Aprisionado homem livre

Não que os punhos estivessem algemados, ou muito menos que ele estivesse atrás de grades. Não que visse o sol nascer quadrado, ou retangular, ou sequer alguma outra forma geométrica pontuda. O sol ainda era redondo. Os pés passavam por onde ele queria e seus passos direcionavam-se a qualquer lugar do mundo sem empecilhos. Mas ele estava ali. Ainda assim continuava preso. Um aprisionado homem livre. Enclausurado. Inarredável independente do quanto ele andasse e de onde estivesse. Irritado na rotina que ratificava sua prisão. E nem mesmo sabia.

Esparramado em um sofá almofadado, mastigava uma pipoca meio sem sal enquanto olhava para uma tela brilhante mágica que o dizia o que fazer e não fazer. Sentia-se angustiado. O problema com certeza não era o sal da pipoca. — Suspirou. — Uma. Duas. Três vezes. Fazia isso todos os dias. A chave da liberdade estava logo ali, discreta e silenciosa, em uma estante velha, mas ele jamais percebera. Viveu o resto de sua vida sendo cego em sua forma de enxergar o mundo. Entre suspiros, suspiros e suspiros de uma escravidão entediante.

Se não és livre em tua própria mente, jamais serás propriamente livre. Leia.

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