Alckmin corta a cabeça de Herman, mas estudantes não se deixam enganar

Foto: A2 Fotografia / Milton Michida

Na rua da Consolação, uma chuva de bombas caia sobre os estudantes que desciam da Avenida Paulista em direção ao centro. No Morumbi, Alckmin anuncia que “suspendeu” a reestruturação e, logo depois, cortou a cabeça do Secretário da Educação.

Não há muita diferença entre a anunciada suspensão e a queda de Herman Voorwald e a saraivada de bombas contra os estudantes. “É guerra”, deixou claro o chefe do gabinete do ex-secretário no domingo. Informação é tão (senão mais) nociva do que as bombas.

Uma coisa aprendi como bancário: o que não está escrito não existe. Alckmin falou sobre suspensão — alguém viu no Diário Oficial uma revogação ao Decreto 61.672/2015 que abre as portas para o fechamento das escolas? A Folha disse que sai amanhã, e eu só acredito vendo com olhos bem abertos à forma como será redigida.

Uma coisa é certa: tanto a guerra de informação quanto o aumento da repressão mostram que o governo está acuado e que a luta está forte. Se no domingo nem passava pela cabeça do governador voltar atrás, ainda citando o chefe de gabinete do Secretário da Educação, e mesmo com a declaração de guerra os estudantes não esmoreceram, talvez seja hora de começar a passar pela cabeça dele que está para perder a guerra.

Os estudantes em luta são protagonistas de um momento histórico e são um exemplo para todos, em especial em um momento onde uma parcela descontente com o resultado das eleições tenta fazer legítima seu movimento pela subversão da democracia.

Mesmo com a estratégia populista recém-adotada pelo Governador a luta continua. Isso é prova de que os estudantes estão mais preparados do que o lado de lá imagina e nem bombas nem falácias vão fazê-los desistir.