every summer sun every winter evening every spring to come every autumn leaving

Ana C. Cesar

todo futuro uma profecia
todo passado
esquecimento ou nostalgia
todo presente 
esvaindo-se
esvaindo-se

todos os ventos sao como um beijo
todos os anos 
sao um castigo ou conhecimento
todos os momentos dispersam como nevoa
tudo foi senao pó
tudo é senao pó
tudo sera pó
lembra-te disto, amor

toda luz que o caminho vela
a mesma luz que cega
todas as ondas escalando a costa
todas as ondas por anos moldando-a
a costa 
silente resiste
as ondas que a tortura
as ondas que a destroi
sao as mesmas que a renova

esse nada que afaga 
o mar em seu profundo
abriga
todas as respostas
todas as perguntas
todas as lacunas
o mar em silencio
o mar em tormenta
refugio
redençao
ou fuga

todo ceu que parece o mesmo
o mesmo ceu de sempre
para o afeto 
para a dor
todas as estrelas sem nome
todas as solitarias estrelas
queimando tao vivas 
anos luz umas das outras
as vezes nao
as vezes tao perto
esperando 
esperando
na mesma imensidao

todas as nuvens que desaparecem
num dia de sol ardente
todas as nuvens que retornam
e retornam
e retornam
quando vem a tempestade

todas as noites em claro
todos os dias a rotina
as tardes tendem ao tedio
e tudo segue o seu caminho

somente o tempo restara
o mesmo tempo 
e novamente
a vida uma roda gigante 
em infinito movimento
minuscula no universo
o quao banais
e improficuos
tornam-se esses versos

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