
O que Buda pode ensinar ao marketing?
Depois de fazer um retiro em um Mosteiro Zen Budista, nunca mais voltamos os mesmos. Ao mesmo tempo que tudo é muito simples, tudo é muito profundo. Profundidade essa que me fez refletir sobre um dos mais famosos dizeres do Dogen, um dos grandes mestres do Zen Budismo:
Estudar o Zen é estudar a si mesmo
Estudar a si mesmo é se esquecer de si mesmo
Esquecer de si mesmo é estar uno com todos as coisas
Estar uno com todas as coisas é entender que minhas ações afetam o outro do mesmo modo que afetam a mim.
Estar uno com todas as coisas traz uma tremenda responsabilidade.
Todo esse aprendizado me fez chegar a uma pergunta: por que não trazer essa lição milenar para o mundo do marketing e da publicidade? Se pensarmos bem, podemos acrescentar às estratégias de marketing uma visão mais Zen, mais consciente. O resultado seriam ações com o objetivo de trazer resultados positivos para todos.
Consumidores são pessoas. Mas pessoas não são apenas consumidores. Entretanto, vemos muitas marcas nos tratando assim, como se tudo que nos faz humanos precisasse ser subtraído em prol do consumo. Pessoas tem anseios, sentimentos, emoções e podem sim, além de consumir, serem respeitadas como seres de mente, coração e espírito, que sentem, sofrem, vibram, como eu e você.
Usaríamos nossa criatividade para ajudar a construir realidades positivas, pois nossa percepção da realidade é moldada também pela mídia, como já dizia Kahneman. O sofrimento é construído dia após dia pelo reforço contínuo de estereótipos, sem que pensássemos no quanto somos responsáveis por cada mensagem que fabricamos.
Ajudaríamos a construir marcas que se comportam como pessoas — acessíveis e amáveis, mas também vulneráveis, como eu e você.
Seríamos mais responsáveis no incentivo ao consumo, sem causar compras desnecessárias, sem significado ou danos ao meio ambiente.
Iniciaríamos diálogos com outros seres humanos, ao invés de empurrar estímulos de compra em momentos inoportunos.
Venderíamos valor ao invés de produtos, pois aquele produto deve trazer algo de bom, para mim e para você.
Construiríamos relações em que todos saem ganhando, pois todos somos um.
Acredite que é possível vender, ter lucro e ainda ser uma empresa que pensa no ser humano em sua plenitude. Se cada um praticar esse princípio, teremos um mundo mais justo, mais sustentável e com pessoas mais felizes.
É nisso que eu acredito.
