[Tradução] Confissões de atrizes de pornografia e pornógrafos

[Tradução feita em conjunto com uma outra pessoa, da postagem Anti-porn Mega Pack. As imagens contém o texto original em inglês e em seguida a nossa tradução.]

ALEX DEVINE

“Donkey Punch foi a cena mais brutal, depreciativa e assustadora que eu já fiz. Eu tenho tentado bloqueá-la da minha memória por causa do abuso pesado que sofri durante a filmagem. O cara, Steve French tem um ódio natural de mulher, no sentido de que ele era conhecido por ser sempre mais brutal do que o necessário. Eu concordei em fazer a cena pensando que fosse ter menos espancamento, a não ser pelo ‘soco’ na cabeça. Se você notar, Steve estava usando o anel de ouro maciço dele o tempo todo, e continuou a me socar com ele. Na verdade eu tive que parar a cena enquanto ela estava sendo gravada por que eu estava com dor demais.”

ALEXA CRUZ

“Como a maioria das atrizes pornô eu perpetuei essa mentira. Uma das minhas coisas favoritas de dizer quando perguntavam se eu gostei de filmar alguma cena em específico, era: “eu só faço o que eu gostar! Eu não faria se não estivesse gostando!” (eu dizia isso com um sorriso bem grande e falso e dava uma risadinha) Que mentira! Eu fazia o que pudesse pra arranjar um “trabalho” na pornografia. Eu fiz o que eu sabia que iria me render “fama” na indústria.”

JESSI SUMMERS

“Eu fiz pornografia gonzo no começo e foi a coisa mais degradante, constrangedora e horrível da minha vida! Eu tive que gravar um DVD interativo que leva horas e horas para ser feito, com uma febre de 40 graus!! Eu estava chorando e queria ir embora mas meu agente não me deixava ir embora de jeito nenhum. Eu também fiz uma cena em que fui colocada com um cara que estava na minha no list. Eu queria agradá-los então eu fiz. Eu enlouqueci e comecei a chorar; eles pararam a filmagem e me mandaram para casa com pagamento reduzido já que eles filmaram um pouco mas não a cena inteira.”

AMBER LYNN

“O que aconteceu comigo foi que eu tinha um estilo de vida que me levava ao uso de mais e mais drogas. Eu tinha um monte de pessoas ao meu redor que apoiavam e encorajavam aquele comportamento por que isso permitia que eles ganhassem mais dinheiro em cima de mim.”

KAMI ANDREWS

“Eu amo o dinheiro, o glamour. Eu gosto de ser reconhecida. Eu gosto da atenção. O que eu não gosto é não conseguir cagar direito. Você tem que fazer enemas constantemente, fazer jejum, e tem que tomar um monte de remédios diferentes, laxante, e isso bagunça o seu sistema interno.”

ANDI ANDERSON

“Depois de um ano da minha assim chamada “vida glamourosa”, eu infelizmente descobri que drogas e bebida eram parte do estilo de vida. Eu comecei a beber e farrear fora do controle! Cocaína, álcool e ecstasy eram os meus favoritos. Depois de não muito tempo, eu me tornei uma pessoa que eu não queria ser. Depois de fazer tantas cenas hardcore, eu não conseguia mais. Eu só me lembro de estar em situações terríveis e ter depressão extrema e estar sozinha e triste.”

REGAN STARR

“Bateram muito em mim… a maioria das garotas começa a chorar por que estão com muita dor…eu não conseguia respirar. Estavam me batendo e enforcando. Eu estava muito mal e eles não pararam. Eles continuaram filmando. Pedi para desligarem a câmera e eles continuaram.”

ANITA CANNIBAL

“Eu sou atriz já faz 14 anos na indústria de filmes adultos, em vários países e estados… em todo lugar. Eu trabalhei em várias dessas companhias, e eu estive presente na época em que uma vez por mês alguém descobria que estava com HIV, em 1998. Sim, eu fui, e vi aquelas atrizes que ninguém conhece — que ninguém diz que elas têm HIV, que não são parte da estatística — que saem pela porta como não-atrizes, para não serem contabilizadas.”

“Tem muita coisa sendo escondida. Tem muita tragédia. Tem muitas coisas horríveis.”

JESSIE JEWELS

“As pessoas na indústria pornô são dessensibilizadas com relação à vida real, como zumbis que andam por aí. O abuso que acontece dentro dessa indústria é ridículo. O jeito que essas meninas são tratadas é lavagem cerebral e completamente doentio. Eu saí por causa do trauma que eu tive mesmo tendo ficado por pouco tempo.”

