Tutorial: Como ser legal.

Tá favorável.

Sempre me equilibrei naquela linha tênue entre ser cheinho e ser “grande”, algumas fases mais atléticas me tiraram dessa média mas a maioria dos meus dias foram de vergonha de tirar a camisa e de repetir o almoço na casa do coleguinha. Hoje me equilibro na balança por um motivo nobre, eu quero ser um gordo de verdade. Gordo raiz que cai e todo mundo ri, tetudo, shape “Tranquilo feat. Favorável”, eu quero ser o #GordoGenteBoaDoRole e depois desse texto vocês também vão querer ser, pode confiar, pois uma das qualidades bônus de ser gordo é ser confiável.

Cheguei a conclusão que ser gordo é a melhor coisa do mundo quando percebi que a maioria das pessoas gosta de você de graça, você não precisa fazer nada, apenas existir. Pare e pense, tem coisa mais fofa do que aquele seu amigo gordo rindo? Com as bochechas vermelhas, os olhinhos serrados e a risada saindo como um leve grunhido de leitão semi-desmamado? Eu tenho certeza de que não tem (a não ser a coxinha do Hiper). Quando ele pede 25 esfirras na terça do Bonarabe não é só por ele, ele as pede por você também, ser gordo é ser altruísta, é dar prazer para os outros com o simples fato de exalar alegria enquanto destroça uma a uma sem guardanapo. Quando você é gordo tudo se transforma em festa (openfood): correr, não correr, suar, não suar, comer e não comer pra comer depois com mais fome. Isso contagia as pessoas ao seu redor é tipo uma corrente do bem, só que feita de talharim e almôndegas. E faz todo sentido, “quando a gente expande o exterior o interior cresce junto”, já dizia algum gordo mítico-histórico.

Quando desenvolvia essa técnica milenar (Buddha já usava), pensei em algumas outras, outros caminhos para ser aceito e ganhar likes orgânicos na vida real. Dentre todas ser gordo foi a vencedora, seria a mais fácil e depois que eu alcançasse um certo patamar era só manter da melhor forma possível. As outras opções eram bem mais complicadas e exigiriam um certo grau de atuação. Uma delas era virar filho de rico. Eu não tenho dinheiro pra comprar um pai rico, deve ser caro, e eu amo meu pai. Adivinha porque? R: Ele é gordo. Teria que ficar bancando farra pra amigos puxa saco, malhando, fazendo clareamento e saindo na rua pedindo a volta da ditadura. Cansativo. Pensei também em ser fake-militante gourmet, curtiria umas fanpage, meteria um coque e uns textões periódicos sempre sobre algum assunto hype, mas ai não achei nenhuma linha a qual me encaixasse sem ser hipócrita, por incrível que pareça tive essa preocupação, morguei pra essa opção tão rápido quanto a outra. E foi só depois de quase uma semana pensando no que fazer para ser legal que eu decidi unir o útil ao agradável e me tornar “o melhor gordo da cidade”.

Comecei suave. Toda vez que rolava aquela vontade de escrever merda no Facebook, comprava uma lata de leite condensado (você pode substituir por Nutella) fazia aquele brigadeiro ou comia ela todinha com uma colher de sopa. Se trato alguém mal, compro um Ovomaltino do grande pra pessoa e dois pra mim, tratar os outros mal é castigo dobrado, sempre. Acordei de mau humor na segunda, na terça peço duas pizzas gigantes (ganha quatro) na promoção da Reis Magos e como sozinho.

Engordei 12 kg nesse último mês, perdi alguns trocados mas tá tudo tranquilo, faz parte do processo. Cada dia que passa me torno mais feliz, estou só a alguns passos de me tornar o “gordinho legal” da galera. Tudo isso sem precisar mentir, enganar ou falsificar uma vida no Instagram.