Peru: Trilhas em Huaraz e Oásis de Huacachina

Este relato sobre minha viagem sozinha ao Peru começou com três semanas de trabalho voluntário em uma vila Sustentável próxima a Lima (neste post) e agora vou passar para a segunda parte da viagem, em que fui fazer trilhas em Huaraz e passei uns dias no Oásis de Huacachina!

Como disse, a vila foi um ótimo lugar para começar a viagem, porque conheci outras pessoas, treinei e aprendi muito o espanhol, me acostumei com o sotaque e alguns costumes locais. Lá, fiz amizade com uma brasileira [E.] e, por coincidencia, ela tinha um roteiro de viagem muito parecido com o meu plano B, o mais aventureiro! Então combinamos de ir ao norte fazer trilhas e ver lagoas no topo das montanhas em Huaraz. Uma moça alemã [L.] foi conosco, ela estava viajando pela América Latina há alguns meses já e ia acampando nos lugares, logo ela foi uma ótima companhia mais experiente de que nós.

Roteiro final da minha viagem

Para ir a Huaraz, primeiro fomos à Lima, nos hospedamos um dia no templo Hare Krishna e no dia seguinte compramos a passagem (foi aproximadamente 30 soles), partindo diretamente da sede companhia de ônibus (cruz del sur) — não era uma rodoviária que atendia diversas companhias, como no Brasil. O ônibus era ótimo, de dois andares, limpinho e passava filmes em espanhol nas televisões. A parada para comer e ir no banheiro também era bem tranquila, mas tinha poucas opções para comer e nada vegetariano. Pedimos para tirarem a carne do prato, mas a comida nem era tão boa e não ganhamos desconto, então aconselho a qualquer vegetariano no Peru a levar sempre uma comidinha na bolsa. A viagem durou 8 horas, por ser tão longa eu e a E. queríamos ir de noite, pelos seguintes motivos:

  • economizar uma noite no hostel;
  • não perder uma tarde de passeio;
  • chegar na cidade-destino pela manhã.

Já a L. queria ir de manhã para ver a paisagem e acabamos por seguir a opinião dela, o que foi ótimo. A paisagem de Lima à Huaraz é muito interessante! O litoral Peruano é um deserto, mas chegando mais perto do nosso destino surgiram, ao longe, montanhas muito altas, com o topo branquinho, coberto de neve.

Fotos tiradas do ônibusChegamos em Huaraz de noite e como eu e a E. prevíamos, foi bem ruim escolher um hostel nesse horário. Tivemos muita sorte de conseguir um, muito simpático, à um preço amigável (30 soles por noite) e como estava meio vazio, ficamos só nós três em um quarto. O Hostel tinha muitas redes de Wi-fi, mas o sinal era péssimo dentro do quarto, a localização era ótima, ficava do lado do “parque de la aventura” , que na verdade é uma pracinha com uma padaria e uma das melhores pizzas do mundo ❤ a do Luigi. Esse lugar também ficava perto do mercadão, compramos muitas frutas, queijo, pãezinhos, coisas que não necessitassem de preparo, pois a cozinha do hostel era péssima, sem condições de cozinhar nada muito complexo (mais um ponto negativo de ter deixado pra escolher o hostel quando chegássemos e de noite).

A pequena cidade de Huaraz
Vista do topo do hostel

A três quarteirões do hostel também estavam muitas agências de turismo, fizemos mil perguntas e recebemos muitas informações de graça, verificamos os mapas, o número de cada van para ir a cada trilha, os preços das trilhas e a possibilidade de fazê-las sozinhas. Foi ótimo. Logo no primeiro dia não acordamos muito cedo, mas conseguimos ir à trilha mais simples que havia para a lagoas que ficava a uma altitude mais baixa. Pegamos uma van por 3 soles cada, avisamos qual era nosso ponto de parada, descemos em um ponto que não tinha nada demais e andamos por onde nos instruíram. O caminho era peculiar, pois passamos por alguns vilarejos, vimos algumas crianças voltando da escola, as mulheres peruanas vestindo roupas tradicionais, ordenhando vacas, tocando as ovelhas…. A lagoa não era super linda, mas havia começado a chover, então a água estava meio mexida e tal. Por sorte havia um táxi passando, pois tinha festa em um lugar lá para cima, pegamos um taxi para voltar, 20 soles no total. (no meio do caminho o pneu do cara furou haha mas ta valendo).

Placa com a altitude das montanhas/lagoas
Menina voltando da escola.
Senhora com roupa típica peruana, tomando conta das vaquinhas.
E. & L.
Vista da trilha

No outro dia, de novo não acordamos muito cedo, mas partimos para outra lagoa. Fomos de van por 3 soles até um ponto e caminhamos na estrada até chegar ao parque. Para fazer a trilha pagamos 20 soles cada uma, mas não há uma portaria no parque, o fiscal vai andando e encontra as pessoas para cobrá-las, é um sistema bem curioso. A lagoa ficava à quase 6 mil metros de altitude e eu passei muito, muito mal. Era como se estivesse me afogando enquanto andava, uma sensação muito bizarra. Realmente, como me disseram, você só sabe como vai reagir à altitude quando chega no local e experimenta. Se não fosse a E. me incentivando, teria desistido no meio do caminho, mas cheguei até a lagoa! Diria que essa é uma trilha fácil-intermediária ( mas pra quem “mal de altitude”, tipo eu, é difícil-impossível haha), porque ela é basicamente subidas íngremes, mas tem uns pontos que é necessário escalar umas pedras e usar umas cordas para subir até a lagoa. No fim, valeu a pena, mas fiquei com medo de ter uma embolia pulmonar ou algo do tipo na volta.

