O desfrute

Arte: Luiz Pellegrini

Chegou em casa e viu ela ali, quietinha esperando. Algumas rugas já anunciavam que não era mais assim tão jovem, mas ele sempre disse gostar daquelas que são mais maduras.

Colocou as mãos e sentiu todas as suas imperfeições. Levou-a para o sofá e ligou a televisão, colocou no primeiro jornal que encontrou e começou a observá-la.

Sem nenhuma delicadeza logo lhe abriu ao meio. Foi aproximando a boca e sentindo aquele cheiro que tanto apreciava.

Colocava a língua e depois chupava, apesar de madura, caldo é o que não faltava! Pressionava e se lambuzava ainda mais.

Foi perdendo a graça. O gosto já não era mais o mesmo e o caldo abundante deixava de existir.

Fazia tempo que não experimentava uma laranja tão gostosa!

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