
O que ganhei quando perdi.
Aprendizados de quem renasceu após um desastre.
Me considero uma profissional bem sucedida, e como tal morava num belo apartamento, tinha belas roupas, com toda pompa e circunstancia.
Mas numa bela noite, há 1 ano, toda a área externa do meu condomínio desmoronou.
Foram 3mil metros, 3 andares, 300 carros, tudo transformado em escombros.
Por um breve instante achei que iria morrer e que naquela madrugada perderia toda minha família.
Filme de terror.
Dia seguinte: sem casa, sem carro, sem roupa, sem maquiagem, sem meus objetos pessoais. Me vi sem nada.
Um ano depois, contabilizei minhas perdas e percebi que ganhei muito mais do que perdi:
- Entendi o real valor da vida: só quem passa por uma experiência de quase morte é que valoriza de verdade o que é a vida.
- Nada é mais importante do que a família: pensar que poderia ter perdido toda minha família me fez valorizar profundamente e entender o significado dessa palavra: pessoas que se amam incondicionalmente.
- Tudo é impermanente: num dia você tem tudo e no outro você não tem nada. Nada é para sempre.
- Desapego: de 9 portas de guarda-roupa me vi dividindo com meu marido 2 pequenas portas. Só voltei para o meu apartamento para o buscar o essencial. Dá para ser feliz com pouco, eu garanto.
- Eu preciso das pessoas: sempre me achei a toda poderosa que resolve tudo sozinha. De repente me vi frágil e precisando da ajuda de todo mundo. E me permiti ser ajudada, e foi uma das grandes experiências da minha vida.
- Nosso lar é onde está nosso coração, já dizia a música. Morei 45 dias num hotel e 10 meses na casa de uma amiga. Hoje já tenho a minha casa, mas em cada momento busquei recriar o meu lar onde eu estivesse.
- Tudo está dentro, nada esta fora. Minha felicidade não pode depender de fatores externos, e sim de como eu encaro estes fatores. Confesso que no começo eu senti pena de mim mesma, mas depois ao entender o sentido disso tudo, pude realmente compreender que somente eu posso ser responsável pela minha felicidade.
- Nada está sob controle. Sempre fui mega controladora. Achava que tinha o poder de controlar tudo e todos. Grande ilusão.
- Viver no presente. Eu não tinha opção, não sabia como seria o amanhã, eu só tinha o presente e passei a viver um dia de cada vez, aproveitando cada momento como se fosse o último.
- Que felicidade é uma escolha diária.
Ou seja, tudo o que acontece é um aprendizado, e que esse aprendizado tem um objetivo muito claro: nos fazer ser um pouco melhor.
E hoje sou grata. Grata pelos aprendizados, grata por estar viva, grata por ter uma familia, grata pelos meus amigos, grata por ter acreditado em algo maior do que eu.
Muitos chegam ao final da vida, olham para trás e desejam fazer tudo diferente, mas não dá mais tempo. Eu tive essa chance aos 40 anos e ainda tenho muito o que fazer. E espero honrar cada segundo. Com muito amor.
