A média

Cena do documentário: La pazza della porta accanto: Conversazione con Alda Merini.

Um dia me percebi mais inteligente que a média, daí um tempo depois descobri que a média era eu mesma, de referência havia eu mesma em um passado onde nunca me elogiaram ou incentivaram para a inteligência.

Quando me percebi capaz e perceptiva, atenta e esperta foi um susto, ainda é um susto. Depois por um tempo me ressenti por não ter estudado mais, por todas oportunidades de aprendizado perdidas, o tempo que não volta.

Entanto, hoje aceito meu determinismo que envolvem outras heranças familiares, como pais que nasceram em famílias pobres e já superaram em estudos os seus ancestrais e talvez por isso, não exigiram o mesmo de mim.

Minhas lembranças de infância contém muito mais incentivos como: seja bonita, do que seja inteligente. Parece que até hoje com tanta idade preciso afirmar pros familiares: olha eu entendi, olha eu sei, olha eu não sou esse estigma de desatenta e perdida.

A média é socialmente construída, sendo mulher fui criada e incentivada para ser bonita, pra arrumar um marido, não me desejaram na minha intelectualidade, eu não esperava isso de mim mesma, nem eu e nem meu ambiente.

Romper um determinismo é ser absurdo.

Sou absurdo.

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