O que está em discussão sobre o futuro das tecnologias nas empresas e na sociedade?

Há cerca de um ano publicamos um post sobre as previsões de Kevin Kelly quanto ao cenário futuro da sociedade, no qual a inteligência artificial e outros recursos da tecnologia estarão embutidos em boa parte de produtos e serviços que consumimos.
O autor postulou que as mudanças em nossas vidas provocadas pela tecnologia (como compramos bens, usufruimos de serviços, trabalhamos, aprendemos e nos comunicamos uns com os outros) podem ser entendidas como o resultado de um conjunto de forças aceleradoras associadas a novas formas de acessar, filtrar, rastrear, utilizar e compartilhar as coisas e informações que fazem parte de nosso cotidiano.
Fazendo um retrospecto decorridos doze meses da nossa publicação, vamos aqui fazer uma digressão sobre alguns temas que estão em discussão sobre o futuro das tecnologias nas empresas e na sociedade, e quais são os desafios dos gestores e dos especialistas para transformar tais tendências em práticas voltadas à geração de ciclos virtuosos na gestão das organizações e no desempenho das profissões.

Vamos primeiramente falar sobre o futuro das profissões. Não importa qual a sua natureza, o que vemos hoje é que não é mais possível pensar em qualquer carreira no seu formato tradicional: o uso de tecnologias como a inteligência artificial e o acesso ao potencial de informações presente nos grandes acervos de dados, conhecidos como big data, está levando à ampliação das possibilidades de aquisição, preservação e disseminação do conhecimento dos especialistas.
Assim, o que já era uma realidade há mais de trinta anos em profissões ligadas às ciências exatas, como a engenharia, hoje é um fato relevante em carreiras como as relacionadas aos operadores do direito, finanças e medicina, entre outras: transformação de dados brutos em conhecimento para aumentar a capacidade de agir e de tomar decisões dos especialistas.
Neste sentido, o que vemos agora é a disrupção na forma de execução das tarefas mais nobres e que envolvem o conhecimento especializado dos chamados “trabalhadores do conhecimento / knowledge workers”, incorporando novos paradigmas sobre como percebemos o efeito das tecnologias sobre as profissões especializadas.
Desta forma, conforme observado por autores como Daniel Susskind, cada vez mais tenderemos a enxergar o trabalho de médicos, engenheiros, financistas, professores e advogados, entre outros, não somente sob o prisma tradicional das especializações inrentes a cada profissão, mas também sob a perspectiva de uma visão mais ampliada e genérica em termos de tarefas: quais delas caberão aos humanos executar? quais problemas eles terão que equacionar e resolver? e como o computador poderá tornar as tarefas humanas de pensar e de tomar decisões mais eficazes?

Isto já acontece nas tarefas de pesquisa nos acervos de big data na internet. Processos usando recursos de semântica e inteligência artificial, já constituem um padrão utilizável indistintamente por várias áreas especializadas: o que mudam são os indicadores básicos da pesquisa, associados ao tema / assunto procurado, mas os ambientes e mecanismos de busca são similares entre as profissões.

Outro campo de aplicações disruptivas diz respeito ao uso do blockchain, uma tecnologia que, segundo o artigo aqui referenciado, "está baseada em 4 fundamentos: o registro compartilhado das transações (ledger), o consenso para verificação das transações, um contrato que determina as regras de funcionamento das mesmas e a criptografia, que é o fundamento de tudo".
Outra fonte consultada sobre o tema nos diz que esta visão representa uma perspectiva inovadora de como ver e executar os processos de trabalho, onde Blockchains não são apenas uma tecnologia disruptiva, representando um novo mindset colaborativo e de open source que o mercado está abraçando rumo à Quarta Revolução Industrial.
Segundo a mesma fonte de consulta "a tecnologia de blockchain, ainda em fase de amadurecimento, transformará o jeito como informações são trocadas, focando primordialmente na experiência do usuário e abrindo um sem-fim de novas possibilidades de aplicação".

Finalmente, notícia publicada no techtudo nos fala sobre a Internet das Coisas (IoT), referindo-se ao fato como "uma revolução tecnológica que tem como objetivo conectar os itens usados do dia a dia à rede mundial de computadores. Cada vez mais surgem eletrodomésticos, meios de transporte e até mesmo tênis, roupas e maçanetas conectadas à Internet e a outros dispositivos, como computadores e smartphones".
A evolução de tais tendências tecnológicas têm levado à iniciativa de promoção de vários grupos de estudo a respeito da aplicação das tecnologias na vida das empresas e na sociedade, dos quais queremos enfatizar dois recentemente criados, especialmente por terem sua origem na cidade do Rio de Janeiro que, desde os anos 1970, emergiu como espaço privilegiado de inteligência no uso da tecnologia da informação.
O primeiro deles é a Rede de Ciência de Dados & Inteligência Artificial do Rio de Janeiro (CDIA.RIO), iniciativa apoiada pelo TIRio e pela Riosoft, que tem como objetivos principais:
Compartilhar informações sobre as tecnologias relacionadas e as aplicações possíveis para a Ciência de Dados e Inteligência Artificial;
Fomentar a interação entre o setor acadêmico e empresarial, buscando criar sinergias que possam resultar em novos projetos de pesquisa e desenvolvimento de tecnologias/produtos/serviços inovadores;
Posicionar o Rio de Janeiro como um polo aglutinador de talentos capaz de contribuir, em nível nacional e internacional, com o avanço da Ciência de Dados e da Inteligência Artificial.
A segunda iniciativa de destaque é o recém criado Grupo de Estudos Tecnologia Blockchain em Aplicações de Interesse Público, promovido pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS Rio), em parceria com o Instituto de Referência em Internet e Sociedade de Belo Horizonte (IRIS BH).
O grupo será conduzido por 12 encontros distribuídos ao longo de 12 meses, nos anos de 2017 e 2018, realizados inteiramente online e ao vivo (ie: por videoconferências), e o documento que surgirá como resultado do grupo de estudos será um guia de melhores práticas e orientações específicas para o desenvolvimento de aplicações de interesse público baseadas na tecnologia blockchain.

Finalmente, cabe salientar que estaremos coordenando painéis sobre os temas acima tratados no próximo congresso RioInfo 2017, que terá lugar na nossa cidade de 25 a 27 de setembro.
No dia 25 ocorrerão dois painéis que discutirão, respectivamente, os aspectos de regulação e da privacidade da Internet das Coisas (IoT) e as características e potencialidades do uso da tecnologia Blockchain.
No dia 26 haverá um painel que tratará do tema do Futuro da Profissões, seguida de uma apresentação de membros da equipe da Globo.com sobre a estratégia da empresa no desenvolvimento de suas aplicações e na exploração dos big data e da ciência de dados para os seus produtos de mídia digital.
Finalmente, no dia 27 participaremos de uma ampla discussão sobre a Ciência de Dados e a Inteligência Artificial, no âmbito das atividades do CDIA.
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