ASHLYN BROOKE

“Francamente, eu senti que se eu tivesse que lidar com outro homem na minha cara, suas mãos (sabe-se lá por que elas estavam tocando o meu corpo inteiro), ele me chamando de baby e tendo que transpirar algum tipo de paixão forjada, eu provavelmente explodiria. E o que teria ficado preso às paredes provavelmente não seria nada, só pedaços de pele, osso, e um cérebro de robô e o que sobrou do que antes era um coração grande e caloroso.”

BECCA BRAT

“Eu conheci muitas pessoas na indústria de filmes adultos, desde garotas contratadas até atrizes que faziam pornô gonzo. Todo mundo tem os mesmos problemas. Todo mundo usa drogas. É um estilo de vida vazio tentando preencher um vazio.”

“Eu fiquei terrivelmente viciada em cocaína e crack. Eu tive pelo menos 3 overdoses,clientes já apontaram facas pra mim , bateram em mim até quase a morte — a única razão de estar aqui ainda é Deus.”

CORINA TAYLOR

“Quando eu cheguei no set eu esperava fazer uma cena de sexo vaginal, “menino menina”. Mas durante a cena com o ator ele forçou anal em mim e não parava. Eu gritei para ele parar e gritava ‘não’ várias vezes, mas ele não parava. A dor foi tanta que eu entrei em choque e meu corpo ficou mole.”

DEMI DELIA

Sobre a indústria pornográfica:

“É uma bomba relógio. Só vai piorar. Não vai ficar nem um pouco melhor.”

JENNA PRESLEY

“Foi uma tortura por sete anos. Eu era infeliz, solitária. No fim eu me voltei para as drogas e álcool e tentei suicídio. Eu sabia que queria sair, mas não sabia como.”

ELIZABETH ROLLINGS

“Eu não queria sentir a dor da penetração de um cara que fosse maior do que a média, ser mandada congelar numa posição até o camera man estar feliz com o take era muito doloroso. Eu tive fluídos corporais das pessoas forçados na minha cara ou onde o produtor quisesse e eu tinha que aceitar, se não nada de pagamento. Às vezes eu ia pra um set e o produtor mudava o que devia acontecer na cena pra algo mais intenso e de novo, se você não gostasse, que pena, você fazia ou se não nada de pagamento.”

GENEVIEVE

“Eu tinha que passar dez minutos com fluídos corporais no meu rosto. o abuso e degradação eram pesados. Eu suava e estava com dores profundas. Além da experiência terrível, meu corpo inteiro doía e eu ficava irritável o dia inteiro. O diretor não ligava de verdade pra como eu me sentia, ele só queria terminar o vídeo.”

EMILY EVE

“Eu gravei cenas em que eu precisava fingir que estava morta e deixar que alguém estuprasse meu corpo morto. Eu cheguei em casa cheia de hematomas e às vezes sangrando das cenas mais pesadas. Eu filmava cenas de garganta profunda onde me batiam e cuspiam em mim e me chamavam de coisas horríveis. Eu vomitei, tive que continuar filmando… Eu não conseguia respirar por causa do vômito no meu nariz e os genitais na minha boca.”

JENNA JAMESON

“A maioria das garotas têm a primeira experiência em cenas de gonzo — nas quais elas são levadas para um apartamento horrível em Mission Hills e penetradas em todos os buracos possíveis por algum idiota abusivo que acha que o nome dela é ‘vadia’. E essas garotas, algumas das quais têm potencial pra se tornarem grandes estrelas da indústria, vão pra casa depois e nunca mais fazem aquilo por que a experiência foi terrível demais.”

ERIN MOORE

“Na minha carreira no pornô eu fui mais diminuída e tratada como lixo do que eu esperava que fosse ser na minha vida inteira. Eu não era uma mulher aos olhos desses diretores, eu era um nada pra eles. Os atores às vezes eram legais, mas ás vezes eles eram horríveis. Já teve homens que me bateram, me enforcaram, se esfregaram em mim até eu não poder andar mais e isso acontecia mesmo quando eu pedia para eles pararem. Eles não têm nenhum respeito por mulheres.”

EVA ANGELINA

“Minha boceta ficou tão inchada, que eu não acreditei. E no dia seguinte fui obrigada a trabalhar para Cherry Boxxx. E aquilo f — — comigo ainda mais. Ter que fazer três cenas depois de ter sido tão machucada f — — comigo. Por uns bons seis meses, eu não estava normal. Minha boceta não ficou normal até uns dois meses atrás. É horrivel.”

