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Aplicações na Gestão Pública

O projeto apresenta as atuais iniciativas de aplicação da tecnologia Blockchain no mundo, seus benefícios e conceitos e as implicações para sua adoção.

A estrutura preconizada no artigo “Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System” (Bitcoin: Sistema Peer-to-Peer de Dinheiro Eletrônico, tradução FL) de Satoshi Nakamoto (2009), precisa ser melhor entendida para sua aceitação pelo setor público ser mais assertiva.

O trabalho irá apresentar os principais conceitos estruturais da ferramenta, as aplicações e os possíveis custos envolvidos na adoção tendo em vista os desafios apresentados aos municípios pela Constituição da República Federativa do Brasil, em seu Capítulo IV.

Atualmente, os modelos de relacionamento social e de transações vêm sofrendo profundas mudanças com a escalada do custo médio destas interações. Mais do que simplesmente propor uma tecnologia para redução de custos, o Blockchain também irá propor algumas alterações na forma de organização da sociedade. O seu principal produto, o BITCOIN, propaga o fundamento de descentralização do controle dos meios de pagamento extinguindo a necessidade de uma autoridade central para emissão de moeda.

Tendo isso em mente, a intenção é promover o debate de como os governos locais podem se beneficiar deste modelo de gestão transacional descentralizada.

Obs. A intenção é de que cada fato ou conceito tenha ligado a si uma fonte externa de conhecimento que em alguma vezes estará em outras línguas. Se houver a necessidade de tradução de tais documentos no desenvolver deste projeto isto deverá ser indicado para o(s) coordenador(es) para que isso possa ser analisado e realizado.

O projeto Blockchain Menu

Este trabalho irá catalogar, de forma colaborativa, as atividades desenvolvidas no mundo para a adoção de Blockchain na gestão pública, portanto, não pretende ser exaustivo.

A principal preocupação do atual texto é deixar o processo de adoção do Blockchain mais palatável para os agentes da administração pública. Privar gestores públicos, e a população em geral, da compreensão do uso de novas tecnologias não é uma opção nesta quarta revolução industrial.

Logo, proponho a criação de um cardápio de iniciativas que estão sendo desenvolvidas ao redor do mundo e que seria interessante serem testadas no Brasil. No entanto, isto não basta. Para auxiliar nesse processo é preciso explicar o que é o Blockchain e quais os pré-requisitos para sua adoção. Conceitos como proof-of-work e não repúdio precisam estar solidificados para que a decisão seja acertada.

Certamente, a proposta não é ser o único autor deste documento, mas sim um facilitador inicial da colaboração para difundir o conhecimento sobre o conceito e suas aplicações. A intenção é que tanto os bons exemplos, quanto os maus, estejam representados para que o aprendizado possa ser completo.

Esse caminho não será fácil, no entanto, imbuído pelo cerne da própria ferramenta, que tem a capacidade/funcionalidade de catalogar de forma quanti e quali todas as transações humanas ali inseridas, pretende-se chegar a análises das decisões sobre a sua adoção de forma cada vez mais completa. Um exemplo que pode ser citado é que aos poucos os logs de adoção de BIM (Building Information Modeling — Modelagem da Informação da Construção, tradução FL) vão sendo catalogados em webinars, lives, áudio/podcasts e bancos de dados completos de obras viabilizando uma gestão e um entendimento mais profundo sobre o comportamento humano no planejamento, execução e gestão de ativos imobiliários.

Mas o que é o Blockchain (Corrente de Blocos)?

O Blockchain é um sistema de dados e lógica distribuídos.

http://www.coindesk.com/information/what-is-the-difference-blockchain-and-database/

Diferente do modelo centralizado, atualmente difundido.

http://www.coindesk.com/information/what-is-the-difference-blockchain-and-database/

Comumente chamada de tecnologia da confiança, ou internet das transações ou do dinheiro, a plataforma vem sendo testada para um sem número de estudos de caso. As promessas de valor variam entre tornar as informações registradas imodificáveis e públicas, a criação de consenso entre atores, criação de contratos inteligentes e a redução de custos transacionais, A miríade de aplicações é extensa, mas vista com cautela por executivos de tecnologia do mercado.

