muito barulho por nada

Flavia Cohim
Sep 2, 2018 · 2 min read

“O silêncio
não é o oposto
mas o avesso”

~ José Tolentino Mendonça (A Papoila e o Monge)

O avesso é o lado de dentro. Se é dentro também é. O silêncio portanto também é barulho que também é silêncio.

Uma vez que ñ é mais avesso, o barulho pode ser o dentro. Portanto o barulho também está contido no silêncio.

De alguma maneira, silêncio e barulho são um só. Inclusive o silêncio pode ser ensurdecedor. Na minha razão na verdade pode ser enlouquecedor.

Um menino me mostrou John Cage e a impossibilidade do silêncio absoluto — porque sempre há ruído. Porque sim e porque buscamos porque não damos conta do silêncio.

Se o antes e o depois é silêncio, encarar o silêncio é encarar o mais primordial, o mais humano — e aí no sentido mais puro de ser, mesmo — e mais universal também, talvez o que há de verdadeira liberdade, mas o que há de mais desconhecido e, sobretudo por isso, o que mais nos dá medo.

BARULHO — comunicação. a baleia 52hz é considerada “a mais solitária do mundo”, pois não consegue se comunicar com nenhuma outra.

MARULHO — o mar faz. as árvores fazem. as nuvens ñ fazem, mas às vezes sim. o mesmo com o vento a água as pedras. mas aí é comunicação?

sentimento é barulho?
diz que não há pensamento dissociado de linguagem. então não há pensamento sem barulho, parece (tenho cá minhas dúvidas sobre tudo isso).
mas e a coisa da pele o jeito de corpo tudo sentido antes que se dê sentido que se vislumbre razão que se catalogue e dê nome?