TANNER MAYES

“Eu estava fora filmando uma cena e depois fomos para uma festa, e no decorrer de uma carreira na pornografia você encontra essas coisas. Daí é só questão do que você quer fazer, e estou sempre disposta a qualquer coisa. “ei, você quer experimentar isso?” E eu dizia claro. Eu ficava a noite inteira acordada farreando. GHB e anfetamina. Isso foi na casa do diretor, estávamos todos lá nos divertindo e fazendo dinheiro… mas no fim as coisas saem do controle.”

JERSEY JAXIN

“Caras socando o seu rosto. Você fica com sêmen de um monte de caras no seu rosto, nos olhos. Você fica rasgada. Suas entranhas pode sair de você. Nunca tem fim.”

LEXINGTON STEELE

“Eu vou ser franco com você cara: tem vício em drogas desenfreado nesse jogo! Tipo, você nem acreditaria. A tolerância a isso é repugnante. É desprezível como você pode ver uma garota entrar nesse negócio e três meses depois ela perdeu peso, seus peitos murcharam, sua bunda desapareceu. Eu já vi caras perderem tudo por causa das drogas.”

MAHLIA MILIAN

“Meu pior dia foi quando eu fui forçada a usar uma esponja pra fazer uma cena por que ela já tava marcada e minha menstruação veio mais cedo, eu nunca tive que fazer algo assim. A esponja foi empurrada tão pra dentro de mim que ficou presa e eles tiveram que me abrir para remove-la. Eu fiquei sem poder trabalhar por algumas semanas e o meu agente roubou dois cheques meus para substituir o dinheiro que ele perdeu enquanto não pude trabalhar, me deixando sem dinheiro e sem comida.”

LINDA LOVELACE

Linda Lovelace tem muito a dizer sobre seu pornógrafo: “Quando em resposta as suas sugestões eu disse que não queria me envolver em prostituição de jeito nenhum e disse que tinha intenções de ir embora, [Traynor] me espancou e o constante abuso psicológico começou. Eu me tornei literalmente uma prisioneira, não era permitido que eu saísse da sua vista, nem mesmo para ir ao banheiro, onde ele me observava por um buraco… na porta. Ele dormia em cima de mim à noite, ele escutava minhas ligações telefônicas com uma 45 automática apontando pra mim. Eu fui espancada e sofri abuso psicológico todo santo dia desde então. Ele destruiu meus laços com outras pessoas e me forçou a casar com ele como conselho do seu advogado.”

“Minha iniciação na prostituição foi estupro grupal por cinco homens ao mesmo tempo, organizado pelo Sr. Traynor. Foi um ponto de virada na minha vida. Ele ameaçou de atirar em mim com a pistola se eu não fosse até o fim. Eu nunca antes tinha feito sexo anal e aquilo me rasgou toda. Eles me tratavam como uma boneca inflável, me levantando e me mudando de lugar aqui e ali. Eles abriram minhas pernas assim e assado, enfiando suas coisas em mim, eles estavam jogando o jogo das cadeiras com partes do meu corpo. Eu nunca me senti tão assustada e desonrada e humilhada na minha vida. Eu me senti um lixo. Eu fazia cenas de sexo para pornografia contra a minha vontade pra evitar ser assassinada. As vidas da minha família foram ameaçadas.”

LUCKY STARR

“Eu fiquei alguns dias preocupada sobre minha primeira cena de sexo anal… e aí o grande momento chegou. E doeu MUITO! Eu quase desisti e disse ‘não consigo fazer isso’. Quando terminou eu fiquei tão feliz e aliviada que consegui fazer. Mas ainda tenho que pensar se quero fazer anal com frequência. Doeu muito mesmo! Então, vou continuar a fazer anal? Vamos esperar minha bunda sarar, depois conversamos.”

ALEXA MILANO

“No meu primeiro filme eu fui tratada muito grosseiramente por três homens. Eles bateram em mim, me engasgaram com os pênis deles, e me empurravam pra todo lado como se eu fosse uma bola! Eu fiquei muito doída, e mal conseguia andar. Minha entranhas ardiam e doíam demais. Eu mal conseguia urinar e meus movimentos intestinais estavam fora de questão. Eu estava toda doía do abuso físico desses 3 atores pornô!”