O Blockchain foi desenhado para cortar os intermediários de uma transação de forma segura. Ele faz isso por meio da criação de um bloco de informações sobre transações entre indivíduos (peer-to-peer). Cada bloco de informações é então verificado e sincronizado com cada um dos participantes desta rede distribuída para assim ser escrito no sistema de forma definitiva. Até que isso ocorra, nenhuma nova transação pode ser executada com aquele mesmo ativo transacionado, evitando a duplicidade de transações de um mesmo ativo. Qualquer individuo (pessoa, empresa ou máquina, com acesso a internet) pode fazer parte e se definir como um nodo desta rede distribuída. Todos os nodos tem uma cópia completa de todas as transações já realizadas até aquele momento.

Enquanto essa forma redundante e descentralizada de trabalho garante um alto nível de segurança, o processo é demorado e custoso. Com uma rede distribuída você garante que cópias do sistema e dos dados estejam em cada nodo e a eliminação de um destes nodos não representa qualquer ameaça para o funcionamento de toda a rede. O custo elétrico para a realização do processo de verificação e sincronização (mineração) é altíssimo e aumenta a cada novo participante/nodo. O benefício é que cada transação é pública (valor e horário) e os usuários conseguem manter seu anonimato.

Fonte: OR Blockchain Investments (https://www.slideshare.net/pjunqueira/or-blockchain-investments)

Um Blockchain Público, como acima descrito, é mais apropriado quando a rede precisa ser descentralizada. Ou ainda, quando a total transparência do livro-razão ou o anonimato do usuário é imprescindível. Os custos são altos e o tempo de registro maiores que em correntes privadas, mas ainda são mais rápidos e menos caros que os atuais métodos e sistemas de contabilidade usados atualmente.

Um Blockchain Privado permite que haja intermediários, de forma controlada. A organização detentora de uma plataforma desta será responsável por escrever e verificar cada bloco. Também fará o controle de acesso às informações desta estrutura. Isso permite que o processo seja muito mais eficiente e mais rápido, apesar de perder a segurança que uma rede descentralizada garante. Portanto, um blockchain privado em uma organização é tão seguro quanto um sistema comum, mas com os benefícios da estrutura de dados e modo inovador de disponibiliza-los da plataforma.

Um modelo deste é mais apropriado para modelos de negócio e de governança mais tradicionais sendo menos disruptivo. No entanto, indústrias como as das instituições financeiras, e mesmo governos, podem adotar este modelo que elimina uma série de custos atuais (R$ milhões) apenas para escrita e verificação de conformidade dos atuais modelos e estruturas de dados. Um exemplo é um sistema de votação nas eleições nacionais que poderia prescindir de toda mobilização de agentes da justiça eleitoral com um sistema muito mais seguro e enxuto.

Um Blockchain Consorciado é muitas vezes confundido com o anterior. Neste caso, ele é apenas parcialmente privado. Um consórcio garante um híbrido entre os dois casos acima. Ao invés de permitir que qualquer usuário se estabeleça como um nodo dessa rede, e portanto, garantidor da confiança da rede, a estrutura de governança é pré-estabelecida entre diversas organizações. Os benefícios de eficiência transacional e privacidade são garantidos. A intenção é que a liderança do projeto seja estabelecida entre mais de um ente de confiança daquela rede. Uma plataforma nesse formato seria ótimo para colaboração entre organizações.

Esta plataforma trabalha por meio de chaves criptográficas, redes distribuídas e protocolos de serviço em rede. Todos esses conceitos já são utilizados de forma separada em aplicações que consumimos atualmente em nossos celulares, computadores e servidores. A colocação destas e de outras tecnologias juntas é que permite o grau de segurança que um Blockchain alcançou. A rede mais antiga, o Bitcoin de 2009, até o momento não foi hackeada.

Outro ponto interessante de se fazer é a diferenciação entre um Blockchain e um banco de dados comum, o que os diferencia são, inicialmente, parâmetros de arquitetura e decisões de gestão. No entanto, não é um bálsamo para todos os problemas, existem questões que são barreiras para o seu desenvolvimento, como: sua complexidade, tamanho, preço, velocidade, segurança e questões políticas. O que promete é gerir e assegurar de forma eficiente relações digitais em um sistema único de catalogação de dados/ativos.

