PINOS DE TOMADAS E O QUE ANDA ACONTECENDO

Almoçando, vi uma matéria do Jornal Hoje, na Globo, falando sobre o padrão de tomadas adotado há algum tempo. Na reportagem, eles reprimem quem utiliza adaptadores, dizendo que isso pode esquentar a fiação.
Bom, primeiro que isso não é totalmente verdade. O aquecimento acontece se você ligar o aparelho de maior potência e corrente elétrica na tomada feita para aparelhos menores. Mesmo que você utilize um adaptador, mas ele seja ligado na tomada certa, não há aquecimento da rede. E isso também depende da bitola (diâmetro) dos fios da instalação da casa. Se seu disjuntor é de 25A (25 Amperes), a fiação é feita (ou deveria) para aguentar essa carga, independente do diâmetro do pino da tomada.
Aliás, pesquisando, eu descobri que o novo padrão tem dois tipos de tomadas diferentes, não um só! Tudo isso está aqui, se quiser consultar: http://www.inmetro.gov.br/qualidade/pluguestomadas/
Mas aí tem uma outra coisa que me incomodou na matéria e o motivo por ter começado esse texto… Para a turma bem remunerada da Globo, a impressão é que se você usa adaptadores de 2 para 3 pinos nas tomadas, você é uma brasileiro irresponsável que apela para a gambiarra, invés de seguir o novo padrão, criado para melhor segurança e blá blá blá!
Não, caros amigos! As pessoas usam adaptadores porque não tem dinheiro para trocar toda a fiação das casas e suas tomadas, nem para se desfazer dos equipamentos comprados antes da mudança! Fácil para quem pode bancar uma reforma na casa, julgar quem levou anos de trabalho para comprar um aparelho eletrônico que não serve mais na tomada…
E, pensando nisso, lembrei de outras coisas que me incomodam, como a história da limitação de velocidade de Internet e, mais parecido com esse lance das tomadas, a implantação da TV Digital como única opção daqui algum tempo.
O assunto da Internet, que já gerou muitas discussões, para mim se resume aqui: http://bit.ly/29MDwRy. Nossa Internet é cara, se comparada com o serviço prestado e velocidade oferecida e em relação ao salário mínimo. Piro do que ser cara, é querer limitá-la. E a tal da história de “inclusão digital”, tão em moda na primeira década dos anos 2000? Ilusão, meus amigos. Pura ilusão.
Quanto aos televisores, não acho ruim transformar tudo em digital. Porém, tente seguir meu raciocínio: nos 40 e 50, com o advento da televisão, os proprietários de rádios não tiverem que se desfazer de seus aparelhos, mas trabalhavam para comprar o novo e revolucionário aparelho midiático; nos anos 70, quando as TVs em cores chegaram ao Brasil, os aparelhos em preto e branco ainda funcionavam e ficaram assim por muitos anos, até que todos tivessem condições de comprar uma TV colorida. Pois bem, as TVs digitais estão aí e existe um certo sentimento de necessidade de todos de garantirem sua TV de LED Full HD (para dizer o mínimo)! As TVs de tubo antigas, que o cara trabalhou anos para pagar, não valerão de mais nada e, aqui em São Paulo, já é comum ver nas periferias pequenos montes de TVs antigas jogadas fora.
Tudo em oferecer uma nova tecnologia e adotar um padrão com mais qualidade. Mas eu pergunto: nosso governo dará um conversor digital para cada cidadão que não tem dinheiro sobrando? As TVs antigas jogadas fora terão um outro fim que não o lixão? Haverá um “Bolsa TV” para bancar novos aparelhos para quem vive de salário mínimo?
Na verdade, já é ponto pacífico que temos passado por um momento de “crise”, agravada ainda mais com uma onda de aumento dos preços sem uma explicação plausível (desculpe, dobrar de preço só por aumento nos impostos?). Nessa onda, claro, estão as TVs e os eletrônicos.
Aparelhos que custavam menos de 1.000 reais estão pelo menos 30% mais caras. Aparelhos de Blu-ray estão raros e o dobro do valor do que já custaram (eu arrisco uma conspiração da NET para seus clientes aderirem ao NOW e ao HD digital!) e os tão populares smartphones, o aparelho mais utilizado pelos mais pobres para acessar Internet, estão valendo mais que ouro!
Quer um exemplo? Meu celular é um dos mais simples e eu paguei 349 reais nele, há 6 meses. O MESMO aparelho está custando 799 reais hoje! E não dá para esquecer que, junto com a Internet cara, também temos péssimos serviços de telefonia e Internet para celulares, também bem caras para o bolso do brasileiro pobre.
A alta não está só nesses aparelhos “supérfluos” (depende do seu conceito de supérfluo, numa sociedade consumista e extremamente excludente com quem “não está na moda”), mas utensílios básicos como refrigeradores e fogões também estão bem mais caros que no ano passado.
Tudo isso, com um baixo salário mínimo, aumento também de remédios, itens básicos de alimentação, fora aluguel e outros serviços, como luz, água e mensalidades de escolas e faculdades, tem servido para preocupar cada vez mais o brasileiro adulto. Ainda mais se ele for pai ou mãe de família… Sem falar do aumento também do desemprego, ignorada pelo nosso Governo Interno.
A questão é: o que fazer? Continuar trabalhando (para quem ainda tem emprego) e se virando para equilibrar as constas, para sobreviver, enquanto a distância dos que tem para os que não tem volta a aumentar ainda mais? Continuar aceitando os altos salários de cargos de alto calão ou de instituições públicas e políticas, como todo o Judiciário, Legislativo e Executivo? Continuar assistindo ricos e classe média alta esbanjando e mostrando aos pobres suas novas casas, suas viagens, suas novas tendências de moda e tecnologia?
Não sei, realmente não sei. Tenho medo do futuro, com tudo que vem acontecendo. Medo por mim, e pelos meus filhos, que acreditava que cresceriam em um país melhor do que o em que eu cresci…
Afinal, qual o alto preço a pagar pelas decisões e imposições de um pequeno grupo de pessoas, que determinam como será a vida do grande números de brasileiros que sofrem com todas essas determinações e aumentos? É para se pensar, e muito!