Histórias de Taiwan e a cultura Oriental

Em entrevista, escritora aborda o papel da leitura e da família

Por Fernando Wasem Eifler e Denilson Flores

Lançamento do livro aconteceu na 62º Edição da Feira do Livro de Porto Alegre

No desejo de fazer com que cada vez mais pessoas tenham o hábito da leitura, a escritora Cláudia Presser Sepé, junto com a ilustradora Cremilda Lenz Pereira, lançou na última Feira do Livro de Porto Alegre, sua primeira obra, intitulada Histórias de Taiwan. Parte da equipe do Focas no Assunto esteve presente para prestigiar o lançamento. A autora é professora de português e atualmente, em parceria com uma colega coordena o Projeto Pacto pela Leitura — Formação de Pais Leitores em uma escola municipal da Capital. Pelo projeto, receberam o prêmio Viva Leitura 2016, do Ministério da Cultura.

Para o Focas, a escritora falou sobre a relação emocional com o livro que reúne nove contos da cultura taiwanesa, origem de seu marido Yen Ko Cheng, que foi peça importante na construção da obra. A narrativa abrange crenças, costumes e mistérios do povo de Taiwan. Cláudia nos fala sobre conhecer novas culturas e sobre a importância da leitura na vida das pessoas.

Sessão de autógrafos na 62º Edição da Feira do Livro de Porto Alegre
Sessão de autógrafos na 62º Edição da Feira do Livro de Porto Alegre

Importância de conhecer outra Cultura

“Eu acho que a importância maior é reconhecer a diferença, em tempos em que a gente fala de inclusão, em não ao racismo, em não ao preconceito, falar de outras culturas é aproximar, estreitar as diferenças, é trazer as pessoas para comunhão, para o compartilhamento, para o respeito e para a aceitação do que é diferente”.

Importância da Leitura

“A leitura tem uma importância fundamental em todos os sentidos. Como para melhorar o vocabulário, e especialmente quando se é criança, e está começando a entrar no mundo letrado.”

Brasil, um país onde se lê pouco

Embora o número de leitores no país tenha crescido nos últimos anos, o brasileiro ainda lê pouco. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, o número de leitores cresceu de 50% para 56% da população, entre os anos de 2011 e 2015. Porém, essa porcentagem ainda é muito baixa. Ainda mais quando o parâmetro utilizado na pesquisa para considerar uma pessoa como leitora, seja o de apenas um livro nos últimos três meses, e o livro nem precisa ter sido lido por completo, basta as leitura de algumas partes, que a pessoa já pode ser considerada uma leitora.

Dados da pesquisa ainda mostram que o brasileiro lê em média 2,5 livros no período de referência de 3 meses. Desse número, apenas 1,06 são leituras completas, o restante, 1,47, foram livros lidos apenas em partes. Porém, nem todos os dados são ruins, o número de leitores na faixa entre 18 e 24 anos chegou a 67%. Já os adolescentes entre 11 e 13 anos são os que mais leem por gosto, chegando a 42%. Em seguida vem as crianças de 5 a 10 anos, totalizando 40%.

É interessante ver que o maior número de leitores se encontra nas faixas etárias mais jovens, pois isso mostra que está havendo um maior incentivo para a leitura de crianças e adolescentes, fato que a autora Cláudia Presser Sepé julga ser extremamente importante para que no futuro tenhamos cada vez mais leitores. Ela fala sobre a importância desse incentivo.

“Começando em casa, desde pequenininho, desde bebê, de preferência já na barriga da mamãe. Contar histórias para a criança ouvir, ler para o filho, sempre desde pequeno, e não perder este hábito.”

Os números não são dos melhores, mas, são promissores, pois, ao mesmo tempo em que a quantidade de leituras feitas pela população em geral fica bem abaixo do que seria o ideal, o número de leitores que envolvem adolescentes e crianças está crescendo consideravelmente. O que é um bom sinal de que no futuro possamos ter um número cada vez maior de leitores no Brasil.

Confira a entrevista completa: