NN/g UX Conference in Vancouver — Dia 2

Hoje foi o primeiro dia do curso de 3 dias com o mito Bruce “Tog” Tognazzini, ou, como ele mesmo diz, o “G” do NN/g. A pessoa dele é interessantíssima, sabe aquelas pessoas extremamente inteligentes que, de tanto, se tornam confusas? É isso que você vê. Além disso, o inglês dele é BEEEEMMMM difícil, ele usa palavras que não estamos acostumados e dificulta um pouco o entendimento do curso. Mas, no total, se você prestar bastante atenção e discutir com os coleguinhas de curso, você acaba pegando os principais pontos. E os de hoje foram:

Fale a mesma língua que seus stakeholders e apresente resultados com dados relevantes para o negócio, o cliente e a empresa. 
E escolha métricas que realmente importam para seu stakeholder (e torne-as significativas com ajuda da matemática e do marketing), sejam eles clientes, chefes, gerentes ou desenvolvedores. Pense profundamente nos números e faça cálculos relevantes para quem está ouvindo o que você está tentando explicar, convertendo-os em benefícios claros. Ou melhor, em oportunidades de redução de custo (e as pessoas preferem reduzir custo do que ganhar mais dinheiro, porque psicologicamente perder é muito mais poderoso do que ganhar).

Não desenhe experiências pensando somente em você e na sua empresa (You are not your user, your friends are not your users). 
Faça baseado em usuários reais MESMO. E faça teste de usabilidade iterativos (teste com 2, mude os problemas, mais 2, mude os problemas) até que os usuários não achem mais problemas significativos. Aliás, a relação número x erros que eles dão e o sistema de gerenciar os testes é realmente DIVINO. Rápido, fácil, eficiente.

Não se importe de diminuir a qualidade para ganhar mais experiência
Usuários não ligam se a qualidade em si for perdida, se isso adicionar algo que eles enxergam como benefício (e a informação não for perdida). É o caso das mensagens de texto x voz, que a qualidade da comunicação perde-se um pouco, mas a gente prefere porque é mais conveniente. Ou de tantos outros exemplos.

Quando um usuário está usando algum sistema, ele está se comunicando com o designer e não com o meio (celular, app, sistema, computador, software)
E se ele não conseguiu te entender, é porque você falhou em conseguir passar a informação que você precisa passar para ele completar a tarefa. Linguagem e informação é tudo e é isso que vai montar o modelo mental do usuário com a sua plataforma (nessa parte, o curso fica bastante complicado, porque ele começa a entrar em teorias psicológicas e palavras bem pouco conhecidas para quem não é nativo em inglês). E saiba que o modelo conceitual que o usuário cria é sempre parcial e leva em conta somente o que ele precisa usar do sistema.

Learning curve: preste atenção e ajude seu usuário a conquistá-la.
E uma das principais maneiras de fazer isso é aplicando redundâncias visuais e verbais na sua plataforma. Use o máximo de redundância possível, porque elas eliminam possíveis erros de comunicação, especialmente com usuários novos na sua plataforma.

Aliás, contando tudo isso para vocês, eu vi que, realmente, tem tanta coisa e tanto conceito que Bruce "Tog" passou para a gente de forma descompromissada que eu não vou conseguir relatar em texto o quão rica está sendo a experiência de estar 3 dias em uma sala com essa pessoa. Foi e está sendo uma oportunidade incrível. Não só o curso em si, mas a interação com designers do mundo inteiro (estou aprendendo bastante com eles também, especialmente sobre mercado de UX no mundo). Tá bem foda! :)


Flavia Kawazoe Cabral é jornalista, feminista, mãe de um lindo menino, esposa do Du Cabral, cofundadora do Empatia Criativa e UX Designer na IBM.