Por que o MEC não deveria ter nunca posto aquele tema

Anteontem e ontem (24 e 25/10) foram dias de ENEM e quase 8 milhões de brasileiros fizeram as provas. Entre eles, contamos homens, mulheres, cristãos, ateus, muçulmanos, negros, brancos, idosos, jovens. É um exame universal, sem público-alvo definido.

Ontem, os candidatos fizeram as provas de português, matemática e redação. Na de redação, tiveram que discorrer, em 30 linhas, sobre a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira.

Primeiramente, deixe-me te bombardear de dados e análises estatísticas acerca do assunto. Segundo o Mapa da Violência de 2014, o Brasil registrou 52.198 homicídios só no ano de 2011. Nessa pesquisa, as regiões nordeste e sudeste do país lideraram o ranking com 19.405 e 16.112 relatos, respectivamente.

Em relação à população total do país, foram 27,1 pessoas assassinadas por cada 100.000 habitantes.

Ainda usando as informações de 2011, o número total de mulheres assassinadas foi de “somente” 4.512. Esse valor corresponde a meros 8,64% do total de homicídios.

8,64 por cento. Oito vírgula sessenta e quatro. A cada 100 que são mortos, só 9 são mulheres. Os outros 91 são homens.

9 mulheres. 91 homens.

Sobre agora os casos de agressão que não precederam morte, a Lei de número 11.340, de 7 de agosto de 2006, é a Lei Maria da Penha. As disposições preliminares da lei, que a singulariza, dizem respeito somente a proteção da mulher, como muitas pessoas se enganam. A Lei Maria da Penha não protege os homens. Eles são protegidos pela lei geral, pela lei que proíbe agressões físicas e morais, pela lei comum.

Homens e mulheres, nos ideias igualitários, não precisam de leis diferentes, mas para os políticos do Brasil arcaico em que vivemos precisam sim. Na nossa constituição, está listado duas acerca do assunto: uma que defende qualquer pessoa de qualquer tipo de agressão e outra que defende as mulheres de violência doméstica e familiar. Por quê? Por que não só uma lei que defenda todos de tudo?

O motivo é simples: as mulheres se vitimizam muito mais do que os homens.

Enfim, não preciso entrar no quesito do feminismo. O ponto aqui é: o tema da redação do ENEM de ontem deveria ser “a persistência da violência na sociedade brasileira”.

Ninguém merece ter que se posicionar em oposição ao que acredita só para passar para alguma faculdade. E não, não venha me dizer que é só colocar no papel o que você pensa que, se tiver bons argumentos, você não receberá uma nota ruim. Todos sabemos que, às vezes, é preferível mentir à tentar convencer a banca mente-fechada.

Obrigado, MEC.

-FDJ