Gestão do Conhecimento: como motivar novamente o interesse pelo tema?

A Gestão do Conhecimento como disciplina acadêmica surgiu ao longo dos anos 1990, com as obras pioneiras de Nonaka e Takeuchi, Pierre Lévy e Davenport e Prusak , entre outros.

A despeito da existência anterior de grupos e práticas de geração e compartilhamento de conhecimento nas instituições científicas e em domínios especializados, como demonstrado por De Masi ao relatar a história dos grupos criativos que se desenvolveram entre 1850 e 1950, especialmente na Europa, foi a consolidação das publicações sobre a gestão do conhecimento que propiciou as condições para torná-la uma disciplina própria ao longo dos anos 2000, com o desenvolvimento de programas de graduação e pós-graduação e iniciativas estratégicas em instituições acadêmicas e organizações nos setores público e privado.

Mas eis que recentemente Thomas Davenport, um dos autores pioneiros na difusão da gestão do conhecimento, publicou um polêmico artigo no Wall Street Journal e quasi simultâneamente em sua página no linkedin: "o que aconteceu com a gestão do conhecimento?", foi a questão problema proposta pelo autor.

Na sua percepção ele afirma que o crescimento do Google, o novo foco da gestão em Big Data e Analytics, e vários desafios culturais e organizacionais desempenharam um papel relevante no declínio da popularidade da disciplina.
Em resposta ao problema postulado, autores como Olivier Serrat propõem um novo desafio de pesquisa: se o conhecimento é considerado o principal ativo do século 21, como motivar novamente o interesse pela sua gestão junto às empresas e pessoas?

Para suportar esta discussão propomos um retorno ao modelo da espiral do conhecimento de Nonaka e Takeuchi. Eles identificaram quatro modos de criação e compartilhamento do conhecimento nas organizações, cada um deles suportado por tecnologias e métodos específicos.

Tendo como base os fundamentos conceituais e os exemplos descritos na sua obra original , a gestão do conhecimento teve crescimento exponencial na primeira década deste século, seja em termos de aplicação nas empresas ou na publicação de livros e artigos acadêmicos.
Entretanto, em boa parte das situações faltou uma avaliação objetiva da contribuição da gestão do conhecimento para agregação de valor aos negócios. Me atrevo a supor que esta tenha sido uma das fontes da atual perda de popularidade do tema.
Em complemento, é inegável que o fascínio exercido pelas novas tecnologias computacionais associadas ao BigData, ao Analytics, à Inteligência Artificial e a outros temas associados à Inteligência dos Negócios (BI, Business Intelligence) vêm ofuscando as propostas da espiral do conhecimento, muito embora tais tecnologias estejam inseridas no contexto do modelo original, especialmente na dimensão da combinação.
De fato, Nonaka e Takeuchi definiram que a combinação seria o processo de agregar conhecimentos explícitos, novos ou já existentes, num sistema de conhecimento como um conjunto de especificações para um novo produto ou serviço. O que é isso senão uma aplicação das tecnologias de BI aos processos de gestão?

Conforme postulado por Serrat, e de acordo com as considerações precedentes, a recuperação da credibilidade, e não da popularidade, da gestão do conhecimento, deve passar antes de tudo por um cuidado essencial: estabelecer um estreito vínculo das suas soluções à estratégia do negócio, tais como:

Alcance de ciclos mais curtos de desenvolvimento e execução de produtos e serviços;
Impulso à comunicação entre as pessoas e comunidades internas e com o ambiente externo;
Incremento no conteúdo de conhecimento associado ao desenvolvimento e fornecimento de produtos e serviços;
Alavancagem do conhecimento e da especialização das pessoas no ambiente organizacional;
Estimulo à criatividade, inovação e aprendizado organizacional.

O estabelecimento de vínculos entre os objetivos do negócio e a estratégia de gestão do conhecimento deve ser apoiado em instrumentos como o Business Model Generation (CANVAS), por meio do qual identificamos os recursos e atividades chave do modelo do negócio, e como os processos, métodos e tecnologias da gestão do conhecimento podem contribuir para a implementação ou otimização dos mesmos.

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