O casamento dos outros e a irresponsabilidade da zoeira sem limites

A vida é muito mais gostosa quando encarada com humor. Fato.
O problema é que esse humor constantemente tropeça e acaba virando chacota, especialmente nesse continente sem regras chamado internet.
O tema é amplo e daria para falar de mil e uma situações, mas vou focar no meu assunto preferido: casamento.
Dia desses recebi pelo WhatsApp o vídeo de um casório onde a noiva, pobrezinha, entrava ao som de um trompete pra lá de capenga.
É engraçado, afinal, espera-se uma marcha nupcial, mas o que se ouve é uma tentativa completamente falha.
Depois de rir com o grupo, vi o mesmo vídeo no Facebook. Em seguida no Instagram. E de repente me senti mal, muito mal.
A maioria das pessoas que compartilharam o tal vídeo usaram como argumento que alguém sempre consegue fazer mais barato. Ou seja: o barato sai caro.
E sim, é verdade. Em um mercado disputado e com tantas possibilidades, é comum que haja profissionais cobrando de 8 a 80, e nem sempre vale a pena optar pelo 8.
A questão é que a gravação que virou piada por aí também revela um lugar simples, com cadeiras de plástico. Mais do que isso, revela uma noiva entrando com o pai.
Sabe-se lá se havia condição para investir em um coral ou músico. Sabe-se lá o que os noivos tiveram que sacrificar para que pudessem oficializar a união. Foda-se a porcaria do trompete capenga. Aquilo era um casamento!
Trocando em miúdos, quem a gente pensa que é para apontar o dedinho e dizer “bem feito, quem mandou não contratar alguém bom o bastante”?
Também vale para vestidos que desagradam o padrão, maquiagens exageradas e cabelos exuberantes. Tudo isso vira post em perfis e mais perfis, com legendas engraçadinhas e extremamente deselegantes.
Falta que nos coloquemos no lugar do outro. Falta amar o outro. Falta tanta coisa que uma marcha nupcial desengonçada vira mero detalhe.
Sabe o tipo de pessoa que ri e ironiza o sonho alheio? Por favor, não seja essa pessoa.