#Match ou palmas?

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Um olhar sobre as novas (e futuras) campanhas eleitorais.


Morreram as visitas chegando de D-20 às casas dos candidatos às 22h de uma terça-feira e saindo às 03h da quarta cheios de suspiros de esperança ou de tristeza. Junto delas morreram os “buzinaços” e “bandeiraços” madrugada a dentro.

Morreram os puxa-puxa, empurra-empurra, os arranca-rabo de vizinhos que não duravam meia hora, e as vaias no meio da rua.

Morreram as caminhadas no sol quente, as mobilizações populares nas casas de populares, as carreatas, as visitas às comunidades, os palanques e o mau cheiro da militância.

Morreram os banquetes cheios de farofa de toucinho de porco e moela cozida, regados a refresco, servidos em potes de goiabada e copos de geleia de mocotó Colombo.

Morreram as reuniões de campanha no bar do cemitério, as cervejas quentes, as Coca-Colas chocas e os uísques batizados — servidos para os infiltrados do opositor; também morreram as coxinhas Cláudia Raia (duras e cheias de nervos) e os salgados frios embebidos em óleo — que é o mesmo do tri da Seleção.

Morreram os bêbados gritando “issé um corno”, as senhoras de idade dizendo “ô candidato lindo” e os rapazes pensando “ô comitêzão”, para garota cabo eleitoral que passava rumo ao forró dos comícios.

Morreram as cores nas ruas, a confusão de parede e muro pintado com os dizeres de tudo quanto era candidato disso, daquilo e daquilo outro. Do mesmo jeito, morreram os fogos de artifício, as charangas e os sons volantes com os brados apaixonados dos aspirantes a cargos públicos gravados de noite para rodar de dia, do outro lado do município.

Morreram as possibilidades de escorregar nos restos de um bicho morto atropelado na subida de uma ladeira e de ser alvejado por um pombo no meio de uma praça.

Morreram os bons nomes, como Nem e Jipim, e as frases de sentido duvidoso, como “Nem fez, nem vai fazer”, “pra andar em todo canto, só Jipim”.

Morreram as possibilidades de bons motes e ficamos com “pra ir mais longe”, “pra seguir mudando”, “pra continuar crescendo”, “porque queremos mais”, “a força do povo”, “nossa cidade merece” e por aí vai.

A campanha eleitoral segue o passo da sociedade. A cada dia perdemos mais o alcance orgânico e vamos para o digital; distanciamo-nos mais uns dos outros e ficamos mais próximos do que escolhemos estar.

Resta saber se no próximo pleito vamos eleger um #match do online ou um candidato que bateu palmas à sua porta e gritou “ô de casa!”