Amor e Poder
Diálogo com Riva por WhatsApp
[12/2 19:16] Paola: Infelizmente a associação entre amor e poder é ancestral, quem fala mal do amor padece de confusão de valores. A gente não teme o amor, a gente teme o poder e em alguma medida somos, fomos e seremos vítimas e algozes do exercício de poder.
[12/2 21:16] Riva: Todas frustrações que já vivi, sejam unilaterais minhas, bilaterais, ou unilaterais da outra pessoa, sinto que se eu reflito sobre a causa eu encontro sempre algum conflito de poder. Alguém esperando algo de outro. Alguém querendo que o outro seja algo específico. E a inevitável sensação de obrigação que nesse caso acompanha qualquer tentativa de harmonizar. Obrigação de ser algo específico que foi decidido por outra pessoa. Tudo isso é claramente questão de poder, sem dúvida. Não dá para praticar autopoiesis e autodescoberta sem permitir que o ser se autodefina e se autoexplore, mas essa autonomia não é permitida no conceito convencional de casal, porque neste conceito cada um delega parte de si para o outro. O que era inteiro passa a ser só metade, para sustentar o pacto de dependência mútua. E acho que esse pacto faz sucesso porque 1) a maioria das pessoas já se sente dolorosamente incompleta e um pacto assim aparece como uma esperança e 2) a maioria das pessoas tem um desejo oculto de poder, compensatório da insegurança, e esse pacto acena com a possibilidade de exercer poder sobre alguém, talvez pelo menos 50% do tempo.