros lugares. Podia ter entrado em qualquer curso do centro, acho. Nem parece que alguns anos depois eu passaria pra UFSC com a nota de corte. Que decadência. Mas é como dizem, não importa se entrou primeiro ou por último.

No primeiro dia de aula descobri que a escola mudou de nome e agora eu estudaria num campus. Cool.

Infelizmente todo mundo que era alguma autoridade no IFSC achava que a sigla era IF-SC nos primeiros um ou dois anos. Foi um duro trabalho coletivo de convencimento.

Ainda por cima as cores do IFSC não tinham absolutamente nada a ver com as do CEFET. Dai tudo ficava meio azul, meio verde. Ou no caso de SJ, detalhes azuis ou verdes entre tijolos.

É bem estranho considerar os campus do IFSC quando sua única referência de campus é o da UFSC, que é enorme. E nem é tão grande perto de outros.

Era também bem chato explicar qual colégio era:

— é o IFSC — IFSC? Não conheço. — O antigo CEFET. — Não… — Escola Técnica. — ah, tá.
Na próxima vou falar direto Escola Técnica.
— Escola Técnica? Ué, não tinha virado CEFET? — é, na verdade agora é IFSC…
Na próxima vou dizer “antigo CEFET”

E assim se repetia inúmeras vezes.

O Campus São José é bem esquisito. Não se parece com o da Mauro Ramos, ou com os novos que parecem todos iguais. Ele é todo feito de tijolos maciços, os famosos tijolinhos a vista de churrasqueira. A frente dele é dominada pelo volume da biblioteca em balanço. Parece que ele vai virar um megazord a qualquer momento.

Além disso, ele tá de trás pra frente: inicialmente a entrada era por onde hoje são os fundos. E mesmo com tudo isso a planta dele faz mais sentido que a da Mauro Ramos (ou, oficialmente, Campus Florianópolis).

A fachada frontal que antes era os fundos.

Ele fica escondido atrás do Hospital Regional, de uma maneira que da biblioteca é possível ver boa parte da cidade e o contrário não acontece.

A entrada que boa parte dos alunos usava era uma rua pequena que parecia a evolução de um beco enquanto que do outro lado o colégio quase ignorava uma enorme rua aberta pra ele.

Isso acabou recentemente, até colocaram um ponto de ônibus, como mostra o Google Street View.

Sempre que eu achava longe ou chato chegar ao IFSC lembrava de colegas que moravam em Santo Amaro e no Rio Vermelho. Coragem.

Em Valença, na Bahia, existe um campus do IFBA que é digamos muito similar ao de São José.

Esse é o da Bahia.

No terceiro dia de aula deu uma chuva forte o suficiente pra derrubar uma das árvores do colégio. Um dos coqueiros, que até nisso é igual o campus de Valença.

Num dos últimos dias, deu uma chuva forte o suficiente pra nossa sala alagar tal qual a água entrando nas cabines do Titanic. Foi engraçado. A chuva abriu e fechou a era do IFSC.

Um dos nossos professores era irmão do ex-árbitro Gaciba, e um dos primeiros comentários dele na sala foi que a mãe dele era muito querida.

Durante os três anos aconteceu o aniversário de 100 anos da escola, o que era bem estranho pois o IFSC tinha surgido em 2009.

A transição também veio na internet, já que no inicio todos estavam no Orkut, em 2010 todos estavam atrás do novo Orkut, e no fim de 2011 o Facebook já tinha dominado. Eu mesmo nunca tive Orkut, e só fiz o Facebook depois do Vestibular.

Depois que nós entramos todas as turmas passaram a ser de cursos integrados tal qual o IFSC do Centro.

Uma vez descobriram que havia um falso aluno no colégio. Ele provavelmente estava vendendo drogas. Ou buscando conhecimento. Depois falam da UFSC.

Eu achava o mini-auditório ruim, dai eu conheci o da ARQ.

