PELAS GRADES

Arte: Luiz Pellegrini

O reflexo das grades batia em seus pés, era o horário do banho de sol e de refletir sobre o que fizera da vida para agora viver naquela prisão.

A família, que no começo visitava uma vez por semana, agora virou criadora de desculpas. “Temos o casamento da Glorinha”, “Nasceu o filho do Eduardo”, “Pegamos uma virose, a casa inteira ficou doente”…

Dia dos pais o cenário muda. Todas aquelas pessoas que não tinha visto durante meses, surgem com presentes e palavras de afeto — do que adianta neste estágio da vida?

Em dias comuns, a rotina é a mesma. Acordar, tomar café, assistir Globo, tomar sol, almoçar, assistir Globo, jantar, assistir Globo e dormir. Não adiantou ser boa pessoa a vida toda, agora é preciso pagar essa penitência.

Vê os jovens passando do lado de fora, felizes, rindo de toda a vida que ainda terão pela frente. Alguns dão bom dia e sentem pena, mas logo passa ao primeiro assunto que surge entre eles.

Insiste em dizer “esse asilo não vai me matar!” e, enquanto grita para ele mesmo, sabe que esta é a única maneira de conquistar a liberdade! Mas quando ela chegará?

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