Fruto fora no pé

É no caminho de volta que me vêm as considerações. Sento só no sofá e reflito as coisas do dia. Da vida. Casa, falta da casa, trabalho, amigos, relações, falta delas. No meio disso tudo, com arrepio confuso, me toma a memória o toque que me foi remédio por alguns dias. Por um instante duvidei ser paixão.

Os diálogos preenchidos de entusiasmo, os relatos surpreendentes, os encontros à prova de aborrecimentos. O olhar doce guiando o toque firme, antecedendo o gozo sincrônico. Coisa rara. Por vezes me acho tola, em outras espero um pouco mais dessa dispersiva sensação. Possui outra forma. Outra intensidade.

Foi de rompante que o sabor doce que saciava meu desejo se transformou em alimento marrento. Fora do ponto. Não temos controle sobre o querer do outro. Fato. Resta eu seguir com uma das minhas certezas: a de que o amor, não importando a ocasião, é bicho livre. Quem ama a forma, admira a sua poesia. Seja de perto, sendo uma das estrofes ou de longe, como bom admirador.

Leva tempo para entender qual é a impressão do outro sobre o que foi compartilhado. Ainda mais com os corpos longe um do outro. A mente mais ainda. As dúvidas ficam e na falta de respostas resta arquivar o que de bom marcou. Isso pra tudo.

Nessa de lembrar capítulos anteriores, sei que prossigo tendo sede de algo assim. Diferente em beleza, mas igual em entrega. Com pele, muita pele. Com olho no olho, dedos que escorrem entre os fios, lábios que se unem e sorriem juntos. Enquanto tudo escorre, tudo transborda. Afinal, ao sentar e refletir, o bom mesmo é ter pelo que suspirar.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.