Uma vez houve um festival de música e uma das bandas veio da Mauro Ramos. Pelo que a vocalista explicou, eles não pensaram num nome, e por isso colocaram na inscrição o nome da banda que eles iam tocar: Led Zeppelin.

Assim, recebemos a visita dessa grande banda no nosso colégio. Eles tocaram Stairway to Heaven. Muito bem, até. E a vocalista veio pra ARQ um semestre depois de mim.

No ano do vestibular houve uma grande greve na rede estadual, o que na minha opinião deixaria muitos alunos fora da batalha pelas vagas. Mas claro que o IFSC fez a sua própria greve logo depois.

Nessa greve quase que eu fui acompanhar a assembleia na Mauro Ramos, mas sempre achei muito empenho ir até lá. Devia ter tentado aprender violino nessa época.

Aliás, depois de pintar tudo de verde e branco e construir uns prédios novos alguém pensou que seria legal colocar as quadras desaparecidas no lugar do campo de futebol da Mauro Ramos. Cada ideia.

No final, resolvi fazer o Vestibular do IFSC, uma semana antes do da UFSC. Foi bem engraçado, já que era na mesma escola que eu já estudava. A minha prova foi feita na sala que era uma das turmas do integrado. Pareceu quase mais um dia de aula.

Eu prestei pra Gestão da Tecnologia da Informação. Passei em segunda chamada, mas a UFSC já tinha me chamado. Eu ia odiar e provavelmente ir pra design. E já teria me formado.

Se eu tivesse passado pelo SiSU pra Engenharia de Telecomunicações — bastava ter me candidatado — também já teria formado.

Acho que eu já teria me formado em qualquer curso, na real. Obrigado ARQ.

Com a greve tivemos “aulas” no fim de janeiro e início de fevereiro. Isso foi logo antes da matrícula na UFSC. Foi mais pra rever os amigos e descobrir pra onde eles iriam na sequência. Achei até engraçado. Era tipo ir pra aula sem ir pra aula, só pra ficar matando o tempo.

A turma que entrou no ano seguinte ao meu foi a primeira do integrado de SJ. Assim, eles levaram mais dois anos depois da nossa formatura pra poder sair. E eles provavelmente se formam na UFSC antes de mim. Obrigado ARQ.

Havia uma disciplina que se chamava Relações Humanas. O professor era bom, mas sempre achei a disciplina dispensável. Hoje, só pelo nome, imagino que todos deveriam cursa-la.

Inclusive o professor dessa disciplina fez o doutorado orientado pela Vera Helena, da ARQ. Era sobre privatização de parques. Eu assisti a banca. Que crossover.

O IFSC da Mauro Ramos até hoje usa carteirinhas de papel, enquanto SJ já usa as de plástico a anos. Quando eu me matriculei no Centro eu questionei isso ( “vocês ainda usam papel”) e claro, a secretária riu bastante dessa ideia.

Ah, pois é. Eu acabei voltando ao IFSC do Centro em 2016 pra cursar violino. Achei que ia dar conta, junto com a arquitetura. Que erro. Pelo menos ganhei um DVD da Orquestra.

Existem IFs que tem curso de arquitetura, o que pra mim é bem esquisito.

Boa parte da minha turma veio pra UFSC. O Felipe, por exemplo, era da minha turma e entrou um semestre antes na arquitetura também. Ele também não se formou ainda. Obrigado, ARQ.

Pelo menos vai ter uma FantasiARQ com esse tema

Um deles, que eu nunca mais falei depois do fim do ensino médio, foi o responsável por esse momento ai de 2014 na nossa gloriosa federal. Ele é quem tá na foto.

Esse dia foi louco.

Nosso ano também foi o que foi o melhor resultado do ENEM no estado.

Aliás, a quantidade de pessoas que veio de Institutos Federais é enorme. Na minha turma, acho que 1/5. E não param de chegar, de vez em quando eu falo com alguém e veio de algum IF (geralmente do Centro, nunca mais vi gente de SJ depois do meu ano. Provavelmente escolheram carreiras menos desgastantes). Imagina se a rede federal recebesse todo o dinheiro que merece.

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