Vazia

Todos temos uma garrafa de vidro. Todos os meus amigos colocaram meninos, meninas, e vários outros lá dentro. Alguns amigos engarrafaram um ao outro e todos acharam o máximo. Eu também achei o máximo em alguns casos. Em outros, eu podia até não gostar das escolhas, mas preferia deixar a criatividade deles em paz. Algumas pessoas não prestam, e vê-las na garrafa de um amigo às vezes me deixava preocupada, mas eles aprenderam muito desse jeito.

Minha garrafa está vazia. A maioria acha que é porque eu tenho medo de quebrá-la, riscá-la, ou que não achei o conteúdo perfeito pra ela. Me fizeram acreditar que se nunca quisesse engarrafar nada, eu teria tido um objeto inútil e iria me lamentar muito no futuro. Eu, tão aberta a elogiar outras garrafas, não haveria de querer encher a minha própria? Não. Minha garrafa me levou a aprender muitas coisas e a observar os outros. Se eu a seguro à minha frente, acabo tendo uma baita duma luneta. Segue uma lista de coisas que observo nesse momento:

  1. Ter a garrafa cheia não te faz necessariamente mais sábio.
  2. Ter uma garrafa quase vazia não faz com que ela seja mais valiosa.
  3. Alguns preferem encher com o que é oposto a si
  4. Alguns preferem encher com que é parecido consigo
  5. Alguns misturam tudo ou não veem diferença
  6. Todo mundo tem uma garrafa para si, por que diabos tem quem queira mandar na dos outros?
  7. Há pessoas com garrafas meio quebradas com o tempo ou mau uso ou defeito de fábrica, mas, segundo os japoneses, há beleza no que está danificado também.

Pessoalmente, acho que a minha não serve para engarrafar pessoas, serve pra que eu use como quiser. É uma garrafa perfeita pra mim, que não coleciono amores, mas coleciono histórias que vi por aí através dela.

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