Evolução dos sistemas de controle de dados contábeis:

Livros-razão, a pedra basilar da contabilidade, é tão antigo quanto a escrita e o dinheiro. (Tradução FLMN) http://www.coindesk.com/information/what-is-a-distributed-ledger/

De forma simples e estruturada esta imagem explica a contabilidade distribuída, ou distributed ledger (banco de dados dinâmico, mantido de forma independente), que estrutura o Blockchain. Desde tábulas de barro (datada desde a própria invenção do dinheiro) até as planilhas digitais, nosso sistemas de catalogação vem melhorado consistentemente. O Blockchain então é composto por uma rede peer-to-peer e de um banco de dados distribuído que garante a função de controle sobre a contabilidade.

Dado este cenário, cabe apresentar com mais profundidade os temas acima mencionados e trazer as iniciativas que estão sendo desenvolvidas pelo mundo com o envolvimento dos governos nacionais, regionais e locais.

Principais Benefícios

O Blockchain foi estruturado para solucionar questões que atualmente enfrentamos em nossos momentos transacionais. Desde a privacidade daqueles que negociam na rede até a criação de consenso em como manter essa rede distribuída são questões endereçadas pela ferramenta.

Os benefícios advindos do Blockchain advém da própria lógica empregada na sua criação. A seguir apresenta-se as principais características e benefícios:

Descentralização

A rede é formada e gerida por aqueles que participam do Blockchain (público ou privado), cada participante é chamado de nodo e estes tem a função de escrever os blocos e controlar a gestão da rede sem uma autoridade única. A descentralização garante que qualquer problema com um participante da rede não afete o funcionamento da mesma, eliminado o ponto único de vulnerabilidade. O consenso entre os participantes faz com que novas regras sejam criadas e seguidas. Em casos de não consenso há a possibilidade de separar os ativos em duas correntes distintas, cada uma com uma regra (a depender do tipo de governança escolhido)

Rede Centralizada vs. Rede Distribuída

Não Repúdio ou Irretratabilidade

Um sistema que garanta o Não-Repúdio de um ato é aquele que catalogue provas de quem fez o que e onde e preserve as evidências necessárias para dirimir qualquer disputa e possibilite a realização de em um processo de auditoria. Ou seja, não é possível negar a autenticidade de um ato/documento.

Autenticidade

A autenticidade é a certeza de que o objeto/ato/documento em análise provém das fontes anunciadas sem qualquer mutação ao longo do processo de confecção ou disponibilização da informação.

Consenso

O consenso em uma rede Blockchain se dá por meio de um algoritmo. Em uma rede pública os participantes não se conhecem. Quando existe a necessidade de atualização deste catálogo (livro-razão), ou registro de novas transações, há a necessidade de decidir qual dos atores terá a autoridade momentânea de fazê-lo e os demais o seguirão. Isso é decidido de forma democrática por meio de um algoritmo de proof-of-work (ou prova de trabalho, tradução FLMN), onde em média a cada 10 minutos a plataforma envia um “enigma”, chamada chave hash, à rede. A solução desta chave se dá por competição, aqueles com maior poder de processamento tem uma chance maior de vencer. O prêmio em uma rede Bitcoin, por exemplo, é o acesso a 12,5 unidades de valor monetário atualmente (o prêmio já foi de 50 BTC por transação).

Em uma rede privada ou consorciada os participantes se conhecem e a transação será feita com um ativo que seja comum àquela cadeia de valor, como por exemplo um medicamento que vai desde o fornecedor de matéria prima, produtor, transportador até o consumidor final. Neste caso, o mecanismo será simplificado pois a cadeia de valor se conhece e o importante é garantir que o processo seja auditável pelos membros. Garante-se desta forma a autenticidade do participante.

Disponibilidade

Garantia que os dados e informações estejam disponíveis o tempo todo por meio da distribuição da informação entre os nodos.

Confidencialidade

Garantia de que a informação só seja acessada por aqueles que são autorizados. Neste tema entra também o conceito de governança que normatiza o acesso dos atores da rede às informações, ainda que um destes atores não seja a origem ou destino da transação. A privacidade é um tema que vem sendo discutido à exaustão e a governança sobre os dados dessa rede é fundamental para garantia de funcionamento. Na rede formada pelo Bitcoin (BTC), a identidade dos atores que transacionam valores é preservada mas a informação sobre horário e valores é pública, por exemplo.