MICHELLE AVANTI

“Algumas das minhas experiências em sets pornô incluem estar totalmente bêbada e os produtores dos pornôs permitirem que eu estivesse e até me darem álcool e drogas. Eu estive em cenas de sexo brutal onde os atores me bateram e eu dizia pra eles pararem mas eles não paravam até que eu chorasse e arruinasse a cena. Durante uma cena específica chamada “Bukkake” eu estava muito chapada e os produtores sabiam, e me disseram para usar a ducha para fingir que eu estava urinando num outro ator, mas aconteceu um acidente e eu defequei no ator. Eu me senti tão humilhada, e quis morrer. Eles disseram pra eu não me preocupar e que eles não iriam fazer com que isso fosse uma grande coisa, mas logo depois, eles espalharam a cena na internet inteira. Eu me senti completamente degradada.”

JULIE MEADOWS (ex atriz pornô)

“Essa indústria está cheia de pessoas que odeiam — literalmente ODEIAM — mulheres.”

JOHN STAGLIANO (produtor de filmes pornô)

“Eu fui o primeiro a filmar Rocco. Juntos nós evoluímos pra coisas mais pesadas. Ele começou a cuspir nas garotas. Uma coisa de macho-dominante, com os limites das mulheres sendo colocados à prova. Parece violência mas não é. Quer dizer, prazer e violência são a mesma coisa, certo?”

LEXINGTON STEELE (ator pornô/produtor de filmes)

“Eu me encontro numa situação não muito diferente da dos escravos e traficantes de escravos de uns 400 anos atrás. Eu participo no mais hediondo de todos os tráficos- A COMPRA E VENDA DE CORPOS HUMANOS. Eu troco meu próprio corpo por compensação monetária e vendo o corpo dos outros pelo mesmo motivo.”

VINCE VOUYER

“As garotas ficam destroçadas como sempre.”

PAUL THOMAS (produtor de filmes pornô)

“Até mesmo o mais suave dos pornôs é chocante pra maioria das pessoas. Fico surpreso que é legalizado.”

KHAN TUSION (produtor de filmes pornô)

“Degradação é o que conduz esse negócio… existem coisas acontecendo agora que passam e muito dos limites.”

MAX HARDCORE (ex-ator/produtor de filmes pornô)

“eu não estou aqui para me desculpar. Só estou aqui para dizer: nós produzimos entretenimento e queremos ver até onde conseguimos levar isso.”

BRANDON IRON (produtor de filmes pornô)

“Onde mais senão na pornografia você pode ver um cara que acabou de conhecer uma garota, rachá-la e enforcá-la.”

SIERRA SINN

“Minha primeira cena foi uma das piores experiências da minha vida. Foi muito assustador. Foi uma cena muito bruta. Meu agente não falou sobre isso antes do tempo… Eu fiz ela e eu estava chorando e eles não pararam. Foi realmente violento. Ele ficava me batendo.”

TIANA LYNN

“Eu tentei pornô faz um ano e meio por três semanas. Eles [meu agente] me agendou pra tudo que eu não queria fazer. Eu estive no hospital três vezes. Alérgica a lubrificante. Ser golpeada com força demais. Meu colo do útero fechou. Minha bunda ficou destroçada.”

VERONICA LAIN

“Todas as garotas que fazem pornô fazem programa. Algumas tentaram esconder isso mas como atriz pornô, sempre presumem que você vai fazer sexo por dinheiro no set ou fora dele. Eu transei por dinheiro fora dos sets pra conseguir dinheiro entre as filmagens. Eu também usei meu nome como ponto de venda em anúncios pros meus serviços de prostituição em revistas de venda de sexo de Los Angeles como a La Xpress.”

FOXY ROXY

“Conforme eu continuava a fazer cenas cada vez mais nojentas e brutas, eu me transformei de vítima para abusadora. Na minha vida profissional eu comecei a agir como um homem e a abusar mulheres na frente das câmeras. Com um dildo com cinta, eu fiz com mulheres exatamente o que os homens fizeram comigo. Eu sabia até como me tocar de forma egoísta como um homem. Todos esses anos na prostituição vendo esses porcos sendo pagos. Os homens na pornografia eram porcos ainda piores, ejaculando em qualquer mulher fraca ou num lugar sagrado no corpo delas. Eu agi em vingança exatamente como a coisa que eu odiava: um homem porco.”

“Eu gostaria de realmente mostrar o que eu acredito que os homens querem ver: violência contra mulheres. Eu acredito firmemente que nós [pornógrafos] servimos a um propósito mostrando que o mais violento que podemos obter é gozar no rosto. Os homens batem punheta pra isso, porque eles conseguem transar mesmo com as mulheres que não podem transar. Tentamos inundar o mundo com orgasmos na cara.” — Bill Margold, veterano da indústria pornográfica, citado em Robert J. Stoller e I. S. Levine, Coming Attractions: The Making of an X-rated video; 1993.

