A coragem de ser imperfeito.

O ambiente externo impacta completamente nosso modo de viver e de se comportar. Em boa parte do tempo tentamos estar alinhados, ser compatíveis ou estar em busca do que o ambiente externo configura como modelo ideal.

Currículos, avaliações de performance, não quebrar sob pressão, etc. São tantos critérios que definem o sucesso, que as pessoas são configuradas em listas. A lista de como devo fazer uma reunião, de como devo me comportar diante dos sócios da empresa ou do chefe, de como você deve acordar e dormir, de como você pode parecer mais sério e frio para que as pessoas pensem que você é poderoso e lista de até como parecer ser mais inteligente.

Esse contexto tornou-se tão frio e tão ríspido que ouso dizer que já nos tornamos robôs ou, ao menos, tentamos simulá-los em termos de eficiência, produção, resultados, etc., quando o que diferencia cada ser humano é a capacidade de conectar-se com os outros, de olhar no olho, de dar um abraço no colega que acabou de perder o emprego ou apenas estar ali para conversar a respeito do assunto.

A coragem de ser imperfeito, na minha visão, estabelece um poder de conquista muito maior do que a busca paranoica pelo modelo exato/perfeito.

Isto acontece pelo fato de você aceitar. Simples assim. A aceitação nos coloca no momento presente e nos faz olhar de forma muito mais clara para a situação que estamos vivendo. Seja qual for o problema que você esteja passando, aceitar que ele é seu, que você produziu ele e que nem sempre você vai acertar é o caminho perfeito para resolvê-lo.

Tive a oportunidade de trabalhar junto com o Fred Gelli. Para quem não o conhece, o Fred é certamente um dos melhores designers do Brasil e do mundo. Ele baseia todo o trabalho da Tátil Design, sua agência e responsável pelo logo das Olimpíadas Rio 2016, na biomimética, que é basicamente a inteligência única da natureza, como ela se comporta, etc. Nesse contexto, a natureza nos proporciona cases perfeitos de como a imperfeição se torna perfeição para um determinado ser.

Ser imperfeito é estar sempre evoluindo. Aceite e aja!