uma coisa sobre fantasmas
Há um fantasma atrás de você.
Você acorda, faz o seu café matinal e vai trabalhar ou estudar. Almoça no meio disso tudo e depois volta para a casa assim que termina a rotina diurna. Come mais alguma coisa e então vai para a escola, se estuda de noite; ou vai arrumar a casa, ou continua a fazer as coisas do trabalho, ou vai jantar em algum estabelecimento, ou simplesmente dorme.
No meio disso tudo, interage socialmente, escuta músicas, lê livros, assiste alguma coisa que está passando na televisão, procura distrair-se enquanto mantém sua rotina pouco flexível. Constrói um perfeito labirinto para escapar dos pensamentos que você busca tanto fugir. Mas eles estão lá.

É uma sensação pouco agradável ter um fantasma te assombrando. Algo ou alguém que você quer tanto esquecer, simplesmente deixar para lá. Poderia dizer que é como uma pedra no seu sapato, porém isso seria errôneo. Você pode facilmente tirar a pedra do seu sapato e jogá-la longe. Agora, você pode abrir sua cabeça e tirar esses pensamentos, essas memórias, de lá e jogá-las longe?
Também temos que lembrar que esses fantasmas são reais, eles existem e você sabe disso. Podemos tentar construir uma muralha para nos proteger, entretanto fantasmas atravessam paredes. A melhor solução seria simplesmente esperar, e torcer muito para que esses fantasmas desapareçam com o tempo
O fato de não saber quando aquilo vai passar, se é que vai passar mesmo, também incomoda. Somos reféns de nossa própria inconsciência, e ela está lá, apontando uma arma para sua cabeça, pronta para disparar uma lembrança que irá te abalar.
O que podemos fazer é arrumar um jeito de conviver com os nossos fantasmas. Não lutar para jogá-los fora, pois eles são uma parte da gente, querendo ou não. Não criar uma ilusão, como uma rotina, para tentar escapar das nossas próprias lembranças. Não há escapatória, só rendição.