O tratado de “não tretamento” vai mudar a sua vida

Fillipe Dornelas
Nov 3 · 6 min read

Veja como eu resolvi tomar essa atitude e melhorei muito as situações

Se você já leu algo que escrevi, sabe que eu sou bastante daqueles que escreve o que vive. Sendo assim, este artigo é mais um daqueles onde houve uma experiência pessoal seguida de uma tomada de atitude que gerou algum aprendizado, então resolvi contar aqui.

“Não tretamento”

O disposição para tomar a decisão de evitar conflitos, tretas, desgastes emocionais ou qualquer coisa que te leve a perder amigos, contatos, negócios… o emprego, o casamento, etc…

Se você é daquelas pessoas que só lê a cabecinha, pode ir, o resumo é só isso mesmo. Agora, se ficar, verá relatos de experiências pessoais minhas que me motivaram a criar esse tratado comigo mesmo.

Fazendo amigos

Tenho uma grande facilidade em fazê-los, sou carioca, nascido em Niterói e criado em São Gonçalo, comecei profissionalmente quando lá aos 8 anos vendia “ferro velho” e tinha que revirar lixo atrás de cobre, alumínio, antimônio, metal, etc…

Ao mesmo passo que sempre fiz muitos amigos, cheguei em momentos a ser bastante incisivo nas minhas posições, as vezes mesmo sem intenção, mas meus momentos de fala soavam hostis, grosseiros, desrespeitosos. E está aí uma das maiores causas de “treta”. Quando você defende uma posição, tente não deixar com um tom forte demais. Ninguém gosta de ser contrariado ou de saber que as próprias posições não são tão corretas quanto a sua, portanto, se você expressa uma defesa de opinião forte, incisiva demais, acabará criando uma barreira que pode terminar em situações diversas como as citadas acima.

O tratado de “não tretamento” pode ter diversos nomes, você pode inclusive encontrar algum outro nome que faça sentido na sua cabeça. Apenas entendendo que ele se baseia em tomar atitudes que evitam perder oportunidades por falta de jeito ao agir.

Criando oportunidades

Pense que hoje você tem a chance de ter sucesso nas suas iniciativas, nos projetos do seu time, nas argumentações.

Uma imagem com o texto “lado a” e “lado b”, ambos separados.

Agora pense que a situação chegou a um ponto de discordância onde o outro lado tem a maior voz (talvez,não a maior razão). Este lado pode ser o seu chefe, cônjuge, etc… e a situação está por um fio de uma decisão e sua próxima argumentação pode mudar tudo.

Eis que então, no lugar de ter inteligência emocional através de um comportamento pacífico, exercício de autocrítica e clareza argumentativa, as palavras saem como: “você estão todos errados”, “isso é extremamente inaceitável da parte de vocês”, e até “que coisa horrível, seu #$@!”.

Será que agindo desta maneira, a pessoa teria conseguido mudar a situação? Teria ela conseguido demonstrar que realmente o outro lado estava errado e que a decisão melhor poderia ser aplicada de outra maneira?
Bom… por muitas vezes eu fui ou conheci essa pessoa, e no meu caso nunca deu certo reagir assim. Comportamentos reativos nunca são bem aceitos.

Mas tem algo ainda maior que você deixou passar: eu te levei a acreditar em dois lados, quando na verdade só existe um lado.

Só existe um lado

Barreiras são criadas quando, no exercício de agir, algumas das atitudes acima acontecem na ocasião. Quando falta entendimento da situação, delicadeza e suavidade para argumentar… neste momento transborda a reatividade e o peso de uma mente sobrecarregada de informação. Com isso, cria-se uma barreira, levanta-se um muro, fecha-se a ponte da amizade, bloqueia-se arco do triunfo e o cristo fica até de braços cruzados, porque sempre que deixa-se de tentar entender o outro lado, saber por qual motivo há o posicionamento atual, quais razões motivam a atual ideologia ou atitude, para somente querer expressar o próprio pensamento, falta algo que pode ser um dos significados de: EMPATIA.

