Interpretando cabeça de juiz

A conversa acima é do jornalista Mauro Cezar com o ex-árbitro e atual comentarista Salvio Spinola. O assunto é o pênalti do Victor no Marcelo Cirino. Pro mundo inteiro, o atacante do Flamengo ia em condição clara de fazer o gol, menos para os dois aí.

Talvez considerando a grande limitação técnica de Marcelo Cirino, eles achem que o cara fosse driblar o goleiro e sair correndo para a linha de fundo sem saber onde ficava o gol. Ou voltar e driblar o Victor de novo e de novo até o goleiro abrir as pernas e só então chutar no meio delas, bem ao estilo de Garrincha.

Ou estão de sacanagem.

Lembram desse jogo?

Esse vídeo mostra um Barcos correndo em disparada para o gol e sendo atingido pelo César. Dessa vez, um outro zagueiro estava na sua cola, o atacante gremista a chutou para o lado (para tirar do goleiro rubro-negro) e podia perder na velocidade, ou não.

Cirino estava absolutamente sozinho.

No vídeo acima, César foi expulso. A falta foi fora da área. Barcos podia, sim, ser impedido pelo zagueiro. Mas o árbitro não teve dúvida. Expulsou e pronto. Veja o vídeo quantas vezes quiser que o Barcos driblou pro lado (óbvio) e não em direção à meta. Mas…

E esse aqui, com o mesmo Victor. E nem foi pênalti! Mas foi expulso.

Falam de uso da tecnologia para auxiliar o futebol, o que sou contra em alguns fatores e a favor em outros. Ficando NESTE LANCE do jogo de ontem, sou contra, totalmente. É um caso claro de interpretação. De que adiantaria parar o jogo e olhar o replay, se o Ricci jamais voltaria atrás, como todos os árbitros fazem do alto de sua arrogância infalível?

Neste mesmo domingo, no Itaquerão, um apitador infeliz expulsou o santista David Braz no jogo contra o Corinthians sem nem ter visto quem fez o pênalti. Expulsou porque tinha que expulsar alguém e escolheu aquele que talvez fosse o zagueiro que o auxiliar sabia o nome. Adiantou alguém falar que tava errado? Depois ele ganha um tempo na geladeira, volta e erra de novo, mas o resultado já está feito e sacramentado. E ai de quem reclama. O tribunal será implacável.

O árbitro tem que pensar na hora se é pênalti ou não. Isso é passível de erro e é do jogo. Mas pra ver que o atacante havia deixado o goleiro de lado e estava sozinho, cara a cara pro gol, não precisa de regra nem interpretação. Descontando que era o Cirino (e a natureza marca), era fato que não havia mais ninguém. Mas o aparente toque pro lado disse outra coisa.

Aqui, o Simon, árbitro de Copa do Mundo, expulsou o Rogério. Mesmo com o Arnaldo Cezar Coelho falando que era para amarelo, no máximo, por causa da falta em si, mas sem chance de gol. E nesse aqui embaixo?

Driblou pro lado e foi expulso. Mas, e a regra????

Ou seja, mantenho minha posição: não há regra. O que tem é interpretação, vontade e a cabeça do árbitro na hora. E nesses três pontos entram também ressentimentos, sentimento (torcida mesmo) no futebol, momento do jogo, campo, torcida, a conta no final do mês, o(a) cônjuge que dormiu de calça jeans, a vontade de aparecer, a chance de expulsar aquele jogador que não gosta, possíveis apostas….

Mas nada disso muda o fato de que o Victor impediu o Cirino de fazer o gol com o pênalti. Não foi expulso e defendeu o pênalti. E isso fez toda a diferença no jogo. Sem seu goleiro e com um a menos, e talvez saindo atrás no placar, o Atlético teria que se reinventar logo aos 10 minutos. Mas ao contrário disso, ganhou moral e no final virou passeio.