uma coisa sobre a bagunça que eu sou

Vagando pela vida, uma caixa encontrei e abri-a

e dentro dela tinha umas dúzias de mentiras lindas.

A primeira era breve, leve, dizia o seguinte:

Colha o amor, a empatia é a semente

Tentei sorrir mais, mas não deu;

tentei elevar minha cabeça, doeu;

tentei me enturmar mais, falhei;

não sou muito bom nisso, eu sei.

Portanto eu parei, pensei,

talvez eu não seja para isso, eu sei.

Mereço sofrer sozinho, eu sei.

Sofrer? Não, viver sozinho,

só eu e minha alma forjada em abandonos e carinhos

Minha família, digo, parentes próximos

é tão cuidadosa e afetiva com os nossos

Mas enlouquece se alguém quiser fugir do padrão:

nascer, estudar, trabalhar, casar, morrer na frustração.

Um dia, na minha cabeça eu os enfrentei:

“Eu quero contar minhas histórias que vagam na minha mente”,

eu falei.

“Como vai ganhar dinheiro com isso, viver como um indecente?”,

Escutei.

“Eu vou lutar pelas minhas historias, não vou desistir como fizeram vocês!”

E assim continuei, sem fazer mal a ninguém.

Sem esperar o bem de ninguém.

Sem querer magoar ninguém.

Mas fui esquecendo de mim, assim,

Descobrindo o melhor de cada pessoa e deixando o meu na garoa

Depois daquela maldita caixa que encontrei

entre magoas mergulhei,

e na segunda mentira eu li:

Se você sonha, você consegue

Eu consigo? Eu consigo!

Mas esqueceram de falar o caminho

Os fracassos, as caídas

e a dor sofrida, sozinho.

Na calada da noite eu penso:

talvez esse sonho eu não mereço

Talvez eu já tenha o que eu mereço,

talvez eu tenha que me contatar com esse terço.

Você batalha, luta, sofre sem ser reconhecido.

Faz as coisas em silêncio, conta para alguns amigos

Amigos…

Eles acreditam em mim, tem tanta esperança

Eu não posso desapontá-los, não posso tirar o doce da criança.

Mas eu tento, tento e não consigo.

“O que está me impedindo?”, penso e sigo.

Vagando pela vida, encontrando lindas mentiras;

Vagando pela vida, lutando pelo que eu acredito;

Vagando pela vida, nas costas felicidades, sonhos, desapontamentos e iras.

Eu devo parar de vagar e começar a pensar na minha vida.

A terceira e última mentira, talvez eu a aceite

É uma nota que eu escrevi no post-it colando na parede a minha frente:

Aguente firme que melhora

Melhora? Piora?

Tudo continua a mesma coisa,

Depende de como eu vejo essa coisa.

Eu falhei todas as vezes no vestibular que eu tentei,

Porém em um que eu não quis eu passei,

(Meu plano b).

Encontrei pessoas que são minhas amigas, família.

Agora elas vão embora formar sua rotina,

talvez me tirem dela, talvez me esqueçam, talvez

Essas paranoias são tantas, já tô cansado do talvez!

Eu quero elas perto de mim!

Eu quero tanto uma droga de um sim!

Eu quero tanto saber se eu posso vencer,

eu quero tanto saber, eu preciso tanto saber.

Mas nessa ignorância, eu vago na perseverança

Encontrando mentiras lindas nessa caixa na esperança

de que um dia essas mentiras se tornem verdade,

na esperança que um dia o universo saiba o que é reciprocidade

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