“Toda a minha razão para estar nesta Indústria é satisfazer o desejo dos homens do mundo todo que basicamente não se importam muito com as mulheres e que querem ver os homens na minha Indústria transando mesmo com as mulheres que não poderiam transar quando eles eram jovens. Eu acredito fortemente nisso… então nós gozamos no rosto de uma mulher ou a brutalizamos um pouco sexualmente: nós estamos transando mesmo com as mulheres de seus sonhos perdidos. Eu acredito nisso. Eu ouvia o público me parabenizar quando eu fazia algo nojento na tela. Quando eu estrangulava uma pessoa ou sodomizava uma pessoa, ou brutalizava uma pessoa, a audiência estava torcendo pela minha ação, e então quando eu cumpria meu desejo perverso, a audiência aplaudia.” — Bill Margold, veterano da indústria pornô e membro da diretoria da Free Speech Coalition.

“Não há nada que eu ame mais do que quando uma garota insiste que ela não vai levar um pau no seu cu, porque — oh sim ela vai!” — Max Hardcore, entrevistado em Hustler (junho de 1995)

Ele [Sandler] rejeitou a afirmação de que seu website “acampamento de estupro” aumentaria a violência contra mulheres no Camboja. “Não tenho nada contra as mulheres aqui”. Ele explicou: “Não está sendo comercializado para esta comunidade”, e uma vez que poucos Cambojanos tinham acesso à Internet, eles não eram suscetíveis a vê-lo. Se o seu show de escravidão sexual causasse violência contra as mulheres nos Estados Unidos –a comunidade do público-alvo — seria aceitável, até mesmo desejável. “Pode até promover violência contra mulheres nos Estados Unidos, mas aí eu digo, ‘Ótimo’. Eu odeio essas putas. Estão fora de linha e essa é uma das razões que eu quero fazer isso… Eu estou passando por um divórcio agora… Eu odeio mulheres americanas.”— Dan Sandler — What pornographers really think of women (Deutsche Presse-Agentur, 14 de outubro de 1999)

“As mulheres estão aqui para servir os homens, olhe para elas, elas têm que se agachar para mijar. Porra, isso só prova.” — Larry Flynt, editor da Hustler, citado no The Anti-porn Resource Center

LINDA “LOVELACE” BOREMAN MARCHIANO

[Linda “Lovelace” Boreman]: Isso me machucou muito. De ter que ser entrevistada e dizer que [fazer pornografia] era maravilhoso, ‘Era a melhor coisa, todos deveriam ver.’ Eu não me sentia assim. Eu era como um robô. Me disseram o que dizer e eu disse isso porque se eu não fizesse, seria espancada brutalmente.

JESSIE ROGERS

E quase, se não todas as meninas, iam para suas filmagens após terem usado alguma coisa. Sejam analgésicos, maconha, êxtase ou cocaína. Então é por isso que quando as pessoas assistem pornografia, parece que as atrizes estão adorando, mas na realidade elas estão apenas dissociadas e nem queriam estar lá.

… O que eu percebi rapidamente foi que a indústria pornográfica é como uma fachada para executar negociações de prostituição onde os agentes, que são realmente cafetões, fazem ainda mais dinheiro enviando suas garotas para esses tipos de negócios.

… Ao longo da minha carreira de pornografia eu tive que ir para a sala de emergência várias vezes. Eu sofri vários incidentes onde eu chorava no set porque as coisas normalmente eram muito dolorosas, mas nenhuma delas era como esta, ao ponto onde eu realmente ficava acordada.

VANESSA BELMOND

Comecei a fazer striptease aos dezoito anos, e comecei a fazer pornografia aos dezenove anos e pensei que ia fazer pornografia suave, apenas posar nua e transar com mulheres e eu achei que estava realmente pronta e eu ia começar muito lenta, mas não foi assim.

Na minha primeira cena pra falar a verdade, eu contraí clamídia e eu fiquei tipo, ‘Oh-meu-Deus! Isso é tão nojento!’ Quanto às DSTs, eu contraí clamídia provavelmente três, quatro vezes ou mais, eu peguei gonorréia, obtive infecções bacterianas muitas vezes. E os exames que eu pensei que estavam me mantendo segura, porque eles faziam soar como se todos fossem testados, na verdade, você só faz esses exames uma vez por mês, então durante todo esse mês eles poderiam ter obtido ‘nada no exame’, mas eles podem ter [na verdade já] contraído algo.