Bloco Gênese

No Bloco gênese é codificado o a arquitetura de software, banco de dados e rede e serve como o estado inicial do sistema. Ele pode conter informações lógicas, regras e instruções sobre o banco de dados. Uma vez iniciado um blockchain, o banco de dados é consolidado a partir dos blocos que juntos formam uma cadeia (chain). A cada nova informação ou transação um novo bloco é escrito na cadeia e a plataforma garante que não haja mutações futuras sobre aquilo que foi escrito previamente.

As vantagens do Blockchain podem ser resumidas em 10 pontos chaves:

1. Eliminação de intermediários e da falta de confiança para troca de ativos

2. Empoderamento dos usuários, fundamental para um governo aberto

3. Alta qualidade e riqueza dos dados

4. Durabilidade, confiabilidade e longevidade

5. Integridade dos processos

6. Transparência e imutabilidade

7. Simplificação do ecossistema em um único livro-razão

8. Transações mais céleres

9. Menor custo por transação

10. Nato-digital

O que considerar para a decisão?

É importante ressaltar que a tecnologia não é uma panaceia para todos os problemas estruturais de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) ou mesmo das áreas de negócio do setor público.

Os governos ao redor do mundo vem mostrando um espírito empreendedor com relação ao Blockchain, mas sem o devido rigor científico necessário para administrar as inovações, segundo documento publicado pelo Gartner (Toolkit: Government Use Cases for Blockchain, 21/02/2017 — Rick Holgate, David Furlonger e Hick Howard). Neste documento e outros publicados pela mesma empresa é demonstrado quais os desafios que os governos estão enfrentando para adoção da ferramenta.

Em Are you Reday for Blockchain — Infographic de Kasey Panetta (05/06/2017), o analista levanta a seguinte lista de temas para alertar o gestor público sobre essa decisão:

· Imaturidade Tecnológica

· Risco Operacional

· Gestão/Governança de Parcerias e Ecosistema

· Gestão da Mudança

· Insucesso do projeto ou expectativas não endereçadas

· Segurança e privacidade

· Implementação

· Duplicação de sistemas (inicialmente)

· Integração

Levando em consideração estes pontos levantados é de fundamental importância analisar os riscos envolvidos e entender se o blockchain de fato irá atender ou resolver o desafio ao qual o projeto se presta a solucionar.

E para isso o artigo de Holgate, Furlonger e Howard define 6 dimensões de trabalho para que as decisões possam ser tomadas de forma mais madura.

Escopo — Identificar oportunidades de uso para a tecnologia com clareza sobre os benefícios sobre o modelo de negócio;

Localização — Identificar tecnologias e inovações relevantes para o modelo de negócio, o blockchain não deve ter um fim em si mesmo;

Classificação — Elencar as opções tecnológicas encontradas e selecionar candidatas baseadas em informações precisas sobre seus benefícios e riscos de adoção;

Avaliação — Após o processo de definir um uso de caso, a tecnologia correta a ser adotada, os parceiros selecionados e um projeto piloto para prova de conceito for iniciado, avaliar de forma clara e objetiva os resultados alcançados e rever os critérios de escolha anteriormente definidos.

Uma vez que um projeto tenha apresentado o resultado esperado, os governos deverão evangelizar seus demais servidores para que o projeto ganhe escalabilidade. Ou seja, comunicar e convencer sobre os benefícios da adoção e dar coragem aos órgãos a adotar a ferramenta.

Quando a solução começar o processo de escalar para os demais órgãos, o núcleo de trabalho inicial deve transferir todo seu know-how para que uma organização com musculatura imprima um ritmo de trabalho para a produção e operação da solução em larga escala.

A decisão sobre ir sozinho ou participar de outras iniciativas já existentes também é importante. Um processo licitatório para compra de soluções Blockchain pode não ser o formado ideal pois, como qualquer outro desenvolvimento inovador, a comunidade em volta do tema deve ser partícipe para que as ideias sejam compartilhadas e a decisão sobre qual projeto pilotar primeiro seja uma decisão compartilhada.

