Antigamente

Antigamente o Fluminense sempre vencia o Vasco. Lá pelos anos 80 era sempre fácil. Tanto é que até título nacional o tricolor conquistou em cima do Cruzlmaltino. E bem no dia do jogo o título estava completando aniversário. 33 anos.

Antigamente também era o nome do restaurante onde eu estava durante o primeiro tempo da partida. Bem longe da tv, eu mal consegui ver o Luis Fabiano subir sozinho e marcar o primeiro gol deles. Também não vi direito a bola na trave que poderia ter sido o gol de empate perto do fim dos 45 minutos iniciais. A bola na trave foi o sinal de que as coisas não seriam como antigamente.

Ultimamente só tragédia contra eles. Sou de um tempo onde nem ligo muito pra jogo contra o vasco. Derrota ou empate são os resultados mais esperados. Vitória? Quase comemoro como título.

Mas recentemente a história começou a tomar outros rumos. Eu acho que foi tudo por causa do Joaquim. Duas vitórias incontestáveis. Dois 3x0. Dois chocolates.

Eu até achei que o que vinha acontecendo recentemente ia prevalecer no segundo tempo. Só que durante o intervalo o tempo fechou. O vento frio veio e mexeu com meu otimismo e com o sinal da Sky. Sem imagem e sem perspectiva de um resultado positivo. A necessidade de ir embora dali era o motivo perfeito para fugir e não presenciar uma derrota.

Torcedor que é torcedor nunca de fato desiste.

No caminho até o metro dividia minha atenção entre buscar notícias no celular e em não ser atropelado pelo VLT.

O 4G só foi ajudar já dentro da Carioca.

Gol do Ceifador. Nosso improvável artilheiro.

Vibração não muito contida no meio da estação e uma mensagem para compartilhar a alegria com quem ficou por lá.

No fim das contas, acabei sendo o emissor da boa nova. O sinal ainda não havia voltado por lá.

E antes de conseguir entrar no metrô já tinha outra boa nova para mandar. Mais um gol do ceifador, o artilheiro tricolor.

E nada da Sky voltar a funcionar por lá.

O problema afinal de contas não era os 3 volantes do Abel. Tudo por causa de uma tv amaldiçoada. Só ali me dei conta que talvez o restaurante fosse de um vascaino. Vantagem no placar, era hora de jogar com inteligência, explorar contra-ataques e acima de tudo deixar aquela televisão desligada.

Eu tentei transmitir esta última tática, mas o sinal de lá foi mais rápido do que o do meu celular. O gol foi um triste spoiler que só fui receber quando o metrô chegou no catete. Cacete!

Contra a tv azarada me pequei ao pézinho quente do Joaquim e seu recente histórico de duas vitórias no Brasileiro.

Tudo ficou mais complicado e tenso na hora que começou a linha quatro. Bilhões gastos ali pra deixar meu celular sem sinal.

E quando voltou, já no meu destino final, as notícias vieram em cascata. Uma pior que a outra. Gol do Vasco, Marquinho e Maranhão em campo e gol do Vasco de novo. E aquela altura já era fim de jogo.

Tudo culpa da tv.

São Januário. Estádio desgraçado. Nunca fui e nunca vou pisar por lá.

Ainda bem que Joca não viu isso.

Returno é no Maraca e ele já vai estar por lá.

A história vai ser diferente.

Vou omitir essa derrota pra ele da história. Vou contar só das vitórias do Carioca.

Faltam 35 rodadas pra alguma coisa boa nesse campeonato acontecer e 3 meses pro Joaquim aparecer.