Flor de maracujá
Sep 4, 2018 · 3 min read

Identidade

Hoje eu estava dando aula de arte para meus alunos e quando falei do incidente de ontem, a trágica morte do Museu Nacional, eu percebi como eles pouco entendiam sobre o que se tratava e ainda menos A gravidade da situação. Ao longo do dia após a aula dada para, aproximadamente, 90 adolescente e depois de ler vários textos e ouvir dizeres de adultos sobre a falta que o Museu Nacional não fará e como só existe coisa velha e o uso despropositado; desnecessário de espaço público; gasto do dinheiro público à toa, eu refleti e percebi que a falta desse entendimento é a falta do sentimento de identidade. Talvez eu só tenha percebido nesse momento de reflexão a partir da das emoções que vieram com essa tragédia e da tamanha perplexidade em relação à não comoção de muitas pessoas. Isso me fez entender que a gente está com uma grande lacuna, uma grande ruptura no nosso coletivo, no nosso coletivo identitário. No atual contexto em que vivemos, que os rótulos políticos, de opinião nos segregam dos nossos pares, vejo que isso é um resultado muito esperado pois nós não estamos reconhecendo pessoas próximas, nós não nos reconhecemos locais da nossa própria história. Não é empatia que falta somente. É identidade e a gente se reconhecer. E talvez seja por isso que nós estejamos nos apegando tanto a rótulos políticos, a rótulos sociais porque nós não sabemos mais o que nós somos enquanto brasileiros, nós não sabemos mais o que é importante para gente, a gente não sabe mais se reconhecer e reconhecer o outro. A morte do Museu Nacional mostra isso pra gente. Depois do dia de ontem e do dia de hoje, eu percebo que a gente não vai mudar o panorama do Brasil enquanto a gente não se reconhecer e não vai ser por apoiar político ou negar a existência da outra pessoa ou rotular a partir de uma opinião, de um pensamento que se tem, ou nós mesmos rotularmos a partir do que nós pensamos. A identidade vai ser feita a partir do reconhecimento do outro, a partir do reconhecimento coletivo, a partir da nossa história. Infelizmente ontem nós perdemos uma grande peça, uma gigantesca parte da nossa identidade, parte que nós somos. Talvez algumas pessoas não consigam reconhecer que o Museu Nacional era parte importante da nossa identidade brasileira, assim como eu que talvez só tenha me dado conta neste fatídico dia, mas acho que a partir de hoje, cabe a nós passar a reconhecer e pensar no coletivo, Não somente o social, não somente as ações que fará um bem para os os menos afortunados ou para os mais afortunados, mas o coletivo enquanto identidade. Reconhecer a pessoa que está ao seu lado é reconhecer a nossa história coletiva. A nossa identidade que nos mostra quem nós somos, que nos diz pra onde rumar.

Ao Museu Nacional e a tudo que ele representou e a tudo o que representará a partir de sua morte.

Flor de maracujá

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