Descobri que faço parte de uma equipe (e aqui estão 5 coisas que descobri depois disso)

Desde o dia em que foi tirada, tenho olhado para essa foto e sorrido de orelha a orelha.

Diferentes motivos poderiam estar causando em mim essa alegria: o fato de a foto ter sido tirada em um dos maiores eventos de Marketing e Vendas do mundo; o carinho que tenho por essas duas pessoas na foto ou até mesmo o donuts (♥) que comemos depois de tirá-la.

Mas me peguei com uma alegria no coração por outro motivo. Motivo esse que só fui entender 15 dias após esse registro.

Eu sempre fiz parte de uma equipe.

Uma equipe de uma pessoa só.

(Esse texto não é de autoajuda, prometo).

Continuando: aprendi a ler sozinha e muito cedo, e acho que isso me fez achar autossuficiente para aprender e executar (quase) qualquer coisa. Talvez por isso, mesmo das outras vezes em que eu fiz parte de um time, nunca havia entendido a necessidade de se trabalhar como tal.

Quando olho para essa foto, vejo que agora faço parte de uma equipe de verdade. E isso é mais assustador (e incrível) do que pode parecer.

Desde que a Malu e a Bela chegaram (e depois o Matheus, o Henrique e o Carlos), meus conceitos de equipe têm mudado a cada dia, se tornando cada vez menos assustadores e cada vez mais incríveis.

Se você não é uma pessoa controladora e que muitas vezes se julga autossuficiente (como eu), você deve achar básico –e até bobo– isso tudo que estou falando. Mas se você é, sabe que a ideia de time pode não ser tão natural quanto parece. Se esse é o seu caso, compartilho com você o que aprendi em 10 meses de Malu e Bela.

A construção de um time não é imediata

Geograficamente falando um time pode se construir em minutos, mas praticamente falando não.

Apenas dividir cargos com nomes parecidos ou trabalhar sob um mesmo departamento não significa ter uma equipe. É preciso ir além.

É preciso desenvolver confiança mútua, uma identidade para o grupo e entender a eficiência deste grupo. E isso leva tempo.

Penso hoje que, na verdade, um time nunca se dá por construído. Essa construção é constante e pelo menos ao meu ver nunca deve deixar de existir.

Você nunca será o(a) melhor em tudo, e (pasme), isso é ok!

A grande decepção que a Bela, a Malu e os meninos me trouxeram até hoje foi escancarar para mim mesma que eu não poderia fazer tudo sozinha (uma surra para o meu ego).

Ao mesmo tempo, o maior conforto que eles já deram à minha consciência foi mostrar que eles poderiam fazer muito melhor. Que juntos poderíamos fazer melhor.

Com isso tudo, aprendi que ser bom às vezes significa reconhecer que pode existir alguém melhor. Significa entender que ter uma pessoa boa ao seu lado não nega o seu próprio trabalho, senão o amplia.

O oposto pode não ser contrário

Estar em uma equipe significa lidar com opiniões diferentes (e muitas vezes opostas) o tempo inteiro.

É impossível estar certo 100% das vezes e aprendi que ter pessoas que discordam de você é uma das maiores riquezas de uma boa equipe.

Lidar com opiniões, visões e formas de trabalhar opostas à nossa própria traz um desconforto inexplicável, mas também traz um crescimento que o igual jamais poderia proporcionar.

Com isso tudo, aprendi que pensar diferente nem sempre significa querer o contrário. O objetivo de uma equipe, no fim das contas, precisa ser sempre o mesmo. A ideia de cada um para chegar até lá pode ser diferente e isso não é só ok –é incrível.

O mindset de um time impacta diretamente na performance desse time

A performance começa muito antes do número no fim do mês.

A performance está na forma como a equipe enxerga a empresa. Como os membros dessa equipe enxergam uns aos outros e principalmente como os membros da equipe enxergam a eles mesmos dentro do contexto organizacional.

É responsabilidade não só da empresa, mas do líder e da equipe como um todo estabelecer um mindset que vá além do resultado pelo resultado (ou da pressão pela pressão). Em um mindset de crescimento, o crescimento da empresa anda de mãos dadas com o crescimento individual de cada um.

O feedback precisa ser a religião do grupo

Se você gosta da Pixar (e provavelmente gosta, afinal de contas quem não?) você provavelmente já deve ter ouvido falar sobre o Braintrust.

O Braintrust é uma forma de trabalho que gerou para a Pixar 14 sucessos consecutivos de bilheteria (inclusive Toy Story) e basicamente consiste em fazer com que os cineastas assistam ao trabalho uns dos outros e identifiquem e apontem pontos de melhoria (você pode ler mais sobre o Braintrust neste link).

At Pixar, we try to create an environment where people want to hear each other’s notes (even when those notes are challenging) and where everyone has a vested interest in one another’s success.

Confiar no trabalho do outro e desejar o sucesso mútuo significa estar aberto a receber e sempre disposto a dar feedbacks honestos. Significa identificar e apontar pontos de melhoria, mas significa também reconhecer e enaltecer o trabalho do outro sempre que bem executado.

Próximos passos!

Ainda em outubro, vamos receber mais um membro em nossa equipe. o/

Provavelmente, essa nova pessoa vai me ensinar mais um monte de coisa sobre o que é fazer parte de um time e compartilho com vocês aqui.

Até lá (e enquanto trabalharmos juntos), continuo aprendendo com a Bela, a Malu, o Carlos e Matheus.

E até lá (e mesmo quando não trabalharmos mais juntos), continuo olhando para essa foto e sorrindo de orelha a orelha. ;)

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