Na minha primeira cena de anal eu tive que tomar analgésicos porque ainda era muito doloroso mesmo com analgésicos. Eu tinha muitas dilacerações vaginais, dilacerações anais. Eu tive dilacerações anais diversas vezes. Quando você toma um analgésico realmente forte, é muito mais fácil fazer algo como anal e sorrir e agir como se você estivesse tendo um ótimo dia.

DANIELLE WILLIAMS

O dinheiro rápido, as drogas. Qualquer coisa que você queria eles dariam pra você. Analgésicos, drogas, álcool, qualquer coisa para mantê-la lá para que eles possam fazer este filme e conseguir esse dinheiro usando você. Eu estive lá, embora eu nunca tenha pegado uma doença… Mas outras mulheres jovens com quem eu trabalhava junto estavam pegando herpes, gonorréia no olho, na garganta, no ânus. Acontecia tanta coisa. Eu vi tanta coisa. Uma moça com quem conversei, ela apareceu em um evento pornô em Vegas e ela disse que ela havia pego HPV, herpes… Foi tanta coisa que eu vi. Esses homens jovens, muitos deles são homens homossexuais, e eles estão dormindo com mulheres pelo dinheiro. Foi uma experiência horrível. Eu nunca fui feliz com meu estilo de vida como uma stripper ou prostituta, mas eu lidei com ele. Quando entrei na pornografia, é quando realmente me bateu. Esse foi o pior momento da minha vida. Eu não estou tentando dizer que striptease é melhor ou prostituição é melhor, mas a pornografia quase me matou.

Todas tinham um cafetão ou elas já foram prostitutas antes, elas eram strippers antes. Era apenas um fato. Elas eram [usuárias] de drogas. Todas eram viciadas em tudo. Nunca conheci alguém sóbrio. Era drogas ou álcool. Todo mundo era viciado em algo.

E se a pornografia é tão legal, por que então que tínhamos que nos envenenar apenas para fazer uma cena? Toda vez que aparecíamos em algum lugar… Eu era viciada em cocaína e ecstasy, em todos os lugares que eu ia eu tinha que tomar uma pílula ou cheirar uma linha de cocaína, mas [então], ‘Pornô é demais! Estou tão feliz! Eu sou a rainha das cachorras! OI! Eu amo meu trabalho!’…

… mas eu estava drogada! Agora eu não tenho que usar qualquer tipo de drogas porque eu amo o que estou fazendo. Quando você ama o que está fazendo, não precisa se envenenar para fazê-lo. Você não tem que alterar sua personalidade ou algo assim quando você realmente gosta da coisa.

JENNI CASE/ “VERONICA LAIN”

Eu tinha trazido uma maconha realmente boa comigo, assim nós poderíamos ficar brisados e assim eu poderia ficar amortecida esse tempo inteiro. Estávamos fazendo uma cena de pornografia, era eu e Missy e John Doe e Patrick Collins e estávamos nus e no mato.

E eles estavam fazendo a cena com a gente e Missy estava de joelhos e eles a sufocaram, a amordaçaram, eles tinham as mãos ao redor do pescoço dela e seu rosto estava vermelho e ela não podia respirar e ela tinha lágrimas nos olhos e pensei: ‘meu Deus, espero que eles não façam isso comigo, eu não vou fazer isso.’ Mas, ao mesmo tempo, por que eles estavam fazendo isso? Como é que isso é sexy? Como isso vai excitar alguém? Me lembro que pensei: ‘Isto é ruim. Isto é ruim. Eu não sei se eu quero fazer parte de qualquer coisa disto ‘.

E o velho que estava conosco foi até o cara da câmera e depois com todo mundo e disse: ‘Por que eles estão fazendo isso com ela? Por que eles estão sufocando aquela garota?’ Ele estava realmente preocupado, ele estava realmente, realmente preocupado e eles lhe disseram: ‘Oh, isso é o que vende! Isso faz parte do que fazemos e ela está bem com isso. Não faz mal a ela. Não está machucando ela. Ela gosta. Ela gosta de ser sufocada.’

E eu só me lembro de ver seu rosto vermelho daquele jeito e agora eu desejo que eu poderia ter feito algo sobre isso. Eu estava muito dessensibilizada na época. Ela está morta agora e eu gostaria de poder salvá-la, porque poderia ter sido eu. Eu poderia ser morta por uma overdose de drogas. Eu pensei por quê que não poderia ter sido eu. Eu queria sair.