Iniciativas como a do The Blockchain Research Institute, Hyperledger, r3 e até mesmo a Enterprise Ethereum Alliance são possíveis parceiros a serem procurados para que conversas sejam iniciadas e uma eventual aliança com algum destes poderá abrir o leque de opções que estes consórcios vêm desenvolvendo com seus parceiros, podendo reduzir em muito o tempo de adoção ao permitir o aprendizado com os erros previamente cometidos por seus membros.

Aplicações Atuais

As aplicações da tecnologia vêm sendo testadas em um sem número de serviços. Estas iniciativas podem ser do atual modelo de negócio da transação, por exemplo, a compra e venda de veículos entre privados, até a substituição de uma atribuição de caráter público que está sendo prestada por um privado como o registro público de documentos pelos cartórios em blockchains privadas.

Nesta atual conjuntura é importante lembrar que governos mais avançados têm migrado para um modelo de gestão que transforma o próprio governo em uma plataforma e que oferece aos seus cidadãos meios (dados, linguagem, interface, padrões, etc.) para que eles possam, a partir da massa de dados públicos criar e explorar serviços, monitorar e auditar o governo e até mesmo realizar análises sociais sobre o comportamento daquele ambiente.

Conceito de Governo como Plataforma

Pensando nisso, abaixo são apresentadas as iniciativas que ao longo dos últimos anos tem mostrado resultados na adoção de Blockchain para entregar de forma mais eficiente e com custo transacional menor para o cidadão os serviços administrados pelo setor público.

Registros Médicos

Malta está em busca de um registro nacional dos dados de saúde de seus cidadãos assim como outras aplicações em sua estratégia nacional de se estabelecer como o Vale do Silício europeu. O Blockchain nesse caso é aplicado para garantir a privacidade dos registros médicos de cada cidadão e para facilitar a portabilidade dos mesmos frente a pluralidade de prestadores de serviços de saúde.

Registro de Documentos Públicos

O Blockchain vem sendo aplicado para assinar digitalmente, registrar e certificar documentos públicos ou privados como, por exemplo, o ato nupcial entre cidadãos. A empresa Original My provê o serviço mundialmente e um casamento brasileiro já foi registrado em seu Blockchain em 2017. O ato foi realizado sem a necessidade de uma autoridade central para oficializar o registro. É importante que os governos se adaptem a essa realidade ou serão substituídos por obsolescência.

A proposta da empresa é guardar o valor de suas criações, ideias e contratos em seu Blockchain.

Casamento de Diego Vellasco na Campus Party 2017

Registro de Propriedades Imobiliárias

A Suécia deu o próximo passo em testar o uso de Blockchain para controle de seus ativos imobiliários. Este passo foi dado após o teste de conceito realizado em 2016. A empresa Chromaway está usando um blockchain privado, onde apenas membros autorizados podem participar, e a aplicação de um smart-contract (contrato inteligente, uma aplicação auto-executável uma vez que os critérios do contrato venham a ser cumpridos pelas partes da negociação).

A ideia é que no futuro, cada parte envolvida na transação possa utilizar um aplicativo móvel para assinar um contrato de compra e venda de bens.

Países como India, Honduras, Ghana e República da Geórgia e mesmo o Brasil (Pelotas e Morro Redondo, ambas no Rio Grande do Sul) vem testado a mesma ideia e vem escalando as provas de conceito a respeito da aplicabilidade da solução. A possibilidade de disponibilização dos dados sobre propriedade, como São Paulo abriu seu registro de IPTU recentemente, são um dos benefícios da plataforma.

Outro fator importante em considerar nesta aplicação é o controle sobre os direitos de exploração do conteúdo mineral daquele solo.

Moedas Digitais Governamentais

Países como China e Canadá estão testando seus modelos de moedas digitais que irão trabalhar de forma auxiliar às moedas fiat de seus países. A proposta é possibilitar o surgimento de uma economia digital plena com uso de moedas controladas pelo Estado que seguem a regra de uso das cripto-moedas. Isso também é possível para realidades locais que podem criar suas moedas para pagamento de serviços públicos.

