Mais um folião

Nunca é tarde pra começar a gostar de carnaval.

Não era do samba, da farra, da folia. Não cantava marchinha, muito menos sabia manusear uma serpentina. Em Fevereiro, do bloco, da muvuca, fugia. Nunca sequer um dia na vida vestiu uma fantasia.

Um belo dia tudo mudou. Talvez tenha sido o porre de Catuaba que tomou no Ano Novo. Resolveu gostar da bagunça. Um revolução purpurinada. Chega de ficar em casa, fugir pras montanhas ou ir ao Cinema.

Esse ano vai ter agito! Mamãe eu Quero! Glitter, sacolé e muito confete. Que horas é esse tal de Minha Luz é de LED?

Vários amores de Carnaval. Chorar por uma colombina. Beber em qualquer esquina. Acordar cedo! Só precisa pensar em uma roupa. A diversão só acontece se estiver fantasiado.

O problema é a falta de ideia. Por enquanto, só conseguiu pensar em colocar purpurina na barba.

A folia é logo ali. O tempo corre. E, ao invés de trabalhar, ele pensa. Vê lista de filmes, personagens de TV e até de Memes. Muitas possibilidades e ao mesmo tempo possibilidade nenhuma. Falta traquejo carnavalesco.

O telefone toca e ele leva um susto. Na sala do chefe, AGORA! Nem tem o trabalho de pensar no que pode está por vir. Uma fantasia é a maior prioridade.

Entra na sala como quem já quer ir embora. Nem aceita o convite para se sentar. O chefe é curto e direto.

Você vai trabalhar no Carnaval.

O Mundo para de girar.

A vida que ele não vai ter passa diante de seus olhos.

Já era o confete e a serpentina. Esquece a purpurina, o sacolé, a colombina… Bloco do eu sozinho na minha sala encarando a tela do computador.

A resposta também foi curta e direta.

Eu me demito.

É bom que agora dá tempo de passar no Saara.

A folia tá garantida.

Como fazer depois, quando as contas começarem a chegar?

Bem, o ano mesmo só começa em Março. Logo numa Quarta-Feira de Cinzas.

Tem muito bloco pra passar até lá.

Allah-la-ô ô ô ô ô