Naquele ponto, não era mais divertido, ver alguém sufocado assim. Eu queria sair, mas eu não sabia como eu ia sair. E então um dia eu estava muito, muito doente em Hollywood. Tinha dores no abdômen, dores severas no abdômen, não conseguia suportar, nem conseguia sair da cama. Eu estava tão, tão doente e, claro, eu estava vivendo em um colchão de ar no chão na sala de estar. Isso não era nada confortável e eu pensei: ‘O que há de errado comigo?’ E eu tinha algum corrimento saindo da minha vagina.

E era um corrimento realmente intenso e sentia como havia algo extremamente errado com o meu corpo e eu precisava ir fazer um exame. Então eu fui pedir pro ‘meu homem’ — o motorista, me levar para a Planned Parenthood… Acabou que eu tinha clamídia severa, infecção bacteriana, infecção da bexiga, infecção do trato urinário, tudo de uma vez.

E eles receitaram medicamentos que também me deixavam doente, me faziam vomitar. E então eu voltei para o apartamento e ele disse que eu poderia dormir em sua cama já que eu estava doente, então eu dormi na cama dele em vez do colchão de ar. Eu fiquei na cama por dias e meu abdômen estava doendo e eu pensei: Eu não aguento mais isso.’

SIERRA SINN

Os agentes estão mentindo para você. Os diretores estão mentindo para você, a empresa, todos. É como se fosse um grande círculo de mentiras.

APRIL GARRIS

Você tem que entender que quando você está se preparando para fazer uma cena hardcore… poderia ser com um ator ou vários atores. E só essa atmosfera, exatamente onde você está se colocando, é uma maneira de escapar.

Me lembro de dissociar o tempo todo. E as drogas têm uma enorme, ENORME participação nisso. E as drogas, elas aumentam a depressão que já tomou conta. E aí, te leva a um lugar realmente fundo.

JENNA PRESLEY

Foi uma longa jornada de sete anos de pornografia, prostituição, striptease, drogas, álcool e várias tentativas de suicídio fracassadas. Mas eu sobrevivi.

Eu me envolvi na indústria de adultos quando eu estava na faculdade em Santa Barbara. Comecei a dançar e daí em diante um grupo de produtores entrou e eles disseram que eu era bonita e que eu seria ótima em filmes de romance. Então eu fui para L.A. no dia seguinte e eu filmei a minha primeira cena. Eu me senti tão ‘amada’ naquele dia porque eu arrumaram meu cabelo e maquiagem, me disseram que eu era tão bonita [que] eu ia ser uma estrela. E eles enviaram minhas fotos para uma agência de adultos com quem eu trabalhei por cerca de dois anos. E o resto é praticamente história.

Quando eu tinha dezoito anos, eles me vestiam como uma adolescente, como uma menina e eles faziam às vezes, duas a três cenas por dia. Eu me lembro de trabalhar somando sessenta dias de uma vez. [E] não só te deixa se sentindo com as energias drenadas, mas eu tinha que começar a encontrar maneiras de ser capaz de fazer as cenas porque eu era era muito robótica. Eu era como uma boneca Barbie de borracha. Eu não tinha emoções. Eu era de plástico. Eu me despia da roupa que eu usava para vestir uma lingerie linda só para ser despida para fazer uma cena. Eu me sentia tão desesperada e tão vazia no interior que me virei para as drogas para amortecer a minha dor, para aguentar aquilo. Eu não era mais a Brittni. Eu me tornei Jenna Presley, eu tinha um alter-ego. Tornei-me meu alter-ego. E as drogas e álcool me ajudaram a lidar com aquilo…

Não valia a pena. Todas aquelas noites solitárias, cortando em meus pulsos e me sentia tipo, ‘O que vai acontecer amanhã?’ e ‘Eu nem me importo se o amanhã vier de qualquer jeito.’ Querendo morrer. Tentando me matar. Gastando todo o meu salário em drogas, sentindo, ‘Eu ganhei tanto dinheiro! Eu ganhei 1.500 dólares, e está indo tudo para as drogas! Uh-huh!’ — Onde está a conquista?! Não é o que você pensa. E eu acredito que como mulheres nós merecemos uma conquista e nós merecemos o amor e nós merecemos o amor real e você não conseguir esse amor da indústria.

