Sobre Multimeios, UEM e Beto Richa

Não é segredo pra ninguém que me graduei pela Universidade Estadual de Maringá, mais conhecida como UEM. A UEM está passando por um momento muito delicado, com o corte de aproximadamente 220 professores temporários, mas será que essa ladainha do governo tucano é novidade?

Fiz um curso que desde os primeiros dias de vida teve que batalhar muito para que suas atividades não fossem paralisadas, Multimeios sempre foi sinal de resistência dentro do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCH), como aluno representante da primeira turma de curso, sempre ficou claro que se não arregaçássemos as mangas as mudanças dentro do curso nunca iriam acontecer, como “cobaias” sempre tivemos a consciência de que se não fossemos nós os protagonistas das lutas do curso as aulas e o próprio curso poderiam não conseguir sobreviver. Vale ressaltar que nesse ano ocorre a ocupação da reitoria da UEM, evento esse que com certeza abriu os olhos de muitos acadêmicos do curso.

Logo no segundo ano de curso, quando fui presidente do CACO — Centro Acadêmico de Comunicação e Multimeios, enfrentamos nossa primeira greve, mas foi uma greve diferente, nós alunos percebemos que o problema de Multimeios era muito mais grave, que uma conversinha aqui e outra ali não iam resolver muita coisa, foi nesse momento que decidimos em conjunto elaborar uma carta manifesto expondo a nossa situação precária.

Junto dessa carta foi elaborado um vídeo, mas um vídeo que mostrava que para além das dificuldades, Multimeios tinha algo além, tinha acadêmicos extremamente interessados em aprender e que faziam das tripas coração pra fazer com que o curso acontecesse, vale lembrar também do esforço do corpo docente, que contava com duas professoras efetivas, alguns professores cedidos por outros departamentos e uma única professora formada na área de comunicação, mas temporária.

Passado o turbulento ano de 2012, imaginávamos que 2013 seria um ano mais tranquilo, mas quem disse que essa palavra existe no dicionário da UEM? 2013 foi mais um ano marcado por dificuldades na contratação de professores temporários, nesse ano o curso conseguiu, através de muita luta, a contratação de 2 professores temporários logo no início do ano e mais uma colaborado no meio do ano, finalmente o curso começava a ter um corpo docente mais consolidado. Mas se engana quem tem a convicção de que isso era algo benéfico, pois os professores eram contratados durante um ano e podiam ou não ter seu contrato prorrogado por mais um ano, isso criava uma dezena de incertezas na cabeça dos acadêmicos, não abria possibilidade de pesquisa acadêmica, pois professores temporários não tem autorização para orientar pesquisa, fato que acabava por frustar muitos alunos que tinha intenção de seguir carreira acadêmica. 2013 foi um ano marcado pela desistência de vários alunos, principalmente dos calouros que haviam ingressado no ano de 2012. E pra fechar com chave de ouro, no fim do ano letivo mais um ataque contra os professores, a resolução 171/2013 do CAD (Conselho de Administração), essa vetava a contratação de professores temporários mais uma vez, mais uma vez com a mobilização do movimento estudantil essa medida foi revertida. Outro fato interessante sobre 2013 foi durante a tradicional mostra de profissões da UEM, Multimeios promoveu em seu estante o Comunica Black Day, todos os alunos de preto e denunciando o descaso da administração da UEM, vale ressaltar que o reitor na época era o professor Júlio Santiago Prates Filho.

2014 é um ano marcado pela reeleição no primeiro turno do candidato do PSDB, Beto Richa. O ano também foi marcado por uma greve de quase dois meses, mas a promessa do governador recém reeleito era de que os investimentos voltariam a serem feitos na UEM.

O ano de 2015 chega, e com ele a primeira turma do curso de Multimeios tem sua colação de grau. Mais uma vez contrariando as promessas feitas por Beto Richa, a UEM tem recursos cortados e ,pra piorar a situação, o governo entra com um projeto de retirada do dinheiro da previdência dos servidores públicos estaduais do Paraná, essa medida culmina em mais uma greve e várias manifestações se espalham pelo estado. Mais uma vez a UEM paralisa suas atividades por quase dois meses e mais uma vez o curso de Multimeios fica sem professores efetivos, nesse ano até é feito um concurso, mas ao que tudo indica os professores aprovados não foram convocados pelo governo do estado para assumir suas funções. É nesse ano letivo, que terminou com a colação de grau em Abril de 2016 que eu me formo, sai da UEM sem ter um professor efetivo com formação técnica na área de comunicação, fui lesado pela má gestão das administrações da UEM, pela má gestão do governo do estado do Paraná, e assim como eu fui lesado, centenas de outros acadêmicos continuam sendo lesados, agora com essa medida que é uma afronta aos cursos criados no ano de 2011 pela UEM, espero que de alguma maneira possamos fazer algo à respeito. Não dá pra continuar sendo complacente com os desmandos desse governo, não dá pra aceitar que a universidade pública acabe, não dá pra aceitar de braços cruzados, algo precisa e deve ser feito, JÁ.

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