Mulher Maravilha — Hiketeia
Originalmente publicado no Zenit 2/m
Assim que o primeiro trailer do filme da Mulher Maravilha foi lançado, fiquei em choque. Choque pela qualidade da atuação da Gal Galdot? Não. Choque pela qualidade do trailer? Não exatamente. Choque por finalmente ver a Mulher Maravilha ganhar um filme próprio? Não foi exatamente uma surpresa.
Fiquei chocada com comentários de pessoas reclamando do “excesso de feminismo” no trailer. Isso me lembra o garoto ao meu lado no cinema reclamando de um video sobre atletas femininas antes da exibição de Batman vs Superman. Minha vontade é respirar segurar essas pessoas pelos ombros e perguntar: “Amigo, você realmente conhece a personagem? Leu os quadrinhos? Viu o desenho da Liga?”. A resposta deve ser não.
Polêmicas a parte sobre as roupas curtas dos quadrinhos e assuntos anexos, vamos falar bem rapidinho sobre o surgimento da personagem. Em 1940 o universo dos quadrinhos era dominado por super-heróis homens (não que as coisas tenham mudado tanto assim). Segundo o próprio criador da Mulher Maravilha, William Moulton Marston, “a Mulher Maravilha é a propaganda psicológica para o novo tipo de mulher que, creio eu, deve governar o mundo”. Lembrando que o próprio Marston foi psicólogo e teórico do feminismo.
Não é nenhuma novidade o fato de que a DC Comics costuma recontar e modificar a história de seus personagens (e os próprios personagens) de tempos em tempos. Se durante a Era de Prata temos uma Mulher Maravilha fraca e sem poderes, na Pós-Crise George Perez resgatou todo o conceito inicial ao transformar as Amazonas, que seriam agora a reencarnação de mulheres vítimas do ódio e da incompreensão masculina. A própria Diana seria a filha não nascida de Hipólita, a primeira mulher morta por um homem.
E agora quero apresentar a Hiketeia, que conta um conflito entre Mulher Marvilha e Batman. O motivo? Bem, o motivo não poderia ser mais controverso: Danielle Wellis, uma assassina. Danielle, perseguida pelo Batman, procura Diana na embaixada de Themyscira com um único propósito: prostrar-se diante da Amazona e efetuar o ritual Hiketeia. Danielle abre mão de sua honra e sua esperança por proteção, torna-se então uma serva da Mulher Maravilha, e essa deve protegê-la ou sofrerá a pior das consequências nas mãos das Górgonas.
Se de um lado temos a justiça cega do Batman, do outro uma questão complicada que envolve o estupro e a morte da irmã de Danielle. Se dá um embate entre o heróis, é claro. E um final surpreendente que livra Diana de suas obrigações com Danielle, embora não da maneira como ela gostaria.
Hiketeia é uma história bastante curta, com uma arte que não chega a ser surpreendente. Mas vale a pena ler e conhecer mais sobre quem de fato é a Mulher Maravilha.