Na volta, começou a chover e fomos andando pela estrada meio cansadas, quando encontramos uma eco vila — que eu queria MUITO ter me hospedado, se soubesse antes que ela existia — de dois alemães que já moraram no Brasil (ótimo, pois éramos 2 brasileiras e uma alemã podíamos todas falar em nossas línguas e sermos entendidas) eles dão uns cursos de permacultura e também tem programa de voluntariado, a vista do lugar é maravilhosa, de frente para as montanhas de gelo, um silêncio… Mas como já estávamos pagando a diária na cidade, pegamos um taxi (por 40 soles) e voltamos para nosso hostel.

No dia seguinte, finalmente… fomos acampar! Em Huaraz tem trilhas maravilhosas e diversos lugares para acampar, mas como tive muito problema para respirar com a altitude, escolhemos uma lagoa bem baixa e que não precisava chegar por uma longa trilha. Alugamos o material de acampamento nas lojas de turismo (uma barraca para 2 pessoas custava 30 soles por noite) e fomos à lagoa de Querococha. O ônibus circular para NA FREN-TE da lagoa e aparentemente estávamos lá na super baixa temporada, pois não tinha NIN-GUÉM. Rodeamos a lagoa por 2 horas, uma trilha bem fácil, passamos por algumas ovelhas fofinhas, por uns touros (fiquei com medo) e acenamos para uma pessoa que estava pastoreando os animais, lá de cima de uma montanha. Por fim, chegamos em um lugar que parecia bom para acampar, meio escondido de modo que se alguém visse da estrada, não viria nossas barracas solitárias ali.

mapa de algumas lagoas e trilhas de Huaraz

A primeira noite choveu muito, passamos MUITO frio, acordamos e o zíper da barraca estava congelado! Tinha gelo por toda a capa da barraca e ao levantar para ir fazer xixi la fora, escorreguei na fina camada de gelo na grama! As vaquinhas começaram a passar por nós, silenciosas, achando muito estranho estarmos ali na área delas e o lago estava um pouco congelado nas bordas… O céu estava limpinho e, atrás das nossas barracas, podíamos ver as montanhas de pedra e gelo.

A L. foi fazer uma trilha em algum lugar, mas eu e a E. estavamos muito cansadas e com frio ainda… Resolvemos ir a cidade mais próxima comprar um cobertor. Foi a ideia mais idiota (e engraçada) que tivemos, mas seria muito longo explicar aqui, então resumindo, pegamos um ônibus na beira da estrada que foi para Chavín, mais de uma hora de distância de Querococha e a estrada foi ASSUSTADORA, cheia de precipícios e pontos não asfaltados. Para nossa surpresa, lá era uma cidade histórica, tinha algumas ruínas, mas não tinha cobertor para vender e a comida vegetariana quase não existia também. Conhecemos o centrinho da cidade, mas não aconselharia um passeio turístico por essa cidade… Enfim, voltamos, chegamos de noite, nos perdemos em uma trilha e o gás do isqueiro da L. acabou, então não conseguimos acender uma fogueira, mas o céu estava maravilhoso, um dos céus mais estrelados que já vi, foi incrível.

Isso no colo da moça é uma ovelha! ❤

No último dia voltamos à cidade e ficamos descansando por lá. Huaraz tem muitas outras lagoas incríveis, como a Laguna 69 que parece INCRÍVEL e também tem alguns balneários de água quente, mas não sei dizer de eram bons… Lá é também um ótimo lugar para comprar blusas e artesanatos, são iguais e bem mais baratos que os de Cusco.

De Huaraz, a L. seguiu para o Ecuador e eu e a E. pegamos um ônibus para Lima, dessa vez, de noite.Chegamos em Lima 5 da manhã e pegamos outro ônibus (de 50 soles), dessa vez em um terminal grande, com várias companhias, para Hua-ca-chi-na! O único oasis da américa latina. De novo, a paisagem da costa era incrivelmente desértica, com algumas construções abandonadas e chegando mais próximo às cidades, tinha algumas viniculturas.

O oasis fica na cidade de Ica, ao sul do país. Nos hospedamos no próprio complexo do oasis, onde tem o lago, vários restaurantes ao redor e vários hostels. O preço de todos é praticamente o mesmo, alguns tem piscina e também oferecem desconto no passeio de buggy pelo deserto.

Nosso café-da-manhã de cada dia — 15 soles.
Curiosamente em Huaraz & em Ica (onde tirei essa foto), tem muitas coisas escritas em hebraico e várias pessoas ligadas ao turismo sabem falar a língua.
O quarto mais barato da região! Acho que tinham umas 15 camas e sempre tinha areia no chão, mas era muito massa!
Eu, E. e Aye, uma amiga de Mendonça que continuou viajando com a E. depois =)

No hostel o banho era gelado, mas Ica é MUITO quente, então não fez muita diferença. O passeio de buggy vale super a pena, ele te leva lááá no meio do deserto, só da pra ver dunas por todos os lados, é bem gostoso. Por fim, ficamos uns 3 dias em Huacachina, mais descansando do que conhecendo, porque não tem nada demais para fazer por lá. Se você não é baladeiro e não quer praticar esportes nas dunas, um dia e uma noite eu diria que é o suficiente para conhecer.

Lá conhecemos dois argentinos, que conheceram um taxista, que nos levou a uma vinícola local! Era um lugar muito simples e o taxista pagou todo o passeio para nós (loucura haha), com degustação de vinhos e um rápido passeio por um pseudo museu com algumas relíquias muito mal conservadas. Infelizmente não saberia dizer o nome, mas vale a história para mostrar a receptividade dos peruanos, incrível! Enfim, nesse ponto da viagem eu a E. nos separamos, pois eu tinha um voo marcado de Lima para Cusco, confira a parte final da viagem: Cusco, Machu Picchu e Lago Titicaca!