Votação

Apesar de estar um tanto longe de se conseguir utilizar o Blockchain como sistema nacional de votação já existe aplicações onde votações corporativas já são realizadas e seu uso já foi testado recentemente na Colombia em um processo de paz para expatriados do país. A ONG Democracy Earth Foundation viabilizou a iniciativa.

Fonte:Democracy Earth Foundation

Orçamento Público

O alto custo de registro e controle das atividades fiscais podem ser reduzidos uma vez construídos sobre uma estrutura de livro-razão distribuído. Um candidatado a prefeitura de Londres de 2016 propôs o uso da plataforma para garantir que o orçamento público fosse disponibilizados em um Blockchain.

Transformações industriais

O crescente interesse do mercado em aplicar blockchain e outras iniciativas de tecnologia de livros-razão distribuídos fez com que uma comissão da União Europeia iniciasse um trabalho de formação de um ecossistema mais consistente para o desenvolvimento da tecnologia e para que o governo passe a entender em profundidade as aplicações da plataforma. O interesse em entender como a tecnologia pode ir além do setor financeiro que já está em franca adoção passa por estudar os riscos e ameaças a pequenas e médias empresas.

Nota do Autor

Existe uma série de iniciativas importantes aplicando o Blockchain para uma miríade de soluções governamentais que visam à redução dos custos transacionais e a transformação do governo em uma organização digital.

É cedo para afirmar quando a aplicação desta nova estrutura organizacional ganhará a musculatura que a internet ganhou nos últimos anos. O atual momento do Blockchain (8 anos da sua criação) se assemelha ao início da década de 1990 para a internet, quando os primeiros objetivos da ARPANET estavam concretizados e a rede formada. Existem hoje mais de 100 cryptomoedas baseadas em Blockchain e este, é apenas o começo.

É importante que governos iniciem sua jornada de aprendizado sobre a tecnologia e passe a formar agentes públicos que entendam os desafios, mas que principalmente, vislumbrem os possíveis impactos que possam beneficiar a gestão pública e torna-la mais eficiente.

Continuando o assunto. Depois de algum tempo:

Após algum tempo sem contribuir para este conteúdo, gostaria de relatar algumas das minhas opiniões a respeito do que venho aprendendo.

O foco em blockchain no curso de Dados Abertos que realizei na Escola de Políticas Públicas foi libertador no sentido de ter me feito aprofundar sobre o assunto. A aplicação de dados abertos foi uma descoberta incrível que me fez querer saber mais sobre esse protocolo de garantias. Esse tripé de rede, cripto e ledger montou uma estrutura de incentivo comportamental. Pessoas estão dispostas a gastar dinheiro para garantir que haja uma forma de transacionar em rede preservando parte de sua privacidade. Muitos dizem que a rede do bitcoin, a mais antiga, é cara e ineficiente e que um dia essa rede vai sucumbir em taxas transacionais. Me custa acreditar que será o caso. E falando nisso, essa não é a única rede por aí. Nesses últimos meses passei a entender com maior profundidade o funcionamento de pelo menos alguns dos elementos dessa evolução.

Depois da publicação deste Texto pela primeira vez, pude participar na organização de um evento transmitido live no YouTube no Brasil que teve 500+ inscrições para uma manhã de discussão sobre o tema com um dos grandes vendedores de livros e muitas vezes conselheiro de organismos internacionais e profissionais brasileiros envolvidos nos mais variados casos de uso. Fechamos acordo de cooperação entre o Estado de São Paulo e um instituto de pesquisa canadense para o desenvolvimento da cultura e investimento local na plataforma. Fui convidado para fazer parte da turma de 2017 de pesquisadores de um centro de pesquisa de tecnologia e sociedade. Faço parte de alguns grupos de discussão à respeito, inclusive o do MOOC que faço como preparatório para o mestrado em Moedas Digitais no Chipre, em busca de patrocínio para este, acompanho o trade das principais coin/tolkens. Estamos discutindo o assunto nos conselhos de TIC no Estado. Existem algumas iniciativas no Estado para pilotar projetos usando distributed ledgers ou até blockless chains (ainda apreendendo sobre o que é isso) e tudo isso nesse meio tempo da última publicação para cá.

Foi nesta minha recente experiência, trabalhando na cultura organizacional do Estado, que pude aprender sobre as Redes formadas com diversos incentivos econômicos e sociais da sede de um governo. Pude conhecer gente muito boa de serviço entregando políticas públicas estruturadas.

