Os super poderes do quadrinho no cenário brasileiro

Os quadrinhos estão em alta. Não apenas os que sempre fizeram sucesso, romperam barreiras e foram para as telonas, mas uma grande variedade deles. Por muitos anos, foram vistos apenas como divertimento infantil ou algo simplório. Atualmente, têm mostrado que são muito mais do que desenhos em sequências com finais engraçadinhos. Trata-se, na verdade, de uma ótima ferramenta de storytelling, para a qual devemos dar cada vez mais atenção.

Hoje, temos acesso a vários gêneros no país, desde o super-herói estrangeiro até o nacional fofinho, independente, underground. O mercado brasileiro de quadrinhos vive um momento ímpar. Há uma diversidade de publicações, de gêneros, formatos e formas de distribuição nunca antes vistos.

Tudo isso começou com os artistas Cláudio Seto, que explorou o mangá, Laerte, no cartoon, e Mauricio de Sousa, nos quadrinhos. Eles abriram os caminhos no Brasil e deram visibilidade e respeito ao formato. Desses, Maurício de Sousa conseguiu ir mais longe ainda, criando a Maurício de Sousa Produções (MSP), que, com um vasto número desenhistas e roteiristas, mantém suas portas abertas para a inovação. O grande trunfo da MSP são os projetos elaborados pelo jornalista Sidney Gusman: diversos novos artistas — bem menos conhecidos — puderam ter a possibilidade de fazer outras interpretações sobre obras clássicas de Maurício de Souza. Dessa forma, elevou-se o conceito de quadrinho para uma parte do público brasileiro, que o via apenas como entretenimento barato e infantil.

Podemos observar a força das obras brasileiras pela diversidade de outras editoras que trabalham com esse ramo no Brasil. A HQM, que publicou obras nacionais importantes, como Leão Negro, Zoo, Vitral e Príncipe do Best Seller, é um excelente exemplo. Nomes genuinamente brasileiros também já fazem sucesso lá fora: Mike Deodato Jr, Cris Peter, Ed Benes, Marcelo Cassaro, Erica Awano e — talvez os mais conhecidos — Fábio Moon e Gabriel Bá, que conquistaram renome internacional com a obra lançada pela Vertigo, Daytripper, na qual contam a história de um obituarista que sonha em ser escritor.

Além disso, temos quadrinhos que são lançados inteiramente na Web, como as webcomics Malvados, Dr. Pepper e Um Sábado Qualquer, que têm lucro gerado a partir da venda de produtos licenciados: canecas, camisetas, cadernos, propagandas. Há, ainda, os lançados de forma completamente independente, através de Crowdfunding: Pétalas, Achados e Perdidos e Café De Dentro da Couraça são exemplos.

O Social Comics e o Cosmic vêm provar que os quadrinhos estão realmente em alta no Brasil, por serem serviços de streaming de HQs produzidos no próprio país. A diversidade das publicações por aqui pode indicar que estamos indo na direção certa, com uma grande variedade de formas de contar histórias. A autonomia de expressão brasileira é existente e notória, seja ela como for — através das HQs, livros, jogos, peças. De fato, os quadrinhos representaram liberdade para uma grande parcela da sociedade. Agora, estão ganhando visibilidade e a integrando culturas e formas de pensar.

O cartunista italiano Ângelo Agostini publicou o primeiro quadrinho brasileiro, “As Aventuras de Nhô-Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte”, em 30 de janeiro de 1869. Por isso, desde 1984, comemora-se o dia do quadrinho nacional nesse dia. Hoje, 147 anos depois, permanece a homenagem ao gênero literário iniciado no Brasil por Agostini, principalmente devido ao incentivo que promove a crianças e jovens, fazendo-lhes ter iniciação precoce no mundo da literatura. Em nome dos cartunistas brasileiros Maurício de Sousa, Laerte e Cláudio Seto, pioneiros no quadrinho brasileiro, agradecemos a todos que, ao longo da história, fizeram ampliar o mercado de quadrinhos em nosso país.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.