Como uma não-muito-apreciadora de coming ages recentes, mas muito-apreciadora de filmes com grupos de crianças fazendo coisas, comecei Good Boys esperando gostar mas pronta para não gostar.
Foi uma felicidade quando o primeiro sorrisinho saiu e eu percebi que já havia gostado.
O grupo de garotos deslocados e que definitivamente não é parte das “cool kids”, é um fator de gostabilidade imediato.
O líder (Jacob Tremblay), o que fala demais (Brady Noon) e o certinho (Keith L. Williams). Três personalidades distintas mas que se completam perfeitamente e que ganham ainda mais pela química que os três meninos têm.
O plot é simples, mas bem executado. Nos primeiros minutos, a introdução aos garotos é feita, a empatia é criada, pronto. Ficam estabelecidos o problema e o objetivo e o espectador quer ver o caminho percorrido.
A trilha sonora faz parte da história, não parece ter sido colocada lá, os acontecimentos e música andam juntos, gostando ou não do gênero escolhido, ele é o que ajuda e consegue transportar quem assiste para aquele universo.
O primeiro ato tem tudo: é sagaz, fluido, interessante e, acima de tudo, bastante engraçado.
As piadas funcionam e o grande segredo disso é a verossimilhança, meninos de 12 anos diriam aquilo, meninos de 12 anos fariam aqueles comentários sobre sexo, bebidas e drogas, e meninos de 12 anos agiriam daquela forma exagerada.
O filme não tem medo ou sente-se intimidado em tratar de assuntos “não-infantis” através da visão de crianças, na realidade, trata isso de forma descontraída e divertida. E em momento algum fica constrangedor (embora, com outra abordagem, pudesse).
Os primeiros dois atos seguem num ritmo cheio de gás para, no terceiro, sofrer um pouco de falta de ar. Não fica ruim, o que funcionava antes ainda funciona, mas os novos elementos parecem cansados e sem espaço. Ainda assim, nada que tire o interesse ou reduza a qualidade de tudo que veio antes.
O núcleo adolescente, formado por Molly Gordon e Midori Francis, embora a princípio pareça que vai atrapalhar, acaba sendo parte essencial da trama e, em certo momento, é fácil se flagrar torcendo pelas garotas.
O jeito como Good Boys retrata a pré-adolescencia é palpável, engraçado e espertinho. A rapidez com que as coisas acontecem e mudam nessa idade estão todas ali, junto com a melancolia dos adolescentes mais velhos ao olhar as crianças e perceber que o tempo passa rápido.
É um futuro queridinho da sessão da tarde (no melhor sentido) e imediato comfort movie. Merece ser visto e revisto.