Após um período trabalhando com análise de riscos de projetos de governo, acompanhamento e desenvolvimento de projetos de ppp e a criação de uma porta única de entrada de projetos de parcerias, um estágio no conselho do Patrimônio Imobiliário e por fim na tentativa de trazer Inovação para esse canteiro de obras que é a gestão pública sugeri a adoção de Building Information Modeling (BIM – Modelagem da Informação da Construção). Frente à recente diminuição do efetivo de TIC na gestão, pedi a oportunidade de trabalhar na Coord de TIC. Aqui se cria e delibera sobre políticas públicas de TIC. Nuvem, VOiP, etc. mas parecia que o mercado de novidades do lado de fora não tinha penetrado a grossa camada do Estado. Envolvi a equipe e mais alguns colegas de curso abaixo citados na revisão deste texto e assim consegui que um número de pessoas um pouco maior refletisse sobre blockchain.

Devo em breve voltar aqui para catalogar com maior precisão alguns steps do texto e também caprichar nos exemplos. Se conseguir entrevistas com as pessoas que são responsáveis pelos projetos mencionados irei compartilhar.

Mas queria propor um projeto do ponto de vista de um cidadão. A PPP Cidade Albor é, literalmente, a criação de uma cidade green field, uma fazenda na frente do aeroporto de Guarulhos que será transformada em um aglomerado urbano que suportará 50–60k pessoas/dia. A licitação ainda está em aberto. E se esse projeto fosse feito em BIM, e que todo o banco de dados do BIM mais as transações ao longo de 20 anos fosse escrita em Blockchain. E podemos acrescentar a isso, formas descentralizadas de produção energética, transações m2m, transparência, you name it, e avaliamos este piloto para irmos construindo na sequência os modelos escaláveis. Imagina uma economia com internet de tudo e internet de valor (prefiro olhar o Blockchain sob uma perspectiva de garantias mais do que do que de confiança). Out… working

Lista de Pessoas que contribuíram com o texto:
Mariana Pereira
Camille Moura
Laila Bellix
Carlos Nunes Salgado

Referências e Catálogo de Links Recomendados

1. buff.ly/2p6W6tC

2. http://www.healthcareitnews.com/news/3-principles-better-understanding-blockchain?utm_content=buffer768b3&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer

3. http://cafehacker.prefeitura.sp.gov.br/

4. http://eds.b.ebscohost.com/Legacy/Views/static/html/Error.htm?aspxerrorpath=/eds/pdfviewer/pdfviewer

5. http://www.blockchaindailynews.com/The-difference-between-a-Private-Public-Consortium-Blockchain_a24681.html

6. http://www.goldmansachs.com/our-thinking/pages/blockchain/

7. http://www.healthcareitnews.com/news/3-principles-better-understanding-blockchain?utm_content=buffer768b3&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer

8. http://www.iftf.org/blockchainfutureslab/

9. http://www.iftf.org/future-now/article-detail/understand-the-blockchain-in-two-minutes/

10. http://www.nesta.org.uk/blog/blockchains-personal-data-and-challenge-governance

11. http://www.reuters.com/article/us-global-tech-blockchain-idUSKBN14U1X5

12. https://bitcoinfees.21.co/

13. https://blockgeeks.com/guides/what-is-blockchain-technology/

14. https://en.wikipedia.org/wiki/Bitcoin

15. https://www.google.com.br/search?q=5+waves+of+blcokchain&ie=utf-8&oe=utf-8&client=firefox-b-ab&gws_rd=cr&ei=s9xTWYf5H4HImwHSl4XABg#newwindow=1&q=5+waves+of+blockchain

16. https://www.innovations.harvard.edu/blog/blockchain-top-10-areas-ripe-government-innovation

17. https://www.youtube.com/watch?v=OQsEVC5O-xQ

18. http://www.healthcareitnews.com/news/3-principles-better-understanding-blockchain?utm_content=buffer768b3&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer

19. https://cointelegraph.com/news/london-candidate-proposes-mayorschain-a-blockchain-created-to-throw-city-halls-books-wide-open

20. https://hbr.org/2017/03/using-blockchain-to-keep-public-data-public