o medo nasce da vida, se encolhe e entra escondido pelas minhas narinas, arranha com suas unhas finas o interior dos meus pulmões; depois se estica,
invade minhas ruínas, se masturba em cima dos escombros e vomita nos vincos das minhas articulações frágeis. 
a morte me aconchega em seu peito macio de osso enquanto conta baixinho que ela pode vencer o medo, e rapidamente me faz acreditar que seria prudente que eu lhe confiasse a vida.
a morte se apaixona desvairadamente pela vida. a morte é quem me convence das coisas.
o medo me tem nas mãos, mas me sufoca carinhosamente e de mansinho

pra que eu não deixe de confiar na morte.

(no próximo capítulo, a morte e a vida fodem três vezes seguidas em cima do tanque de roupas do quintal)