JAN VILLARUBIA

Não demorou muito para que eu estivesse [dirigindo] indo e voltando de Las Vegas para Califórnia, cinco a seis vezes por semana. E eu comecei a usar drogas porque foi isso que me deram no set para me convencer a fazer mais. Eles te atendem desde que você esteja lhes fazendo ganhar dinheiro e é só com isso que eles se preocupam. Você não é nada mais que um pedaço de carne para eles. Eles não se preocupam com seus filhos. Eles não se preocupam com sua família. Eles não se importam com quem você é e com o que você está lidando e como você está liso. O que eles se preocupam é: ‘Quanto dinheiro eu posso fazer usando você até que você esteja completamente devastada e desista.’ E acabei de perder de vista quem eu era. Eu não sabia mais quem eu era. Eu não era uma boa mãe…

O motivo de eu ter inicialmente entrado na pornografia era para prover aos meus filhos e eu não estava fazendo isso. Eu estava dormindo no meu carro, basicamente porque eu viajava de Las Vegas para a Califórnia. E eu dava-lhes dinheiro e eu dava dinheiro para a minha mãe para vê-los e eu não os via porque eu estava sempre indo e voltando para a Califórnia. E não importa o quão devastada eu estava, eles [pornógrafos] iam continuar me usando. Chegou a um ponto em que o que eu estava fazendo, como os filmes solo e até mesmo com mais de uma pessoa, não era suficiente e eu não estava ganhando dinheiro suficiente. E eles disseram: ‘Olha, você tem que manter certa personalidade.’ E sabe de uma coisa? Eu menti para a câmera, eu menti para os fãs [que], ‘Eu amo o que eu faço!’ Porque é assim que você ganha dinheiro.

E eu cheguei a um produtor que disse que iria assumir completo e total controle sobre mim, basicamente. Porque é isso que eles tentam fazer. Eles tentam enfiar os ganchos deles em você para que eles possam ‘manusear’ você. E ele me convenceu a fazer uma cena de gang-bang. Ele disse que ia ser vinte e cinco caras, mas eu realmente não teria que dormir com vinte e cinco caras. Que eu ia ter que dormir com talvez dez deles e eles iriam fazer parecer que eu tinha dormido com o resto deles. Ele me ofereceu cinco mil dólares para a cena e eu estava desesperada por aqueles cinco mil. Porque entre ir e vir entre Las Vegas e Califórnia e todas as despesas que vinham com isso, eu realmente não tinha nada para mostrar para o meu período na pornografia.

Eles sempre gravam as meninas dizendo que sabem o que estão fazendo, que não estão sob a influência de drogas ou álcool. Todo mundo tem um vício. Todo mundo está usando algo para passar por essa dor de penetração de vários homens grandes que rasgam seu interior e não se importam se você tiver que ficar em um hospital por duas semanas depois disso. E eles me acompanharam até a cena e eu fiz a cena, mas eu apaguei durante ele e eles ainda continuaram filmando e eles apenas cortaram essa parte. Levou um total de seis a oito horas e eu não me lembro a maior parte dele, mas eles não se preocupam com isso porque eu estava fazendo-lhes dinheiro.

DONNY PAULING, ANTIGO PRODUTOR DE PORNOGRAFIA PARA PLAYBOY

[Recrutamento em pornografia] é psicológico e começa a partir do momento em que elas entram em seu escritório para a entrevista. Então eu posso ter uma menina que fale por 30 minutos apenas sobre ela e aprender sobre ela e aprender quais são suas inseguranças. Estou aprendendo a manipulá-la para fazer o que eu quero.

Depois de fazer algumas fotos de softcore, onde ela só está tirando as roupas acaba não parecendo ser algo muito complicado. Então, ela deixa meus estúdios pensando, ‘Isso não um negócio tão difícil.’

Eu não vou deixá-la trabalhar no primeiro dia, não importa o quê, porque eu quero que ela pense sobre como isso tinha sido fácil. E então eu ligo pra ela um dia ou dois e depois eu digo pra ela o quanto ela vai ganhar para a sua primeira filmagem. Se ela pedir os detalhes, então eu digo, ‘Eu falar você quando você chegar aqui.’

Eu peço para ela vir com a quantia de dinheiro em mente e ela já está mentalmente gastando ele, então quando ela chega ao set ela vai fazer que você quiser.

— —

E por fim, uma pequena adição:

Citação de Pornography addiction: A neuroscience perspective:

“Em 2006 a receita mundial de pornografia foi de 97 bilhões de dólares, mais do que a Microsoft, Google, Amazon, eBay, Yahoo, Apple e Netflix combinados. Este não é um fenômeno casual e inconsequente, mas há uma tendência a banalizar os possíveis efeitos sociais e biológicos da pornografia. A indústria do sexo tem caracterizado com êxito qualquer objeção à pornografia como sendo de uma perspectiva religiosa/moral; Eles então rejeitam essas objeções como se fossem infrações da Primeira Emenda. Se o vício da pornografia fosse visto com objetividade, as evidências indicariam que ela realmente causa danos aos seres humanos com relação ao vínculo entre casais.”