uma trilha no meio de uma floresta muito bonita com o sol aparecendo ao fundo

Quando você tenta entender o outro lado, talvez o posicionamento lá faça mais sentido, talvez você entenda o que os levou a pensar daquela maneira, talvez até, você veja que realmente é o melhor posicionamento e que quem não tinha razão, era você. Nesse campo de tanto “talvez”, é bom dar o benefício da dúvida — isso não quer dizer abdicar do seu próprio posicionamento — e tentar compreender o outros, para deste ponto de partida, começar a tentar tomar alguma atitude. Isso acaba com qualquer barreira, faz as pessoas se desarmarem, tira o elefante que separava os dois lados de enxergarem os pontos em comum e juntos acharem a solução para então ambos perceberem que sempre só existe um lado, o nosso lado.

O fim ou o meio

Nem sempre é fácil conseguir entender o outro lado, nem sempre depende só de você, nem todo mudo tem inteligência emocional para sequer abrir espaço para alguém entendê-lo, nesses casos eu sempre travo e isso resulta em perdas de amizades, negócios, etc… entre desligamentos e ter visto a falência de duas Startups que trabalhei, sempre percebi que um dos lados não soube escutar o outro, então um dos maiores pedidos e aprendizados eu poderia compartilhar com você é: tenha paciência com quem não sabe se comunicar muito bem ainda, é uma limitação daquela pessoa e foi a minha por muito tempo (raramente ainda é por aqui), é um processo e por levar alguma tempo e mesmo por ser incisiva, talvez aquela pessoa tenha algo muito importante a dizer e que pode mudar tudo.

Empatia é uma via de mão dupla.

Considerações finais

pratos sendo equilibrados em palitos com a frase: “quantos pratos você está equilibrando?”

Hoje por ser muito fácil para você compreender tudo o que está escrito aqui, talvez você saiba até muito mais do que eu nesse aspecto, sua vivência pode ter te mostrado com clareza as situações e a vida pode ter te preparado com muito mais facilidade para estes momentos. Comigo foi na tentativa e erro mesmo. Hoje, aqui no meu apartamento escrevo isso tomando um vinho, vou daqui a pouco tomar um bom banho e ler algo, dormir e encarar uma ótima semana no meu emprego. Hoje, consigo ver a situação com mais clareza, mas antigamente quando precisava pegar entre 1 a 3 horas de ônibus para chegar no trabalho, mas quando era Fofura com Guaravita essa clareza ficou para um outro momento, pois eram muito pratos a equilibrar. Portanto, essa pessoa que talvez hoje para você seja muito difícil de conviver, pode estar equilibrando muitos pratos e o ato de você tentar compreendê-la é como pegar uns pratos dela e tentar equilibrar junto.

Tenha paciência nas situações, respire, se conheça. Saber das suas limitações é um passo para evoluir. Ninguém muda se não souber o que ou onde precisa mudar. Fica mais fácil quando quem está ao redor apoia, ajuda, caminha junto. Lembre-se, só tem um lado. Estamos todos nele.

O tratado de não tretamento, antes de ser feito com alguém, tem que ser feito com você mesmo. De você para você. Tem que ser uma decisão: eu vou tentar não ser incisivo, eu vou tentar agir pacificamente e eu vou tentar não agir explosivamente. E se não entenderem mesmo eu tentando assim, eu vou também tentar compreender e agir da melhor maneira possível.

uma imagem dizer: ei, você! comenta aqui!

Se você se identificou de alguma maneira e acredita que este artigo tenha lhe ajudado, eu te peço uma coisa simples: comenta aqui ou onde você viu, comenta com quem te mandou, compartilha na sua rede indiretamente e deixa ele chegar em quem precisa ler isso. Quem sabe seja o start para a mudança daquele chefe para uma liderança mais aberta? E se for para um membro de uma equipe? Um pai? Seguimos em constante mudança e ficaria muito feliz saber que ajudei a vida de ao menos uma pessoa com esse texto.

Livros recomendados:

Como fazer amigos e influenciar pessoas
Comunicação não violenta
Biografia de Bill Clinton (não li, o primeiro livro recomenda por esse motivo)

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