Inteligência de Negócios: não fique só na descoberta do que é óbvio….

"Carioca procura praia mais próxima de casa…".Esta é a manchete que ilustrou recente reportagem publicada para ilustrar o potencial do uso dos recursos de business intelligence para aumentar o conhecimento sobre a mobilidade urbana, baseado nos dados de operadora de telefonia celular que atua na região metropolitana da cidade do Rio de Janeiro.

Esta notícia nos chama a atenção para o imenso potencial de agregação de valor dos processos digitais à tomada de decisão, a partir da possibilidade de descoberta de conhecimento pelo acesso a repositórios de dados internos e externos, apoiado em técnicas e ferramentas de bigdata e analytics.
Por outro lado, sem desmerecer o valor do estudo realizado, nos mostra também que as interpretações podem levar à descoberta de coisas óbvias a um custo e esforço computacional elevado…quem não sabe que as pessoas preferem ir à praia perto de casa, especialmente com o nosso trânsito caótico? ….e que resistem menos a percorrer distâncias mais longas para ir ao local de trabalho, especialmente quando são obrigadas a isso?
Não estamos aqui negando o potencial de agregação de valor à gestão a partir destas tecnologias de ponta. Já existem outros relatos quanto ao uso de dados de telefonia celular para estudos de mobilidade urbana, por meio de plataformas de big data criadas com este propósito específico.
No mundo real da maior parte das empresas, no entanto, adquirir as competências e talentos para o uso de big data e analytics é ainda uma forte barreira a ser superada para que se obtenha um retorno efetivo de tais investimentos, é o que diz o 2016 Gartner CIO Agenda Report.
Nas suas previsões o IDC considera que "a escassez de profissionais com capacitação para esses projetos é uma dificuldade que começará a ser superada somente em 2017, quando entrarão no mercado os alunos formados pelas primeiras turmas de instituições de ensino que iniciaram cursos específicos nesta área de especialização a partir de 2013 / 2014.

O que também tem sido previsto é que as tecnologias de big data e analytics se tornarão um instrumento efetivo de agregação de valor aos negócios a partir de sua associação ao uso de algoritmos.

Segundo Peter Sondergaard, algoritmos proprietários que resolvem problemas específicos vão gerar um novo mundo de oportunidades para quem produzir e utilizar tais recursos, como já vemos nos aplicativos da Amazon e do Facebook.

Um indicador de que muitas empresas já começam a estar conscientes disso é a divulgação pelo Linkedin de uma lista com as 25 competências mais buscadas pelos recrutadores e empresas no site em 2015 no Brasil e em outros 13 países. No Brasil, a habilidade mais buscada foi análise estatística e mineração de dados….

Não obstante esta tendência de uso mais intenso dos "cientistas de dados" embasados em fundamentos estatísticos e modelos matemáticos, entendemos que tais profissionais necessitam de uma formação complementar, focada na determinação do valor destas ferramentas para o negócio.

O que estamos aqui enfatizando é a necessidade de direcionar a formação dos mesmos para usar a tecnologia a partir de uma visão focada em sua efetividade para a gestão: “o processamento de grandes volumes e ampla variedade de dados é meramente uma solução tecnológica, sem valor real se não está vinculada aos objetivos do negócio”.

O desdobramento desse tema será objeto de nossa próxima publicação.