Escrever como se fala

Eu queria escrever bem. Juro.
Acho presunçoso demais qualquer pessoa dizer que escreve bem, mas acredito convictamente de que eu não estou sendo modesta. Eu não tenho um estilo, não tenho técnica, nem poder de persuasão na escrita, enfim escrevo como qualquer pessoa poderia escrever. Eu só não sei escrever bem, e posso conviver tranquilamente com isso.
As vezes, enquanto leio textos maravilhosos escritos por Martha Medeiros ou Rubem Alves penso com certa prepotência: O que me faz diferente?

Falta de treino? Talvez.
Falta de técnica? Talvez.
Ou simplesmente falta de talento.

Bom, mesmo que fosse esse o motivo, ainda sinto que falta alguma coisa, sei lá, uma certa ousadia da minha parte ainda não desabrochou por minhas palavras escritas.

Comentando esse descontentamento com a minha namorada, com uma pitada de drama-cômico-pseudo-filosófico da minha parte, no qual ela já está infinitamente acostumada a ouvir, com um sorriso no rosto sugeriu:

— Por que você não escreve como você fala?

Dei de ombros inicialmente, mas depois pensei que pudesse ser, no mínimo divertido tentar.

Primeiro que eu sou péssima em concordância, mas percebi que as pessoa tudo são assim, segundo que eu falo gíria pra caralho e palavrão também, terceiro que faço piada com qualquer coisa e qualquer pessoa sem medo de perder a amizade, os amigo de verdade entende. Sem contar o humor negro (desculpa, afrodescendente eu quis dizer).

Se eu fosse começar a escrever como eu falo, com certeza eu seria bem eclética nos assuntos, não que isso faria algum sentido pra quem lê.

Escrever como eu falo é tipo sentar de pernas abertas na sala da sogra: não ter modos.

Não sei se essa porra daria muito certo.