E o brilho na luta?

Estou triste.

Passei 4 dias (na verdade mais de uma semana) brilhando, pulsando, me espalhando pelos corpos desse país.

Vivi em 4 dias intensamente.

Nunca me vi tão bela em tantos lugares, em tanta gente como neste ano.

Um ano que prometeu ser de luta, de resistência de palavras de ordem e de indignação.

Trouxe comigo a alegria.

Com ela eu vi e ouvi meus foliões berrando a plenos pulmões “Fora Temer”, “Volta Democracia”, “Diretas já!”.

Estávamos juntas, passando de corpo em corpo, sendo compartilhadas a cada abraço, beijo, música.

Ficamos felizes vendo que a energia que estávamos ajudando a passar seria para a luta que está por vir ao longo do ano!

Todo o brilho que eu colocava nas pessoas (algumas ainda estão brilhantes), toda vida que a alegria trouxe neste carnaval, todas as palavras de ordem gritadas…

Criei uma grande expectativa.

Achei que todas aquelas pessoas iriam continuar nas ruas. Todos aqueles músicos, todo aqueles foliões a quem emprestei meu brilho…

Estou triste.

Ontem (15/03/2017) vi muitas pessoas nas ruas querendo mudanças, lutando, indignadas, o que me encheu o peito de alegria. Contudo, procurei pelos corpos conhecidos nos quais brilhei e vi poucos.

Procurei os músicos que puxaram inúmeros gritos de mudança…

Vi poucos…

Eu vi um povo que estava lutando lindamente, mas não vi a maioria dos meus foliões a quem emprestei meu brilho. A quem a Alegria emprestou vida. A quem, juntas, empurramos durante (mais de) 4 dias a fio.

Qual o motivo de ver muitos corpos novos gritando e pulando de indignação? Lutando?

Penso que essa maioria não teve o privilégio de pular o carnaval e viver intensamente junto com meu brilho e com a Alegria. Talvez estejam lutando desde sempre e não podem abrir mão dessa luta. Eu que não percebi. Eu olhei com tanto gosto e ouvi com aquelas vozes com tanta garra que talvez tenha me esquecido que talvez muitos que ali estavam não abracem a luta, não precisem. Ou talvez só estejam dormindo e irão despertar em breve(assim espero).

Não, não quero acreditar que são filhos do privilégio e que de fato nada muda para eles. São meus foliões e eu senti pulsar a indignação!

Não posso estar errada!

São meus músicos e eu voei entre suas notas!

Não posso estar errada!

Meus foliões abraçarão essa luta! Meus músicos entoarão ao longo do ano as notas de indignação que todos os que não tem privilégios precisam ouvir!

Falam que o carnaval não acabou, isso não sei. No momento não me importo.

Quero ver todos os foliões e músicos na rua (sim!), mas juntos àqueles que precisam. Juntos na luta, por tudo que berraram durante esses 4 dias.

Deixo aqui meu pedido.

Quero brilhar novamente, mas lutando. Dessa vez com a Indignação como companheira constante.

A Alegria, ah… essa vai voltar, mas depois que a luta estiver consolidada.

Acordem! Venham! Abracem! Quero ver toda a energia e brilho que receberam no carnaval andando pelas ruas, lutando por quem de fato precisa!

Não me decepcionem, por favor, meus queridos foliões!

Lutem!

Ass: Purpurina.

A single golf clap? Or a long standing ovation?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.